31 de julho de 2025
Mundo e Poder

Tribunal turco manda prender opositor de Recep Tayyip Erdogan por corrupção; prefeito de Istambul seria candidato a presidente contra Erdogan

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( Publicada originalmente às 21h 10 do dia 23/03/2025) 

Com agências.

(Brasília-DF, 24/03/2025)   Neste domingo, 23, o Ministério do Interior da Turquia anunciou que está suspendendo do cargo o prefeito de Istambul, Ekrem Imamoglu, principal opositor do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.

Um tribunal deteve formalmente, neste domingo, e, seguida o Ekrem Imamoglu ordenou a sua prisão como medida de coação até o resultado de um julgamento contra Imamoglu acusado de corrupção.

Imamoglu foi detido na quarta-feira, pela madrugada em sua residência acusado de corrupção. A sua detenção suscitou protestos generalizados em toda a Turquia.

Centenas de apoiantes do presidente da Câmara de Istambul, Ekrem Imamoglu, reuniram-se no sábado à porta do tribunal, onde este estava sendo interrogado sobre alegações de corrupção e ligações terroristas.

Imamoglu deverá se tornar oficialmente o candidato presidencial do maior partido da oposição - o Partido Republicano do Povo (CHP) - no domingo, nas primárias do partido

A detenção de Imamoglu, que assumiu o cargo de prefeito de Istambul em 2019 e renovou o mandato em 2024, causou grande revolta, já que sua legenda, o social-democrata Partido Republicano do Povo (CHP), o havia indicado como candidato para a próxima eleição presidencial para enfrentar Erdogan.

Neste sábado, mais de 300 pessoas foram presas durante as manifestações.

Votação primária

İmamoğlu teve sua prisão preventiva decretada no mesmo dia em que 1,5 milhão de membros do CHP realizaram uma votação primária, destinada a endossar oficialmente sua candidatura à presidência. O prefeito de Istambul é o único candidato presidencial do partido, transformando a votação em uma demonstração simbólica de apoio.

Em uma declaração publicada na rede X, o ministério disse que, como uma "medida temporária", estava suspendendo Imamoglu como prefeito de Istambul.

Imamoglu é acusado de registro ilegal de dados pessoais, suborno, fraude em licitações e suporte de organização terrorista (devido a um acordo eleitoral entre o CHP e um partido pró-curdo que as autoridades acusam de ter vínculos com o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), considerado um grupo terrorista por Ancara.

A oposição acredita que as incriminações são forjadas com o intuito de afastar da política o opositor de Erdogan.

O CHP convidou novamente seus partidários a se manifestarem na noite deste domingo, como no passado, em frente à prefeitura de Istambul, onde cerca de 50 mil pessoas se reuniram no sábado para exigir a libertação do prefeito.

"Golpe contra a democracia"

Imamoglu pediu à nação que resista ao que ele chamou de "golpe contra a democracia".

"Querida nação, nunca perca a esperança. Juntos, desmantelaremos esse golpe contra nossa democracia, essa mancha negra", escreveu Imamoglu em uma mensagem na rede social X, a primeira desde que sua prisão preventiva foi anunciada.

Cerca de 90 pessoas foram presas na quarta-feira, incluindo dois prefeitos de distritos de Istambul que foram detidos por “corrupção” e "terrorismo".

Ambas as autoridades eleitas são membros do CHP, um partido social-democrata e secular fundado por Mustafa Kemal, o pai da República Turca.

O CHP tem 134 assentos no Parlamento, em comparação com os 272 do AKP de Erdogan, e nas eleições locais de março de 2024 ganhou 35 das 81 capitais de província, 11 a mais do que o AKP. Venceu na maioria das grandes cidades, como Ancara, a capital, Izmir, Antalya e a grande cidade industrial de Bursa.

Erdogan acusa a oposição de incitar ao caos

Erdogan discursou durante o Iftar - a refeição que se come para quebrar o jejum durante o mês sagrado muçulmano do Ramadão - contra os protestos que se realizaram em todo o país nos últimos quatro dias para exigir a libertação de Imamoglu.

O presidente turco acusou a oposição de tentar criar "uma atmosfera de tensão e caos".

"Penso que vale a pena recordar mais uma vez que os dias em que se saía para a rua, levando consigo organizações de esquerda, extremistas e vândalos e ameaçando a vontade nacional já passaram", disse Erdogan.

"Os dias em que a política e a justiça eram dirigidas através do terror de rua pertencem agora completamente ao passado, juntamente com a velha Turquia."

(da redação com DW, Euro News, AP, EFE. Edição: Política Real)