Fernando Haddad, ao falar de controle de gasto público e visão do mercado, disse que às vezes está passando um elefante e o mercado não está enxergando
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( Publicada originalmente às 11h 45. do dia 08h 51 do dia 24/03/2025)
(Brasília-DF, 25/03/2024) Também no evento seminário “Rumos 2025”, realizado presencialmente em São Paulo(SP), organizado pelo jornal “Valor Econômico” em um hotel, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que o atual Governo tem tomado providências e adotado práticas que reduzem os gastos públicos e dão mais eficácia aos investimentos. Entretanto, operadores do mercado financeiro não conseguem enxergar, porque isso "não está no radar" da Faria Lima.
"Às vezes, uma pessoa que está em uma mesa de operações (financeiras) funciona muito por impulso. E ela só vê as coisas que ela conhece. E às vezes está passando um elefante e (o operador) não está enxergando", afirmou Haddad.
Para sintetizar os limites do campo de visão desses operadores, Haddad lembrou que o mercado financeiro errou em R$ 80 bilhões (para mais) as previsões para o déficit primário do Governo Federal no ano passado. O ministro destacou ainda que essa previsão superlativa foi feita antes dos graves problemas climáticos enfrentados pelo Rio Grande do Sul, que exigiram dispêndio inesperado de recursos por parte da União. E que, mesmo assim, o superávit real foi melhor do que o imaginado: déficit real de 0,1% do PIB, contra 0,8% do previsto pelo mercado.
Ao responder pergunta sobre o grau de exigência que o Governo impõe sobre si no controle de gastos – se buscaria em 2025 atingir o centro da meta de resultado primário ou se contentaria com o limite de 0,25% da banda proposta pelo arcabouço fiscal –, Haddad usou novamente como exemplo o resultado do ano passado: "Se eu tivesse gastado R$ 17 bilhões a mais, eu ainda estaria dentro da banda". Segundo ele, o objetivo é perseguir a meta cheia.
Ao citar resultados de medidas que o Governo tem adotado, Haddad destacou que a atual gestão retirou R$ 1,5 trilhão da lista de riscos previsíveis de gastos extras oriundos de decisões judiciais pendentes. "Na Faria Lima, ninguém vai notar isso", observou. Essa lista compõe anexo da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).
Em 2019, o gasto médio do Governo em comparação ao PIB era de 19,5% do PIB. "No ano passado, mesmo considerando as despesas com o Rio Grande do Sul, o gasto foi de 18,7%. Tiramos quase 1% do PIB", afirmou o ministro da Fazenda. Haddad reclamou do tom alarmista adotado por setores da mídia e pelo mercado financeiro para tratar do Governo Lula. Em 2018, lembrou, o déficit primário do Governo Federal fechou em 1,7% do PIB. "E ninguém dizia que o Brasil ia quebrar por causa disso", lembrou.
Para ilustrar a diferença de tratamento e reafirmar a espécie de cegueira seletiva do mercado financeiro, o ministro destacou ainda o rombo aberto nas contas públicas por ocasião da derrota do Governo Temer na chamada "tese do século". Haddad considera que a derrota daquela gestão no STF foi falta de empenho ou de preparo da equipe econômica. Em março de 2017, o STF julgou e decidiu pela exclusão do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) da base de cálculo do PIS/Cofins.
"Quando a tese do século foi julgada, abriu-se um rombo de R$ 1 trilhão, e os indicadores de dólar e de juros não mudaram. Como isso é possível", questionou. Haddad disse que já fez essa pergunta a vários economistas que trabalhavam em operadoras financeiras naquela época, e que nunca obteve resposta convincente. Seria a tal cegueira do mercado financeiro, portanto.
( da redação com Agência Gov. Edição: Política Real)