Depois da decisão da Suprema Corte, União Europeia suspende votação sobre a implementação de um acordo tarifário com os Estados Unidos
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Com agências
(Brasília-DF, 23/02/2026). Neste final de semana estudo da Global Trade Alert (GTA) — um grupo que compila dados comerciais, ligado a uma entidade sem fins lucrativos baseada na Suíça apontou que alguns países europeus terão grandes perdas com a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, o Parlamento Europeu adiou nesta segunda-feira ,23, a votação sobre a implementação de um acordo tarifário com os Estados Unidos.
A relação comercial entre europeus e americanos vive um momento de incerteza, diante da atual batalha da Casa Branca com a Justiça dos EUA quanto às bases para a imposição de taxas sobre parceiros comerciais.
"Queremos ter clareza por parte dos Estados Unidos de que eles estão respeitando o acordo", disse o eurodeputado Bernd Lange após consultas com outros legisladores. O acordo já havia sido adiado em janeiro em razão das tensões sobre a Groenlândia.
No ano passado, os dois lados concordaram com uma tarifa máxima de 15% para a maioria das importações da União Europeia (UE) para os Estados Unidos. O acordo juridicamente vinculativo, posteriormente elaborado com os EUA, ainda precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu.
A política comercial do presidente Donald Trump sofreu, entretanto, um duro golpe na sexta-feira. A Suprema Corte dos EUA decidiu que a base legal usada para muitas das tarifas impostas a quase todos os parceiros comerciais era injustificada.
Por 6 votos a 3, os magistrados rejeitaram o uso de uma lei de poderes de emergência para impor as amplas tarifas "recíprocas" de Trump, aplicadas a quase todo o mundo em abril do ano passado – chegando, em alguns casos, a 50%.
Na prática, a decisão estabelece limites ao poder do presidente para impor tarifas sem a aprovação do Congresso, afetando diretamente as sobretaxas adotadas contra o Brasil.
Nova taxa global
Após o revés no tribunal, Trump anunciou tarifas de importação mundiais de 10%, antes de elevá-las para 15% no sábado, afirmando se apoiar numa legislação separada e ainda não testada.
"Qualquer país que queira 'brincar' com a decisão ridícula da Suprema Corte, especialmente aqueles que vêm 'explorando' os EUA por anos, e até décadas, será confrontado com uma tarifa muito mais alta — e pior — do que aquela com a qual acabaram de concordar”, escreveu Trump em sua rede social, a Truth Social.
Lange disse que isso poderia significar uma taxa de 30% sobre alguns grupos de produtos, apesar do limite de 15% previsto no acordo tarifário UE–EUA. A Comissão Europeia, por sua vez, disse que precisa de um quadro claro sobre as implicações da decisão da Suprema Corte para os EUA para tomar novas decisões.
"Estamos tentando manter a previsibilidade para as empresas e para os consumidores diante de uma imprevisibilidade substancial", disse um porta-voz da Comissão.
O comissário europeu de Comércio, Maros Sefcovic, participou de uma reunião com os ministros do Comércio do G7 nesta segunda-feira. Ele deve se reunir com os embaixadores da UE para discutir os últimos desdobramentos nas relações comerciais do bloco com Washington.
( da redação com informações da AP, dpa, DW. Edição: Política Real )