Lula cumpre agenda no Japão e no Vietnã em momento especial de “tarifaços” dos Estados Unidos em muitos países
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( Publicada originalmente às 14h 05 do dia 22/03/2025)
(Brasília-DF, 24/03/2025) Por toda a semana que começa no dia 24 e vai até o dia 29 de março, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva irá cumprir agenda no oriente. Ele terá a companhia, como convidados, os chefes do Legislativo, o deputado Hugo Motta, presidente da Câmara, e o senador Davi Alcolumbre, presidente do Senado. A visita aos dois países se dá num momento de verdadeira guerra comercial surgida no Mundo a partir da decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aplicar um tarifaço em muitos países,
Lula viaja a Tóquio, no Japão, de 24 a 27 de março, e a Hanói, no Vietnã, nos dias 27 a 29 de março. É a quinta vez que o presidente brasileiro visita o Japão e a segunda visita de Lula ao Vietnã.
O Brasil tem a maior população nipodescendente fora do Japão, estimada em mais de 2 milhões de pessoas, e o Japão abriga a 5ª maior comunidade brasileira no exterior, com cerca de 211 mil nacionais. Os dois países mantêm Parceria Estratégica e Global que completa uma década em agosto deste ano.
Em 2025, comemoram-se também os 130 anos das relações diplomáticas Brasil–Japão. As relações entre os países foram estabelecidas em 1895, com a assinatura do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação. O acordo permitiu abertura recíproca de representações diplomáticas em 1897 e abriu caminho para o início da imigração japonesa, em 1908.
"O Japão é uma grande economia, nosso mais tradicional parceiro na Ásia e é a nona origem de investimentos estrangeiros no Brasil, com um estoque de US$35 bilhões de investimentos nos últimos três anos. O objetivo da visita é dar impulso a setores prioritários, além de novos setores na relação. A gente tem como base essa boa relação de vínculos humanos, econômicos, mas queremos avançar. Uma das nossas expectativas é a abertura do mercado japonês para produtos brasileiros, especialmente carne bovina e suína in natura", destacou o embaixador Eduardo Saboia, secretário de Ásia e Pacífico do Ministério das Relações Exteriores, em conversa com jornalistas .
Saboia explicou que há expectativa de avançar na discussão das relações entre Mercosul e Japão.
"Além disso, estamos abertos às questões relacionadas à atração de investimentos. Existe uma complementaridade entre as economias, existem grandes oportunidades para investidores japoneses, que já conhecem o Brasil, para ampliar as parcerias público-privadas", pontuou.
Desde 2014, os dois países mantêm Parceria Estratégica e Global, marcada pelos tradicionais vínculos humanos, pelo interesse em aprofundar a cooperação em Ciência, Tecnologia & Inovação, pela importância dos fluxos bilaterais de comércio e investimentos e pela ativa cooperação em temas internacionais, inclusive no âmbito do G4, onde, junto com Alemanha e Índia, defendem a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU). O principal mecanismo político entre os países é o Diálogo de Chanceleres, estabelecido em 2014, com previsão de encontros anuais. A mais recente edição do Diálogo ocorreu em 2023, em Brasília.
O Japão, quarta maior economia do mundo, é um dos maiores investidores no Brasil. Os investimentos japoneses são diversificados e incluem setores como o automotivo, de materiais elétricos e siderurgia.
Visita de Estado
No país, Lula terá programação de visita de Estado. Será recebido pelo imperador e terá uma reunião de trabalho com o primeiro-ministro japonês, Shigeru Ishiba. Haverá ainda um evento empresarial no Hotel New Otani, realizado pelo Itamaraty com o apoio da Confederação Nacional da Indústria (CNI), com participação de 500 empresários. "Serão empresários do setor de alimentos, agronegócio, aeroespacial, bebidas, energia, logística e siderurgia, entre outros. E há previsão de assinatura de atos em diversas áreas, tanto no setor público como também no setor privado, na área de ciência e tecnologia, combustível sustentável, educação, pesca, recuperação de pastagens, entre outros", afirmou o embaixador.
Em 2024, Brasil e Japão registraram intercâmbio comercial de US$11 bilhões, com superávit brasileiro de US$146,8 milhões. O Brasil exporta carne de aves (frescas ou congeladas), alumínio, carne suína, celulose, café não torrado e minério de ferro, entre outros produtos. Já as importacões do Brasil são compostas por partes e acessórios de veículos automotivos, instrumentos e aparelhos de medição, motores de pistão e demais produtos da indústria de transformação.
Vitnã
Logo em seguida, o presidente Lula realiza visita oficial ao Vietnã, com intuito de estreitar a parceria estratégica, o diálogo político e a cooperação econômica entre os dois países.
"É o segundo país do Sudeste Asiático a se formar parceiro estratégico do Brasil. Nós estamos negociando um plano de ação para implementar essa parceria e a ideia é que esse plano de ação seja adotado durante a visita", relatou Saboia. A visita terá por objetivo definir ações e iniciativas conjuntas para implementar a Parceria Estratégica entre os dois países, anunciada em 17 de novembro de 2024, quando o presidente Lula e o primeiro-ministro do Vietnã, Pham Minh Chin, se reuniram à margem da Cúpula do G20, no Rio de Janeiro.
A elevação das relações diplomáticas com o Vietnã ao nível de Parceria Estratégica possibilitará aprofundar o diálogo político, reforçar a cooperação econômica, intensificar o fluxo de comércio e os investimentos, fortalecer a coordenação em temas da agenda multilateral e impulsionar novas iniciativas de cooperação.
Em 2024, Brasil e Vietnã registraram intercâmbio comercial de US$7,7 bilhões, com superávit brasileiro de US$415 milhões. O Vietnã consolidou-se como o quinto destino global das exportações do agronegócio brasileiro e se destaca como um dos principais produtores mundiais de café, arroz e produtos eletrônicos, setores nos quais há potencial para ampliar a cooperação bilateral. "O comércio passou de US$500 milhões para quase US$8 bilhões. E a ideia é chegar a uma meta de US$15 bilhões em 2025", ressaltou o embaixador.
(da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)