Estados Unidos sinaliza que vê as facções brasileiras PCC e Comando Vermelho como ameaças de caráter regional, mas decisão ainda não foi oficializada
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(Brasília-DF, 10/03/2026) Nesta terça-feira, 10, o Departamento de Estado dos Estados Unidos disse que o governo americano vê as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como ameaças de alcance regional.
A informação consta de uma nota publicada inicialmente pelo jornal O Globo e confirmada pela BBC News Brasil.
A declaração acontece após o portal UOL ter publicado reportagem no domingo ,8 sobre a intenção do governo de Donald Trump de classificar as duas facções brasileiras como organizações terroristas.
"Os Estados Unidos veem as organizações criminosas brasileiras, inclusive o PCC e o CV, como ameaças significativas à segurança regional em função do seu envolvimento com o tráfico de drogas, violência e crime transnacional", diz um trecho da nota.
Sobre a possibilidade de classificá-las como organizações terroristas, a nota diz que o governo americano não faz previsões sobre "potenciais designações terroristas ou deliberações relativas a designações terroristas" e que o país estaria "totalmente empenhado em tomar medidas adequadas contra grupos estrangeiros envolvidos em atividades terroristas".
Diplomatas e integrantes do governo Lula ouvidos reservadamente pela BBC News Brasil avaliam que uma medida desse tipo não seria tecnicamente correta, uma vez que não haveria indícios de que as duas facções pratiquem terrorismo sob a lei brasileira.
Nos bastidores, o temor é que a classificação das facções como organizações terroristas seja usada para justificar ações, inclusive militares, na região, a exemplo dos bombardeios a barcos na Costa de países como Colômbia e Venezuela sob o pretexto de combater o narcotráfico.
Uma fonte ouvida pela BBC News Brasil em caráter reservado afirmou que, no domingo, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversou com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, sobre o tema.
Procurado, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil não comentou o assunto.
O episódio ocorre em um momento delicado da relação bilateral.
Brasil e Estados Unidos vêm negociando, há pelo menos dois meses, a realização de um encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump.
Lula chegou a dizer que a reunião poderia acontecer no dia 16 de março, mas a data não foi confirmada.
( da redação com informações de agências. Edição: Política Real)