31 de julho de 2025
MUNDO

Na abertura da Conferência de Munique, Friedrich Merz fala de processo de “ destruição em que EUA e China buscam hegemonia e defende que a Europa se alie a alguns países, e cita o Brasil

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Por Politica Real com agências
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Friderich Merz em Munique Foto: X do Pravda

Com Agências.  

(Brasília-DF, 13/02/2026)   Nesta sexta-feira, 13, houve a abertura da 62ª Conferência de Segurança de Munique, da qual participam mais de 60 chefes de Estado e de governo,

O chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz (CDU), afirmou na abertura que a ordem mundial baseada em direitos e regras está em processo de "destruição" em um contexto em que Estados Unidos, Rússia e China disputam a hegemonia.

Merz citou a importância de parcerias com países como o Brasil como forma de encontrar um novo caminho na configuração atual do cenário internacional.

"A ordem internacional, baseada em direitos e regras, está prestes a ser destruída. Receio que temos de ser ainda mais claros. Essa ordem, por mais imperfeita que fosse mesmo nos seus melhores momentos, já não existe", disse Merz, fazendo referência ao o slogan desta edição do evento: "Under Destruction" ("sob destruição").

"A Europa [...] terminou um longo período de férias da história mundial. Juntos, cruzamos o limiar de uma era que, mais uma vez, é abertamente marcada pelo poder e, acima de tudo, pela política das grandes potências", acrescentou.

Segundo ele, embora a integração europeia e as parcerias transatlânticas como a Otan sejam "importantes", elas "não vão mais ser suficientes para preservar nossa liberdade".

"O Canadá e o Japão, a Turquia, a Índia e o Brasil vão desempenhar um papel fundamental, assim como a África do Sul, os países do Golfo e outros", disse o chanceler alemão, acrescentando que acordos com essas nações não pressupõem uma "concordância total de todos os valores e interesses".

Recentemente, a Alemanha de Merz vem pressionando o Parlamento Europeu para a conclusão do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, que enfrenta resistências principalmente por parte dos franceses.

Para Merz, a "guerra brutal" contra a Ucrânia e o "revisionismo violento" da Rússia, aliada à pretensão global da China de moldar o mundo e à postura dos EUA sob Donald Trump são exemplos de uma nova política no mundo que ele classificou como "brincadeira perigosa".

"Se houve um momento unipolar na história após a queda do Muro de Berlim, ele já passou há muito tempo", resumiu.

Diferenças com os EUA de Trump

Ao discursar nesta sexta, Merz evocou uma fala do vice-presidente dos EUA, JD Vance, que em 2025 disse, no mesmo evento, haver uma "fenda" entre Estados Unidos e Europa. "Ele [Vance] estava certo na descrição. A luta cultural do movimento MAGA nos EUA não é a nossa", disparou o chanceler, reconhecendo as diferenças ideológicas e políticas em relação ao governo do republicano.

"A liberdade de expressão termina aqui quando essa expressão se volta contra a dignidade humana e a Constituição. E não acreditamos em tarifas e protecionismo, mas sim no livre comércio. E mantemos nosso compromisso com os acordos climáticos e as organizações mundiais de saúde, porque estamos convencidos de que só juntos poderemos resolver os desafios globais. Agora, a parceria transatlântica aparentemente deixou de ser algo dado como óbvio. Primeiro nos Estados Unidos, depois aqui na Europa e, provavelmente, também aqui nesta sala", continuou Merz.

Apesar das tensões entre EUA e Europa, o chanceler afirmou que a relação entre ambos não está perdida. Mudando do alemão para o inglês, ele se dirigiu aos "amigos americanos" e ponderou que, numa era de "rivalidade entre grandes potências", "nem mesmo os Estados Unidos serão poderosos o suficiente para agir sozinhos".

"Fazer parte da Otan não é apenas uma vantagem competitiva para a Europa. É também uma vantagem competitiva para os Estados Unidos. Portanto, vamos reparar e reviver juntos a confiança transatlântica. A Europa está fazendo sua parte".

E arrematou: "Autocracias podem ter seguidores, democracias têm parceiros e aliados".

A conferência de Munique, que anualmente reúne os principais atores da segurança global, terá, neste ano, a presença de Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, que discursa neste sábado (14/02).

Nesta sexta, Rubio se reuniu com Merz e com o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, separadamente. A agenda do americano inclui ainda encontros com a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, e o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen.

As relações de Trump com os europeus têm andado tensas desde que o americano passou a insistir mais agressivamente  em assumir o controle da Groenlândia.

(da redação com ap, afp, dpa, ots, DW. Edição: Política Real. )