31 de julho de 2025
Brasil e Poder

Depois que Trump disse que poderia tomar de conta das usinas de energia da Ucrânia, Zelensky disse que elas pertencem ao povo ucraniano

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( Publicada originalmente às 17h 22 do dia 20/03/2025) 

Com agências.

(Brasília-DF, 21/03/2025). Nesta quinta-feira, 20, um dia após receber uma proposta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para entregar as usinas de energia de seu país aos Estados Unidos, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenski, descartou a ideia alegando que a infraestrutura pertence ao povo ucraniano.

"Não vamos discutir isso. Temos 15 usinas nucleares em operação hoje. Tudo isso pertence ao nosso Estado", afirmou Zelenski a jornalistas durante viagem a Oslo, na Noruega.

Segundo o presidente ucraniano, Trump e ele teriam conversado apenas sobre Zaporíjia, que está sob controle da Rússia desde o início do conflito, em 2022. o líder ucraniano sinalizou disposição de discutir um acordo nesse caso, mas negou que a questão de "propriedade" tenha sido abordada.

"O presidente [Trump] me perguntou se a percepção era de que os EUA poderiam restaurá-la, e eu disse que sim, se pudermos modernizá-la, investir dinheiro. Se eles quiserem pegar de volta dos russos, se quiserem modernizá-la, investir – essa é uma questão diferente, é uma questão em aberto, podemos conversar a respeito."

Na quarta-feira, Trump havia dito a Zelenksi por telefone que os EUA poderiam ser "muito úteis em administrar as fábricas" e que torná-las "propriedade americana" poderia ser a melhor forma de protegê-las, segundo um comunicado da Casa Branca divulgado após a conversa.

Zelenski afirma que levaria dois anos e meio para restaurar Zaporíjia, a maior usina nuclear da Europa. "Vamos entregá-la aos EUA com base em quê? Eles vão comprá-la? Vão assumi-la como uma concessão?", indagou uma fonte do governo de Kiev citada pela agência Reuters, dizendo haver "muitas perguntas" em aberto.

A retomada de Zaporíjia – que antes da guerra gerava 20% da energia ucraniana –  poderia fazer diferença na rede de energia não só ucraniana quando em toda a Europa central, segundo o analista de energia ucraniano Oleksandr Kharchenko. Até agora, Moscou não teria conseguido conectar a usina à rede de energia russa, deixando-a ociosa.

O telefonema entre Trump e Zelenski ocorreu como parte das tratativas para fazer avançar um acordo de cessar-fogo parcial entre Ucrânia e Rússia, que prevê a suspensão, por 30 dias, de ataques à infraestrutura de energia.

Segundo Zelenski, negociadores de EUA e Ucrânia devem se encontrar na próxima segunda-feira na Arábia Saudita para continuar as conversas, que ele quer que incluam ainda uma trégua nos ataques à infraestrutura portuária e ferroviária. Na sequência, representantes da Casa Branca devem sentar-se com Moscou. Russos e ucranianos, por ora, não estarão à mesma mesa.

A princ;ioio, a Ucrânia havia concordado com um cessar-fogo incondicional de 30 dias, conforme proposto pelos EUA. A proposta acabou descartada diante das objeções de Vladimir Putin.

Na União Europeia, líderes do bloco reunidos nesta quinta-feira em Bruxelas, Bélgica, criticaram o ritmo das negociações por um cessar-fogo e duvidaram de que a Rússia esteja sinceramente interessada em baixar as armas – como também crê Zelenski.

O bloco aprovou a liberação de mais 1 bilhão de euros em empréstimos à Ucrânia. A verba deve ser empregada, entre outros fins, na reconstrução da infraestrutura destruída por bombardeios russos.

O dinheiro é parte de uma iniciativa dos países do G7 que prevê uma ajuda total de cerca de 45 bilhões de euros à Ucrânia até 2027, sendo 18,1 bilhões de euros bancados pela UE. Até agora, o bloco repassou efetivamente cerca de 4 bilhões de euros a Kiev. As dívidas serão quitadas com os rendimentos dos juros de ativos russos congelados na UE.

Ucrânia ataca base de bombardeiros nucleares da Rússia

Também nesta quinta-feira, drones ucranianos conseguiram quebrar as linhas de defesa aérea russas, atingindo o aeródromo Engels, que abriga bombardeiros nucleares, a cerca de 700 quilômetros de distância das linhas de combate e a 14 quilômetros ao leste da cidade de Saratov.

 ( da redação com AFP, DW. Edição: Política Real)