31 de julho de 2025
Brasil e Economia

Estatísticas de Crédito de janeiro apontam que crédito ampliado ao setor não financeiro atingiu 155,6% do PIB, crédito livre às familias avançou 1,4% no mês,, informa BC

Veja mais

Publicado em
Banco Central

( Publicada originalmente às 10 h 54 do dia 13/03/2025) 

(Brasília-DF, 14/03/2025) Na manhã desta quinta-feira, 13, o Banco Central divulgou o Estatísticas Monetárias e de Crédito com os dados atualizados até janeiro de 2025.

Em janeiro, o saldo do crédito ampliado ao setor não financeiro atingiu R$18,5 trilhões (155,6% do PIB), com queda de 0,8% no mês, resultante do decréscimo de 4,8% no estoque das captações externas – refletindo a apreciação cambial de 5,9% no período. Em doze meses, o crédito ampliado cresceu 14,4%, com avanços de 16,5% nos títulos de dívida e de 11,4% nos empréstimos locais.

O crédito ampliado às empresas somou R$6,6 trilhões em janeiro (55,2% do PIB), diminuição de 1,9% no mês, ressaltando-se os recuos de 4,4% nos empréstimos externos e de 2,0% nos do SFN. Em relação a janeiro de 2024, o crescimento de 17,8% da carteira decorreu, principalmente, das elevações de 30,1% em títulos de dívida e de 16,8% nos empréstimos externos.

O crédito ampliado às famílias atingiu R$4,3 trilhões (36,3% do PIB), com expansões de 1,1% no mês e de 12,6% em doze meses, refletindo, basicamente, o desempenho dos empréstimos do SFN.

Operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN)

​O saldo das operações de crédito do SFN manteve-se estável em janeiro, totalizando R$6,5 trilhões. Esse desempenho decorreu do incremento de 1,2% na carteira de crédito às pessoas físicas, saldo de R$4,0 trilhões, atenuado pela redução de 1,8% no saldo das pessoas jurídicas, que situou-se em R$2,5 trilhões. Em doze meses, o crédito do SFN assinalou maior ritmo de expansão, com crescimento de 11,7%, ante 11,5% no mês anterior. Por segmento, nas mesmas bases de comparação, os saldos de crédito às empresas e às famílias registraram aceleração, com avanços, na ordem, de 10,2% ante 9,9% e de 12,7% ante 12,5%  e operações de cartão de crédito rotativo  chegou a +103,1 p.p.), informa o BC

O saldo das operações de crédito com recursos livres alcançou R$3,7 trilhões em janeiro, com diminuição de 0,5% no mês e incremento de 11,5% comparativamente ao mesmo período do ano anterior. O crédito livre para empresas somou R$1,5 trilhão, com recuo mensal de 3,2% e incremento de 9,7% em doze meses. Esse resultado refletiu, em grande parte, a redução da carteira de desconto de duplicatas e outros recebíveis (-15,6%), após aumento sazonal ocorrido em dezembro, bem como os recuos nos estoques de capital de giro total (-1,0%), adiantamento de contratos de câmbio – ACC ( -2,4%), repasses externos (-6,8%) e antecipação de faturas de cartão de crédito (-2,6%).

O crédito livre às familias avançou 1,4% no mês e 12,7% comparativamente a janeiro do ano anterior, totalizando R$2,2 trilhões. Esse desempenho foi bastante disseminado entre suas principais modalidades, com destaque para crédito pessoal não consignado (2,6%), financiamento para aquisição de veículos (2,0%), crédito pessoal consignado para beneficiários do INSS (2,3%) e cartão de crédito rotativo (6,7%).

O saldo das operações de crédito com recursos direcionados totalizou R$2,7 trilhões, com altas de 0,9% no mês e de 12,1% sobre o mesmo período do ano anterior. Por segmento, o crédito direcionado às pessoas jurídicas avançou 0,6% no mês e 11,1% em doze meses, somando R$901,7 bilhões, enquanto no crédito destinado às pessoas físicas atingiu R$1,8 trilhão, com aumentos de 1,0% e de 12,6%, na mesma ordem.

As concessões nominais de crédito do SFN somaram R$585,9 bilhões em janeiro. Nas séries com ajuste sazonal, as concessões avançaram 0,4% no mês, com diminuição de 0,1% nas operações contratadas por empresas e aumento de 1,6% nas pactuadas com famílias. Nos doze meses acumulados até janeiro, as concessões nominais cresceram 15,2%, com elevações de 18,1% nas operações com pessoas jurídicas e de 13,1% nas destinadas às pessoas físicas. As concessões médias diárias em janeiro recuaram 19,9% em relação ao mês anterior, ressaltando-se a ocorrência de um dia útil a mais em janeiro, comparativamente a dezembro.

A taxa média de juros das concessões alcançou 29,8% a.a. em janeiro, com elevações de 1,2 p.p. no mês e 1,7 p.p. em doze meses. Nas operações pactuadas com pessoas jurídicas, a taxa média de juros atingiu 21,4% a.a., com elevações de 2,0 p.p. no mês e de 1,7 p.p. em doze meses. Na mesma ordem, as taxas médias de juros das operações contratadas com pessoas físicas registraram incrementos de 0,7 p.p. e 1,5 p.p., situando-se em 33,8% a.a.

O spread bancário, que mede a diferença entre as taxas médias de juros das operações de crédito e o custo de captação, alcançou 18,6 p.p., com alta mensal de 0,9 p.p. e redução de 0,8 p.p. em doze meses.

Nas operações livremente pactuadas, a taxa média de juros atingiu 42,3% a.a., assinalando elevações de 1,6 p.p. no mês e 2,0 p.p. em doze meses. Nas operações de crédito livre às empresas, a taxa média de juros situou-se em 24,2% a.a., com avanços de 2,5 p.p. no mês e 1,7 p.p. comparativamente ao mesmo período do ano anterior. Foram determinantes para esse resultado, os incrementos nas taxas médias de juros das operações de cartão de crédito rotativo (+103,1 p.p.), capital de giro com prazo até 365 dias (+9,3 p.p.) e capital de giro com prazo superior a 365 dias (+1,7 p.p.).

No segmento de crédito livre às famílias, a taxa média de juros aumentou 0,8 p.p. no mês e 1,6 p.p. em doze meses, situando-se em 53,9% a.a. Esse desempenho foi impulsionado pelas elevações das taxas de crédito pessoal não consignado vinculado à composição de dívidas (+5,3 p.p.) e de financiamento para a aquisição de veículos (+2,0 p.p.), bem como pela maior participação relativa das operações de cartão de crédito rotativo na composição da taxa média de juros do segmento.

No mês, o efeito da variação das taxas de juros (efeito taxa) foi determinante para o crescimento das taxas médias de juros do crédito livre, conforme a tabela a seguir.

O Indicador de Custo do Crédito (ICC), que mede o custo médio de toda a carteira de crédito do SFN, situou-se em 22,0% a.a. em janeiro, avançando 0,4 p.p. no mês e 0,1 p.p. em 12 meses.

A inadimplência do crédito total do SFN, considerados os atrasos superiores a 90 dias, alcançou 3,2% da carteira em janeiro, com incremento mensal de 0,3 p.p. e redução de 0,1 p.p. na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Nas operações de crédito livre, a inadimplência avançou 0,3 p.p. no mês e recuou 0,2 p.p. em doze meses, ao atingir 4,4% da carteira. No crédito livre às pessoas jurídicas, a inadimplência alcançou 2,8% do estoque, com incremento de 0,3 p.p. no mês e redução de 0,5 p.p. em doze meses. A taxa de inadimplência da carteira de crédito livre às famílias também aumentou 0,3 p.p. no mês, mantendo-se estável em comparação ao mesmo período do ano anterior, em 5,5%.

O endividamento das famílias situou-se em 48,3% em dezembro, permanecendo estável em relação ao mês anterior e crescendo 0,6 p.p. comparativamente a dezembro de 2023. O comprometimento de renda aumentou 0,5 p.p. no mês, alcançando 26,8%, maior nível desde outubro de 2023, interrompendo a trajetória decrescente iniciada em setembro de 2024. A variação em doze meses atingiu +0,9 p.p.

( da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real.)