31 de julho de 2025
Brasil e Economia

ECONOMIA: Déficit no balanço de pagamentos foi de US$8,8 bilhões em fevereiro de 2025, mas as reservas internacionais aumentaram em fevereiro, informa estatísticas do BC

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( Publicada originalmente às 08h 46 do dia 26/03/2025) 

( reeditado) 

(Brasília-DF, 27/03/2025)_Na manhã desta quarta-feira, 26, o Banco Central divulgou as Estatísticas do Setor Externo com os dados atualizados até fevereiro de 2025.

As transações correntes do balanço de pagamentos foram deficitárias em US$8,8 bilhões em fevereiro de 2025, ante déficit de US$3,9 bilhões em fevereiro de 2024. O número foi menor do que estimava o mercado.

Na comparação interanual, o superávit comercial recuou US$5,4 bilhões, enquanto o déficit em serviços permaneceu estável e o déficit em renda primária recuou US$526 milhões. O déficit em transações correntes nos doze meses encerrados em fevereiro de 2025 somou US$70,2 bilhões (3,28% do PIB), ante US$65,3 bilhões (3,03% do PIB) no mês anterior e US$23,9 bilhões (1,07% do PIB) em fevereiro de 2024.

O déficit da balança comercial de bens atingiu US$979 milhões em fevereiro de 2025, ante superávit US$4,4 bilhões em fevereiro 2024. As exportações de bens totalizaram US$23,2 bilhões e as importações de bens, US$24,1 bilhões, influenciadas pela importação de uma plataforma de petróleo no valor de US$2,7 bilhões. Na comparação com fevereiro de 2024, as exportações diminuíram 1,8% e as importações aumentaram 25,7%.

O déficit na conta de serviços totalizou US$3,9 bilhões em fevereiro de 2025, aumento de US$40 milhões em relação a fevereiro de 2024. Nessa base de comparação, aumentaram as despesas líquidas de transportes, 35,6%, totalizando US$1,2 bilhão; de telecomunicação, computação e informações, 42,2%, acumulando US$698 milhões; e de aluguel de equipamentos, 20,4%, totalizando US$1,0 bilhão. As despesas líquidas com viagens internacionais aumentaram 9,1%, para US$754 milhões, resultado dos aumentos tanto de despesas, 15,6% (para US$1,6 bilhão), quanto de receitas, 22,2% (para US$823 milhões). Na mesma base de comparação, houve redução na despesa líquidas de serviços culturais, pessoais e recreativos, 89,1%, totalizando US$31 milhões; e aumento nas receitas líquidas de outros serviços de negócios, 133,7%, para US$416 milhões; e de demais serviços, 147,8%, acumulando US$147 milhões.

O déficit em renda primária somou US$4,1 bilhões em fevereiro de 2025, redução interanual de 11,4%. As despesas líquidas de lucros e dividendos, associadas aos investimentos direto e em carteira, totalizaram US$2,2 bilhões, ante US$3,2 bilhões em fevereiro de 2024. As despesas líquidas com juros somaram US$1,9 bilhão, 35,3% superiores às de fevereiro de 2024, US$1,4 bilhão.

Os investimentos diretos no país (IDP) registraram ingressos líquidos de US$9,3 bilhões em fevereiro de 2025, ante US$5,3 bilhões em fevereiro de 2024. Houve ingressos líquidos de US$5,6 bilhões em participação no capital e de US$3,7 bilhões em operações intercompanhia. O IDP acumulado em 12 meses totalizou US$72,5 bilhões (3,38% do PIB) em fevereiro de 2025, ante US$68,5 bilhões (3,18% do PIB) em janeiro de 2025 e US$64,6 bilhões (2,89% do PIB) em relação a fevereiro de 2024.

Os investimentos em carteira no país somaram US$3,1 bilhões em fevereiro de 2025, comparados a saídas líquidas de US$4,8 bilhões em janeiro de 2025. Os investimentos em ações e fundos de investimento no mercado doméstico acumularam ingressos líquidos de US$1,0 bilhão.  Os investimentos em títulos no mercado doméstico totalizaram, no mês, ingressos líquidos de US$48 milhões, comparados a saídas líquidas de US$2,4 bilhões no mês anterior.  No mercado externo, destacou-se a emissão de US$2,5 bilhões de título soberano. Nos doze meses encerrados em fevereiro de 2025, os investimentos em carteira no mercado doméstico somaram saídas líquidas de US$4,4 bilhões.

Reservas internacionais

​As reservas internacionais somaram US$332,5 bilhões em fevereiro de 2025, aumento de US$4,2 bilhões em relação a janeiro de 2025. Contribuíram para aumentar o estoque de reservas as variações por preços, US$1,9 bilhão, por paridades, US$521 milhões, os desembolsos de organismos internacionais, US$604 milhões, e as receitas de juros, US$661 milhões.

Revisão extraordinária das estatísticas do setor externo: Censo de Capitais Estrangeiros no País (Censo) e Posição de Investimento Internacional (PII)

A Política de Revisão das Estatísticas Econômicas Oficiais Compiladas pelo Departamento de Estatísticas (DSTAT) do Banco Central do Brasil (3ª edição, de junho de  2023) prevê revisões metodológicas em casos de melhorias na metodologia de estimação de variáveis específicas e revisões extraordinárias quando da disponibilização extraordinária de dados, adoção de novas fontes de informações e consequentes atualizações no processo de compilação.

Nesta divulgação foi revisado o estoque de IDP – Participação no capital a partir de novas validações sobre informações declaradas por empresas de investimento direto no Brasil, ao Censo de Capitais Estrangeiros no País, ano-base 2023. Foram revistas estatísticas de valor das empresas, país do investidor final e setor de atividade econômica, com as novas séries disponíveis nas tabelas Investimento direto no país (IDP) – Posição, publicadas na página do BCB, em Estatísticas >> Tabelas Especiais.

​O estoque de IDP – Participação no capital referente a dezembro de 2023 foi revisado de US$1,1 trilhão para US$1,0 trilhão, redução de US$32,6 bilhões (-3,1%). A revisão impactou as posições subsequentes, estimadas para o ano de 2024. Adicionalmente, foram incorporadas informações revistas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para os estoques de passivos em ações e títulos negociados no país ao longo de 2024. Nos ativos, as posições de junho e setembro de 2024 foram atualizadas com os dados coletados nas pesquisas trimestrais de capitais Brasileiros no Exterior (CBE) das mesmas datas. Dessa forma, a PII líquida de dezembro de 2024 somou passivo líquido de US$750,2 bilhões (-34,4% do PIB), US$34,1 bilhões abaixo do publicado na Nota anterior.

( da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)