Governo da Rússia fez bloqueio integral do aplicativo WhatsApp no país; Sergey Lavrov disse que Ocidente conduz uma "guerra informacional" contra todos os Estados que adotam uma política "independente e soberana"
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(Brasília-DF, 12/02/2026) Nesta quinta-feira, 12, o governo da Rússia confirmou o bloqueio integral do aplicativo de mensagens WhatsApp no país. De acordo com o Kremlin, a medida foi tomada porque o software da gigante americana Meta não estaria cumprindo com a legislação local.
"Devido à recusa da Meta de seguir a lei russa, essa decisão foi tomada e implementada", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, sugerindo que a população do país substitua o WhatsApp pelo Max, aplicativo de mensagens do governo da Rússia.
"O Max é uma alternativa acessível, um serviço de mensagens em desenvolvimento, um aplicativo de mensagens nacional, e está disponível no mercado para os cidadãos como alternativa", acrescentou Peskov.
Críticos afirmam que o Max seria uma ferramenta de espionagem, o que as autoridades russas negam. Fornecida pela gigante russa de tecnologia VK, o software não oferece, por exemplo, a encriptação total nas conversas.
Na quarta-feira à noite, o WhatsApp já havia denunciado, na rede social X, uma tentativa do governo da Rússia de "bloquear completamente" os serviços "de forma a obrigar as pessoas a utilizar uma aplicação de vigilância estatal", referindo-se ao Max.
Sanções também ao Telegram
A medida contra o WhatsApp, o aplicativo de mensagens instantâneas mais popular da Rússia, é o resultado de uma longa pressão sobre a Meta, que já havia sido designada como uma organização extremista dentro da Rússia.
"Tentar privar mais de 100 milhões de usuários de comunicação privada e segura é um retrocesso que só pode reduzir a segurança das pessoas na Rússia", acrescentou a empresa de Mark Zuckerberg. A meta também controla as redes sociais Facebook e Instagram.
Domínios associados ao WhatsApp desapareceram do registro nacional russo, o que significa que os dispositivos dentro do país deixaram de receber os endereços IP do aplicativo e só podem ser acessados usando uma rede privada virtual (VPN).
Nesta semana, a Roskomnadzor, agência de regulação russa, também reduziu a velocidade do aplicativo Telegram, acusando-o de violar a lei do país. A Anistia Internacional classificou a decisão como um ato de censura, tal como o fundador do Telegram, o russo Pavel Durov.
No verão passado, a Rússia já havia proibido os usuários de fazerem chamadas telefônicas através do Telegram e do WhatsApp.
Versão. oficial
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, afirmou em Moscou, que o Ocidente conduz uma "guerra informacional" contra todos os Estados que adotam uma política "independente e soberana", defendendo o fortalecimento da cooperação midiática para enfrentar o que classificou como tentativas de distorcer a realidade no cenário internacional.
Segundo Lavrov, em meio ao que descreveu como uma ofensiva informativa desencadeada por países ocidentais, torna-se essencial ampliar a coordenação na esfera da comunicação. Ele ressaltou que diversos veículos russos já atuam em Burkina Faso e em países vizinhos e propôs a definição de "passos práticos" para intensificar esse trabalho e "levar a verdade sobre nossas abordagens à opinião pública mundial".
O chanceler russo destacou que a agenda bilateral com Uagadugu inclui também cooperação nas áreas militar e técnico-militar, combate ao terrorismo e aprofundamento dos laços econômicos, inclusive por meio da ativação da Comissão Intergovernamental de Cooperação Comercial e Econômica.
Lavrov agradeceu ainda o apoio de Burkina Faso às iniciativas russas em organismos multilaterais, especialmente na ONU, e qualificou como "equilibrada, objetiva e honesta" a posição do país africano em relação à crise ucraniana.
( da redação com EFE, DPa, DW, RR News. Edição: Política Real)