31 de julho de 2025
Brasil e Poder

REAÇÃO: Depois de sinalizar reciprocidade na crise da taxação do aço, Haddad diz que o governo vai negociar, após reunião com o pessoal do aço brasileiro

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( Publicada originalmente às 13 h 46  do dia 12/03/2025) 

(Brasília-DF, 13/03/2025)  Após a reunião com o pessoal da cadeia do aço, nesta quarta-feira, 11, o ministro da Fazenda. Fernando Haddad, falou com a imprensa e afirmou que que a determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é de negociar, e não retaliar, em um primeiro momento, a taxação de 25% sobre o aço e o alumínio imposta pelos Estados Unidos e que afetam as exportações da indústria nacional.  A primeira ideia seria a chamada “reciprocidade” mas o setor deseja outra coisa.

“O presidente Lula falou ‘muita calma nessa hora’. Já negociamos outras vezes em condições até muito mais desfavoráveis do que essa”, disse o Haddad.

Segundo Haddad, os empresários “trouxeram argumentos muito consistentes de que [a taxação] não é bom negócio sequer para os norte-americanos”.

Haddad não entrou em mais detalhes sobre as propostas de negociação apresentadas pelo setor do aço, afirmando apenas que o relatório servirá de subsídio para as negociações lideradas pelo Ministério do Desenvolvimento.

“Vamos levar para a consideração do governo americano que há um equivoco de diagnóstico”, disse Haddad, para quem os argumentos apresentados pelas siderúrgicas são “muitos consistentes”.

A taxação de 25% sobre o aço e o alumínio pelos EUA entrou em vigor nesta quarta-feira ,12, após ter sido confirmada no dia anterior pelo governo estadounidense. A medida afeta diretamente a exportações brasileiras.

“Os Estados Unidos só têm a perder, porque nosso comércio [bilaterial] é muito equilibrado”, afirmou Haddad.

Haddad acrescentou que o setor do aço pediu providências não só em relação às exportações, mas também a respeito das importações, preocupado em especial com a entrada de aço chinês no país.

“No caso das exportações envolve uma negociação, enquanto que no caso da importações envolve uma defesa mais unilateral. Isso pela proposta que eles fizeram”, relatou Haddad.

Segundo o ministro, a Fazenda deverá agora preparar uma nota técnica sobre as propostas das siderúrgicas brasileiras, que deverá ser enviada ao vice-presidente Geraldo Alckmin, também ministro do Desenvolvimento, para orientar as negociações com os EUA.

 

Veja a íntegra da entrevista aos jornalistas:

O que o pessoal do aço veio falar e pedir Ministro?

 

Então, nós estamos acompanhando a evolução das medidas que os Estados Unidos estão tomando contra o Brasil, na verdade não é contra o país, porque é estendido aos outros países, mas tem repercussão doméstica.  

Obviamente que essa taxação acaba encarecendo para o consumidor americano os produtos importados, (então tem uma repercussão ruim também na inflação americana, embora esteja sendo contratada uma redução dos juros, este ano, nos Estados Unidos, o que favorece por esse  lado, mas a indústria está preocupada e, em virtude da declaração, tanto do vice-presidente Alckmin, quanto do presidente Lula, quanto da Fazenda, de que nós vamos tratar na base da reciprocidade os entendimentos, mas colocando em primeiro lugar a mesa de negociação que está aberta já com o governo americano e que foi bem sucedida em outros momentos do passado recente, quando atitudes semelhantes foram tomadas e revertidas em benefício do comércio bilateral, nós estamos já começando a estudar propostas do setor, que tem toda  a legitimidade de trazer propostas para nós, eles estão imaginando formas de negociar com  argumentos muito consistentes, de que os Estados Unidos até perder, porque o nosso comércio  é muito equilibrado e, na verdade, as nossas vendas não são revendas, como sugeriu o discurso  oficial dos Estados Unidos, nós não revendemos nada no Brasil, o que a gente importa de aço  não tem nada a ver com o que a gente exporta de aço, nem faz parte do nosso, não é nem  parte da cadeia de produção, porque nós exportamos produtos semi-acabados e importamos produtos acabados, então não faz o menor sentido a ser acusado de reexportar o que nós  estamos importando, não teria nem lógica esse argumento. Então, trouxeram isso e também trouxeram medidas de proteção da indústria nacional, nós vamos estudar, como sempre fazemos, nós vamos estudar, lembrando que quem capitaneia esse processo no governo é o Ministério do Desenvolvimento, mas, a pedido do vice-presidente Alckmin, a Fazenda sempre dá suporte técnico, como outros ministérios também devem dar.

 

Então, haverão outras reuniões, novas reuniões?  

 

Não, primeiro, nós vamos recepcionar os argumentos e as recomendações dos interessados, mas nós vamos elaborar uma nota técnica para o Ministério do Desenvolvimento, a partir do recolhimento desses...  

 

O que está apresentado aqui objetivamente, ministro, tem alguma coisa relacionada a cotas? Que outras medidas o senhor poderia dizer, pensando em soluções, caminhos apontados para negociação?  

 

Não, o setor do aço pede providências tanto em relação às importações quanto em relação às exportações e, obviamente, que a estratégia não pode ser a mesma, num caso e no outro, porque, no caso das exportações, envolve uma negociação, no caso das importações, envolve uma defesa mais unilateral.

 

Isso, a proposta que eles fizeram, nós vamos analisar. Acabei de receber a proposta.

 

 Essa nota técnica já vai ser enviada hoje, hein, ministro?

 

 Não, não.

 

Ministro, só uma dúvida.  Esse pedido do setor siderúrgico diz respeito à dívida de importação do aço que vem de fora para cá, especialmente a preocupação com o aço chinês. É nesse sentido mesmo?  

 

É nesse sentido.  Tem propostas em relação à importação do aço e à exportação do aço.

 

O que o setor sinalizou?  Eles preferem que o governo continue ainda tentando negociar com os Estados Unidos ou eles acham que é o momento já de...

 

Eles trouxeram argumentos muito consistentes de que não é bom negócio, sequer para os americanos, porque eles estão com um diagnóstico, segundo o setor do aço, o diagnóstico do governo americano a respeito da exportação brasileira está equivocado e não está...

 

O interesse do setor é negociar e não retalhar ou alguma medida mais dura de reciprocidade.

A gente pode compreender isso? Pode compreender isso. Está bem? Ministro, o mercado...

 

 

Não, nós não vamos proceder assim por orientação do presidente da República.  O presidente Lula falou muita calma nessa hora.

Nós já negociamos outras vezes em condições até muito mais desfavoráveis do que essa.  Nós vamos levar a consideração do governo americano que há um equívoco de diagnóstico e, de fato, os argumentos trazidos pela indústria brasileira são muito consistentes e vão ajudar o Ministério do Desenvolvimento na mesa de negociação.  Está bem?

 

E se tem possibilidade de recessão nos Estados Unidos?  Para o planalto?  

 

Nós recebemos hoje.

Eu preciso passar para a Secretaria.  T

 

Tem possibilidade de recessão nos Estados Unidos?

O mercado reagiu negativamente ontem.  Como isso afeta o Brasil?

 

Vamos acompanhar como é que também vai ser a reação deles a essa perspectiva.

Certamente eles não vão ficar parados em relação a isso.  Está bem?  Dá licença.  

Obrigado, Ministro.

Obrigada.

 

( da redação com informações de agências e assessoria. Edição: Política Real)