31 de julho de 2025
BRASIL E O MUNDO

Lula, ao deixar a Índia, disse que as relações comerciais com a Índia podem chegar a US$ 30 bi em 2030, sobre encontro com Donald Trump disse que quer discutir o enfrentamento do crime organizado e que a ONU do jeito que está não serve

Ele disse que deseja saber como Trump quer lidar com a América do Sul, se vai ser fazendo ameaça como faz com o Irã

Por Politica Real com agências
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Lula fala em coletiva Foto: imagem de streaming

Com agências

(Brasília-DF, 22/02/2026) Na madrugada deste domingo, 22, visto que Nova Delhi fica a 8 horas 30 da hora de Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, antes de seguir para  Seul, Coréia do Sul, concedeu uma entrevista aos jornalistas brasileiros e estrangeiros.

Sobre a Índia, Lula exaltou os resultados da missão e afirmou que é preciso seguir apresentando ao planeta as potencialidades do Brasil.

“É importante mostrar para o mundo o momento que vive o Brasil. Em apenas três anos e dois meses, nós fizemos mais de 520 novos mercados de produtos brasileiros. É mais do que tudo que a gente já tinha alcançado em muito tempo”, disse o presidente. “Nós não temos preferência comercial. O Brasil tem interesses comerciais. E o faremos com quem quiser fazer, desde que seja uma política de ganha-ganha”, destacou.

Lula lembrou que, há 21 anos, esteve na Índia e, ao retornar ao Brasil, celebrou o marco de 100 bilhões de dólares de comércio exterior. Desde então, esse montante foi multiplicado em mais de seis vezes.

“Hoje, esse comércio está por volta de 649 bilhões de dólares. E eu espero que, dentro de algum tempo, a gente possa comemorar um trilhão de dólares de comércio exterior”.

Da mesma forma, o presidente mostrou otimismo em relação à ampliação do fluxo comercial com a Índia após esta viagem.

“O primeiro-ministro (Narendra) Modi estabeleceu comigo a ideia de que nós precisamos ter uma meta para chegar a 20 bilhões (de dólares) até 2030. Eu disse: nós vamos chegar a 30 bilhões em 2030, porque o potencial econômico dos dois países é muito forte”. Em 2025, o fluxo bilateral superou 15 bilhões de dólares pela primeira vez na história, um crescimento de 25% em relação a 2024.

Lula ressaltou ainda que o momento do Brasil no cenário internacional é fruto de um intenso trabalho para reposicionar a imagem do país.

“Tudo está acontecendo tal como estava previsto e tal como nós trabalhamos. Porque foi com muito trabalho que a gente conseguiu oferecer aos empresários internacionais previsibilidade, estabilidade fiscal, estabilidade econômica, estabilidade social e estabilidade jurídica. E hoje eu tenho certeza de que o Brasil é um dos países de maior credibilidade em nível internacional. Isso só é possível com muito trabalho e com muita seriedade”.

Donald Trump

Como Lula viajará em março atender um convite do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ele falou, provocado aos jornalistas.

“A pauta que eu quero conversar com o presidente norte-americano é muito mais ampla do que minerais críticos. Nós temos uma relação diplomática de 201 anos. É uma relação muito sólida. O que eu quero conversar com o Trump é a relação entre o Brasil e os Estados Unidos. Eu não sei qual é a pauta dele, mas eu espero que, depois dessa reunião, a gente possa estar garantindo que a gente voltou a ter uma relação altamente civilizada, altamente respeitosa. Nós queremos ter relações iguais com todos os países. Nós queremos tratar todos em igualdade de condições e receber deles um tratamento também igualitário. Se isso for possível, eu acho que tudo voltará à normalidade.”, disse.

Ele disse mais:

“O crime organizado hoje é uma empresa multinacional. Por isso, nossa Polícia Federal precisa construir parcerias com todos os países que tenham interesse em enfrentá-lo conosco”, disse. “E se o governo dos EUA estiver disposto a combater o narcotráfico e o crime organizado, estaremos na linha de frente, inclusive reivindicando que nos enviem os criminosos brasileiros que estão lá”, acrescentou.

Ele falou sobre América Latina e Estados Unidos.

“Quero discutir qual é o papel dos EUA na América do Sul, se é de ajuda ou ameaça, como está fazendo com o Irã. O que o mundo precisa é de tranquilidade. Vamos gastar nossa energia para acabar com a fome e com a violência contra as mulheres, que cresce em todos os países”, disse Lula ao lembrar que o momento atual é o de maior número de conflitos desde a Segunda Guerra Mundial.

Ele falou sobre a recente decisão da Suprema Corte dos EUA que derrubou o tarifaço de Trump assim como a decisão dele de aplicar uma tarifa global de 15%.

“Eu quero conversar com o Trump pessoalmente, sentar em torno de uma mesa para conversar com muita seriedade sobre a importância da relação civilizada entre Brasil e Estados Unidos. E obviamente que eu não tenho como ficar medindo a decisão da Suprema Corte americana. Não tem como um presidente de outro país julgar a decisão da Suprema Corte. Alguém recorreu, a Corte tomou a decisão. Certamente, ele já tomou novas medidas, alguém vai recorrer, vai ter outra decisão. Da nossa parte, o que nós achamos é que houve um alívio para muitos países que estavam taxados em 50% e 40%. Agora para todo mundo vai ser 15%. Eu estou convencido que na conversa a relação Brasil-Estados Unidos vai voltar à normalidade. Eles têm interesse, nós temos interesse. Se taxar alguns produtos nossos vai causar inflação nos Estados Unidos e vai ser prejudicial ao povo americano. Ele já sabe disso.”, disse.

Nações Unidas e BRICs

O presidente Lula falou aos jornalistas que as Nações Unidas do jeito que está não vai resolver conflitos.

“Nós precisamos ter fóruns para discutir as coisas, porque senão as coisas não mudam. Nós estamos reivindicando há muito tempo a mudança no estatuto da ONU e a mudança no Conselho de Segurança da ONU, dos membros permanentes, mas também a mudança dos países. Precisa ter mais gente no Conselho de Segurança. Não tem nenhum país do continente africano, não tem nenhum da América Latina. Só tem a China, da Ásia.

 

Por que a Índia não está no Conselho de Segurança da ONU? Um país com um bilhão e quatrocentos milhões de seres humanos. Por que o Brasil não está? Por que a Alemanha não está? Por que o México não está? Por que a Nigéria não está? Por que o Egito não está? Você tem muitos países com mais de cem milhões de habitantes que poderiam estar, para quê?

Para mudar. Para a ONU voltar a ter eficácia, a ter representatividade. Porque do jeito que está a ONU, ela tem hoje pouquíssima eficácia. Ela não resolve nenhum problema. É preciso fortalecer a ONU se a gente quer que prevaleça uma instituição de importância vital para a manutenção da paz e da harmonia no mundo. Eu acho que, juntos, esses países em desenvolvimento e os países do Sul Global podem mudar a lógica econômica do mundo.”

O presidente Lula vem focando em acordos como o Mercosul, com a Asean e agora com a Índia, e acabou sendo questionado pelo Brics, que ele tanto tratava.

“O BRICS é um processo de formação de um grupo muito forte. Quase metade da humanidade. O que nós precisamos é ter consciência de que 10 membros do BRICS participam do G20. Por que foi construído o G20? Por conta da crise do subprime causada em 2008. Por que foi criado o BRICS? Por conta das reuniões que a gente fazia com a Índia, com a China e com a Rússia. A gente está dando uma certa cara a um grupo que era marginalizado, que era o chamado pessoal do Sul Global. E nós temos pretensões políticas. Criamos um banco, que é o banco do BRICS. Tudo nosso é muito novo ainda. O que nós queremos é fortalecer um grupo. Quem sabe esse grupo, fortalecido, vai se juntar ao G20 e quem sabe um dia a gente tenha só um grupo, um G30. Eu estou convencido de que o BRICS é um jeito da gente ter o equilíbrio geopolítico no planeta Terra.”, disse.

Ele voltou a negar que se pretenda criar uma moeda para o Brics. “Nunca defendemos criar uma moeda dos BRICS. O que defendemos é fazer comércio com nossas próprias moedas, para reduzir dependências e custos. Os EUA não vão gostar no primeiro momento, mas tudo bem. Vamos debater”, disse.

 

( da redação com informações de agências e assessoria. Edição: Política Real)