31 de julho de 2025
ECONOMIA

Banco Central informa que crédito ampliado tanto para empresas e famílias aumentou em fevereiro, mesmo com o aumento do custo do crédito, informa BC

O estoque das operações de crédito do SFN alcançou R$7,1 trilhões em fevereiro, assinalando crescimento mensal de 0,4%(+0,6% no crédito às famílias

Por Política Real com assessoria
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Sede do Banco Central, em Brasília Foto: Rafa Neddermayer - Agência Brasil - EBC

(Brasília-DF, 30/03/2026). Na manhã desta segunda-feira, 30, o Banco Central divulgou  o seu Estatísticas Monetárias e de Crédito com os dados atualizados até fevereiro de 2026 apontando que

Em fevereiro, o saldo do crédito ampliado ao setor não financeiro alcançou R$21,0 trilhões (163,7% do PIB), com expansão mensal de 1,1%. Esse resultado refletiu, principalmente, os aumentos de 2,0% nos títulos públicos e nos títulos privados de dívida. Em doze meses, o crédito ampliado cresceu 11,8%, prevalecendo as elevações dos títulos públicos de dívida (+17,2%), dos empréstimos do SFN (+9,5%) e dos títulos privados de dívida (+18,5%).

O crédito ampliado às empresas atingiu R$7,0 trilhões em fevereiro (54,4% do PIB), com expansão mensal de 0,2%, resultado da elevação nos títulos privados de dívida (+2,0%) e da diminuição nos empréstimos externos (-0,9%), impactados pela apreciação cambial de 1,54% no mês. Comparativamente a fevereiro de 2025, a expansão de 5,8% do crédito ampliado às empresas, resultou, principalmente, dos aumentos de 18,5% em títulos privados de dívida e de 7,4% em empréstimos do SFN.

 Operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN)

​O estoque das operações de crédito do SFN alcançou R$7,1 trilhões em fevereiro, assinalando crescimento mensal de 0,4%(+0,6% no crédito às famílias, estabilidade no crédito às empresas, com saldos respectivos de R$4,5 trilhões e R$2,7 trilhões). Em doze meses, o crédito apresentou menor ritmo de crescimento, com acréscimo de 9,6% ante 10,1% até janeiro deste ano. Na mesma base de comparação, variações de 7,1% ante 8,3%, no crédito às pessoas jurídicas, e de 11,2% ante 11,3%, no crédito às pessoas físicas.

O crédito com recursos livres cresceu 0,1% no mês e 7,7% em doze meses, totalizando R$4,1 trilhões. No crédito livre às empresas, o estoque de R$1,6 trilhão, diminuiu 0,3% no mês e avançou 0,9% em doze meses. Foram determinantes as reduções em desconto de duplicatas e outros recebíveis (-2,2%), antecipação de faturas de cartão de crédito (-1,5%) e de financiamento às exportações (-0,8%).

No crédito às famílias, saldo de R$2,5 trilhões, com incrementos de 0,3% no mês e de 12,6% em dozes meses. No crédito às pessoas físicas, avanço disseminado entre as principais modalidades, com destaque para crédito consignado privado (+5,9%), aquisição de veículos (+1,3%), crédito pessoal não consignado (+1,2%) e crédito consignado para beneficiários do INSS (+1,5%). No cartão de crédito à vista, redução de 2,9%, influenciada pela ocorrência de três dias úteis a menos no mês em relação ao mês anterior.

O estoque de crédito direcionado alcançou R$3,1 trilhões em fevereiro, com incrementos de 0,8% no mês e de 12,2% em doze meses. O crédito direcionado às empresas alcançou R$1,1 trilhão, com altas de 0,6% no mês e de 17,7% em doze meses. Na mesma ordem, o crédito direcionado às famílias aumentou 0,9% e 9,5%, atingindo R$2,0 trilhões, com destaque para a expansão da carteira de financiamento imobiliário com taxas reguladas (+0,8%).

As concessões nominais somaram R$602,3 bilhões em fevereiro. Com ajuste sazonal, as novas contratações recuaram 0,5% no mês, com diminuição de 1,9% nas operações com pessoas jurídicas e aumento de 0,3% nas operações com pessoas físicas. No acumulado em doze meses até fevereiro de 2026, as concessões nominais cresceram 8,2%, sendo 8,1% no crédito às empresas e 8,3% no crédito às famílias.

A taxa média de juros das concessões avançou 0,3 p.p. no mês e 2,6 p.p. em doze meses, situando-se em 33,0% a.a. O spread bancário alcançou 22,1 p.p., com acréscimo mensal de 0,5 p.p. e de 2,8 p.p. em doze meses.

No crédito com recursos livres, a taxa média de juros alcançou 48,6% a.a. em fevereiro, com altas de 0,8 p.p. no mês e de 4,7 p.p. em doze meses. Nas operações com as empresas, a taxa média de juros alcançou 24,9% a.a., com redução de 0,1 p.p. no mês e aumento de 1,1 p.p. em doze meses, tendo sido predominante o efeito da variação das taxas médias (efeito taxa), em relação à alteração da composição das carteiras (efeito saldo). Foi determinante para esse resultado, a redução da taxa média de juros do capital de giro com prazo inferior a 365 dias (-3,1%).

​No crédito livre às famílias, taxa média de juros de 62,0% a.a., com avanços de 1,0 p.p. no mês e de 5,4 p.p. em doze meses, com predominância do efeito da variação das carteiras (efeito saldo) em relação ao das taxas (efeito taxa). Destacou-se a elevação da taxa média das operações de cartão de crédito rotativo (+11,4 p.p.).

 

O Indicador de Custo do Crédito (ICC), que mede o custo médio de todo o crédito do SFN, atingiu 24,2% a.a. em fevereiro, com elevações de 0,3 p.p. no mês e de 1,9 p.p. em 12 meses.

A inadimplência da carteira de crédito total do SFN aumentou 0,2 p.p. no mês, alcançando 4,3%, com avanços de 0,2 p.p. na inadimplência de pessoas jurídicas e de pessoas físicas, situadas em 2,6% e 5,2%, respectivamente.

No crédito com recursos livres, a inadimplência aumentou 0,2 p.p no mês, alcançando 5,5%, com aumentos equivalentes nas carteiras de pessoas jurídicas  de pessoas físicas.

​O endividamento das famílias situou-se em 49,7% em janeiro, permanecendo estável no mês e aumentando 1,1 p.p. em doze meses. O comprometimento de renda subiu 0,1 p.p. no mês e 1,6 p.p em doze meses, alcançando 29,3%.

Agregados monetários

A base monetária totalizou R$449,2 bilhões, com redução de 0,3% no mês e crescimento de 1,9% em doze meses. No mês, o volume de papel-moeda em circulação cresceu 0,3%, enquanto as reservas bancárias diminuíram 2,4%.

Entre os fluxos mensais dos fatores condicionantes da base monetária, atuaram no sentido contracionista, as operações do Tesouro Nacional, R$38,7 bilhões, e as operações com derivativos, R$8,1 bilhões. Do lado expansionista, operações do setor externo, R$17,4 bilhões, operações com títulos públicos federais, R$5,7 bilhões (colocações líquidas de R$101,7 bilhões no mercado primário e compras liquidas de R$107,4 bilhões no mercado secundário) e depósitos de instituições financeiras, R$26,4 bilhões (liberações de recolhimentos de recursos de caderneta de poupança, +R$3 bilhões, de depósitos a prazo em espécie, +R$6,4 bilhões, de depósitos voluntários a prazo, +R$16,3 bilhões, e de depósitos de garantias em espécie vinculadas a Linhas Financeiras de Liquidez – LFL, +R$479 milhões).

Os meios de pagamento restritos (M1) alcançaram R$624,8 bilhões, decréscimo de 2,3%, decorrente do aumento de 0,3% do papel-moeda em poder de público e da retração dos depósitos à vista em 4,8%.  Considerando-se dados dessazonalizados, o M1 recuou 2,6% no mês de fevereiro.

Os M2, saldo de R$7,3 trilhões, recuou 0,2% em fevereiro, resultado do decréscimo no M1. Os saldos dos títulos privados emitidos por instituições financeiras e dos depósitos a prazo, que totalizaram, respectivamente, R$5,7 trilhões e R$3,6 trilhões, mantiveram-se estáveis no período. O saldo da poupança contraiu 0,1%, após registrar captações líquidas negativas de R$6,6 bilhões. O saldo das letras financeiras (R$ 690 bilhões) avançou 0,3%, enquanto o saldo das letras de crédito (R$ 1,1 trilhão) contraiu 0,2%.

​O M3 cresceu 0,4% no mês, totalizando R$13,3 trilhões, refletindo o aumento de 1,4% no saldo das quotas de fundos monetários, que totalizou R$5,8 trilhões, em fevereiro. As operações compromissadas com títulos públicos e privados seguiram tendência inversa e contraíram, respectivamente, 5,7% e 3,0%. O M4 avançou 0,4% no mês, totalizando R$14,8 trilhões, refletindo a expansão do M3, bem como o crescimento de 0,6% no saldo dos títulos federais em poder do público residente (R$ 1,5 trilhão). Em 12 meses, variação de 9,4%.

( da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)