31 de julho de 2025
UNIÃO EUROPEIA X ESTADOS UNIDOS

Europeus reagem a ameaça tarifária dos EUA para ter Groelândia e podem apresentar plano de contratarifas de 93 bilhões de euros

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Por Politica Real com agências
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União Europeia considera medidas de Trump como "intimidação" Foto: Arquivo da Política Real

Com agências

(Brasília-DF, 19/01/2026). Nesse domingo, 18, a União Europeia (UE) realizou uma reunião emergencial de seus embaixadores em Bruxelas após o anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que pretende aplicar tarifas extras a oito países europeus para forçar a compra da Groenlândia.   Os representantes europeus decidiram reagir pedindo medidas retaliatórias inéditas contra o que foi descrito por diversos líderes como "intimidação".

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, também decidiu convocar uma cúpula extraordinária dos líderes do bloco, que deve ocorrer na quinta-feira.

Seis dos oito países que entraram na mira de Trump – Alemanha, França, Holanda, Dinamarca, Suécia e Finlândia – são membros da União Europeia. O Reino Unido e a Noruega também serão taxados.

De acordo com o presidente americano, uma sobretaxa de 10% entrará em vigor no início do próximo mês contra essas nações. A tarifa subirá para 25% em junho se não houver acordo para que os Estados Unidos assumam o controle da ilha ártica.

Segundo diplomatas da UE ouvidos por agências embaixadores do bloco europeu chegaram a um acordo no domingo para intensificar os esforços diplomáticos a fim de dissuadir Trump da medida, mas também preparam instrumentos retaliatórios caso as tarifas avancem.

As opções do bloco incluem um pacote de contratarifas sobre 93 bilhões de euros (R$ 580 bilhões) em importações dos Estados Unidos, além de uma gama de medidas inéditas previstas no chamado "instrumento anticoerção", que poderiam atingir também o comércio de serviços e investimentos americanos.

Os representantes concordaram em aguardar até 1º de fevereiro para avaliar se as sanções de Washington de fato serão impostas, segundo a Reuters.

Pacote de contratarifas pode afetar aviões, carros e soja

A imposição do pacote de 93 bilhões de euros em contratarifas já havia sido aprovada em julho do ano passado, também durante um conflito tarifário com os Estados Unidos. Na ocasião, o bloco concordou em aplicar as sanções como retaliação à retórica de Trump, que ameaçava impor tarifas abrangentes a diversos países, incluindo os membros da UE.

Sua implementação acabou sendo suspensa após a UE fechar um acordo com Washington, que estabeleceu uma tarifa de 15% para produtos europeus entrarem nos EUA.

O jornal britânico Financial Times também informou que essa é a primeira opção discutida pelos europeus neste domingo. Se for mantido o mesmo modelo de retaliação preparado no ano passado, o pacote poderia afetar produtos americanos como aeronaves, automóveis, autopeças e produtos agrícolas como a soja.

Segundo o jornal, a possibilidade de retaliação dá poder de negociação aos líderes que participarão do Fórum Econômico Mundial, em Davos. A medida, que ainda precisaria ser formalmente acatada pelos membros do bloco, entraria em vigor em 6 de fevereiro.

França pressiona por mecanismo anticoerção

Segundo a imprensa francesa, o presidente da França, Emmanuel Macron, também pressiona nos bastidores para que a UE ative um mecanismo retaliatório mais duro e jamais utilizado, o chamado "instrumento anticoerção". De acordo com o jornal britânico The Guardian, o presidente da comissão de comércio do Parlamento Europeu, Bernd Lange, também apoia a medida, cujo uso não foi descartado pelo bloco.

Conhecido como "bazuca comercial", o instrumento permite que a UE adote medidas de retaliação quando houver pressão econômica para forçar decisões políticas. Ele foi criado para proteger o bloco de medidas comerciais da China, mas agora pode ser usado, por exemplo, para barrar grandes empresas de tecnologia americanas de prestarem serviços na Europa.

Também poderia ser aplicado para controles de exportação, restrições à propriedade intelectual e aos fluxos de investimento, além do bloqueio de acesso ao mercado único da UE.

O uso da ferramenta, que já havia sido aventado pela França em 2025, seria considerado drástico, uma vez que pode acentuar as tensões com Washington e levar a uma escalada comercial sem precedentes.

( da redação com DW, AP, DPA, Edição: Política Real)