31 de julho de 2025
MERCADOS

Bolsa do Brasil face a incerteza nacional aliado ao resultado da prévia a inflação, mas dólar continua abaixo de R$ 5,00

O clima de aversão a risco não chegou a favorecer o dólar, que ficou estável contra o real, cotado a R$ 4,98

Por Politica Real com agências
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Mercados globais Foto: Arquivo da Política Real

Com agências.

(Brasília-DF, 28/04/2026). Nesta terça-feira, 28, o Ibovespa fechou em queda de 0,51% aos 188.619 pontos – seu quinto pregão consecutivo de perdas. O principal índice da B3 acompanhou o clima de incerteza nos mercados globais com a indefinição sobre a guerra no Oriente Médio, enquanto um indicador de prévia da inflação mostrou os efeitos do conflito nos preços.

O clima de aversão a risco não chegou a favorecer o dólar, que ficou estável contra o real, cotado a R$ 4,98.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) avançou menos do que o esperado no início de abril, com alta de 0,89% em relação ao mês anterior – abaixo da mediana de 0,98% das estimativas de economistas consultados pela Bloomberg.

Ainda assim, o conflito no Oriente Médio levanta dúvidas sobre até que ponto o Banco Central pode continuar reduzindo os juros no Brasil.

IPCA

IPCA-15 de abril veio em 0,89% na margem e +4,37% no acumulado dos últimos 12 meses. O número veio abaixo do piso das expectativas de mercado, em +0,90% (com mediana em +0,99%), e da nossa projeção, em +0,96%.

Entre os grupos de maior atenção, destaca-se alimentação no domicílio, que manteve movimento de alta semelhante ao registrado no mês de março, agora atingindo +1,77%. A aceleração do agrupamento partiu principalmente do grupo in natura – em especial tubérculos, raízes e legumes, que atingiram +11,80%, impulsionados pelo tomate – e do grupo de leite e derivados, com destaque para o leite longa vida (+16,33%), que por ser um dos itens de alta sensibilidade à guerra, permanece em aceleração. Transportes (+1,34%) também pressionaram o índice, impulsionados pelo salto de +6,23% na gasolina e de +16,00% no diesel; em contraponto, passagem aérea desviou de nossa projeção ao cair para -14,32%, frente a +5,94% em março – esse movimento foi o principal responsável por conter o índice de Transportes, compensando parte do choque dos combustíveis. Também houve movimento altista no grupo de Saúde e cuidados pessoais (+0,93%), em razão principalmente do reajuste anual dos medicamentos, com produtos farmacêuticos atingindo +1,16%. No mesmo sentido, higiene pessoal se acelerou para +1,32%, acima de nossa projeção. Do mesmo modo, o grupo Habitação acelerou na margem (+0,42%), pressionado predominantemente por energia elétrica (+0,68%) e combustíveis domésticos (+0,95%).

Único grupo a se arrefecer, Despesas Pessoais registrou +0,32%, frente a +0,82% do mês anterior, por conta da alta mais suave de serviço bancário (+0,37%) e da estabilidade de recreação (0,00%).

Os serviços subjacentes se desaceleraram menos do que projetávamos, para 0,45%, devido à surpresa de alimentação fora do domicílio, que subiu 0,70%; quanto à composição do agrupamento, houve altas mais fracas de serviço bancário, cinema, cabelereiro e conserto de automóvel, ao passo que seguro voluntário de veículo reverteu a queda observada no mês anterior. A média móvel de três meses dessazonalizada e anualizada dos serviços subjacentes se acelerou pelo segundo mês seguido, de +5,07% para +5,75%. Os bens industriais subjacentes também surpreenderam, com altas mais fortes dos aparelhos eletroeletrônicos (+1,06%) e de automóvel novo (+0,43%). No mesmo sentido, a média dos cinco núcleos acompanhados pelo BC, também na média móvel de três meses dessazonalizada e anualizada, acelerou de +4,51% para +5,03%, e deu continuidade à sua trajetória altista iniciada no final de 2025. Na margem, a média dos núcleos ficou acima do esperado (+0,44% MoM e +4,30% YoY).

Quanto ao acompanhamento de itens afetados pela Guerra no Irã, os itens mais sensíveis ao conflito subiram +0,66%, frente a +0,42% no IPCA-15 de março.

Em síntese, a surpresa baixista do IPCA-15 de abril foi concentrada em itens voláteis, como passagem aérea e alimentos in natura. Entretanto, a leitura qualitativa permanece ruim, com pressão ainda intensa de serviços ligados ao mercado de trabalho (como serviços médicos e alimentação fora do domicílio), além de bens duráveis, especialmente automóveis e itens de informática, que não refletiram a valorização recente do câmbio.                                   A maioria do mercado está projetando 4,85% para 2026, com risco de aproximação de 5,2%, a depender da duração da Guerra no Irã, e 4,0% para 2027.

( da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)