31 de julho de 2025
Brasil e Economia

Após tumulto entre bolsonaristas e anti-bolsonaristas no Plenário da Câmara, Hugo Motta disse que os congressistas deveriam se dar ao respeito e que não exitará em enviar casos para o Conselho de Ética

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( Publicada originalmente às 20 h 12 do dia 19/02/2025) 

(Brasília-DF, 20/02/2025) Na tarde desta quarta-feira, 19, os congressistas que apoiam o ex-presidente Jair Bolsonaro e os que desejam que ele acabe virando réu e seja condenador nos supostos crimes contra os Três Poderes e o Estado Democrático de Direito realizaram coletiva no Salão Verde da Câmara dos Deputados.  Em seguida, os dois grupos ocuparam alternadamente as tribunas para falar sobre suas posições.

Os discursos geraram tumulto e provocaram a suspensão da sessão por alguns minutos. A sessão estava sendo comandada pela deputada Delegada Catarina(PSD-SE), Quarta Secretária da Câmara dos Deputados. Ela foi desrespeitada na condução da sessão pedindo, e não sendo atendida, para que os congressistas acalmassem.  O presidente da Câmara, Hugo Motta( Republicanos-PB), criticou o ambiente de desordem e anunciou medidas para coibir comportamentos inadequados.

"Aqui não é jardim da infância nem lugar para espetacularização que denigre a imagem desta Casa. Não aceitarei este tipo de comportamento", afirmou, ao reconhecer o ambiente turbulento político que o País enfrenta diante da denúncia contra Bolsonaro. O ex-presidente e mais 33 pessoas foram denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por organização criminosa armada e golpe de Estado, entre outros crimes.

Ambiente hostil

Motta afirmou que assumirá a responsabilidade de acionar o Conselho de Ética contra parlamentares que desrespeitarem colegas. "Quem estiver aqui preocupado em agredir colega para aparecer não terá desta nossa Presidência complacência. Se não nos dermos o respeito, não será quem está fora desta Casa que nos dará", afirmou.

Em outra decisão depois do tumulto entre os parlamentares, Hugo Motta proibiu a entrada de cartazes no Plenário. “Esta não é uma Casa de torcida, é uma Casa de parlamentares que têm o poder da fala, de propor projetos e defender suas ideias”, disse.

Respeito às mulheres

A sessão da Câmara dos Deputados foi suspensa quando era presidida pela deputada Delegada Katarina (PSD-SE), depois de deputados da oposição por diversas vezes interromperem com palavras de ordem a fala do líder do PT, deputado Lindbergh Farias (PT-RJ). Em seguida, diversas deputadas protestaram no Plenário e pediram respeito pelo fato de a sessão estar sendo presidida por uma mulher.

Veja a íntegra da fala de Hugo Motta no plenário:

 

“Srs. Parlamentares, eu entendo o ambiente turbulento político que o País enfrenta diante dos últimos acontecimentos, mas eu quero dizer que, se V.Exas. estão confundindo este Presidente com uma pessoa paciente, com uma pessoa serena, com um Presidente frouxo, vocês ainda não me conhecem! (Palmas.)

Ou este Plenário se dignifica a estar aqui representando o povo brasileiro, ou nós não merecemos estar aqui. Aqui não é um jardim da infância, nem muito menos um lugar para a espetacularização que denigre a imagem desta Casa.

Eu não aceitarei esse tipo de comportamento.

Eu estava na Presidência recebendo colegas Parlamentares. Pedi à Deputada Delegada Katarina, que a 3ª Secretária da Mesa, para presidir os trabalhos para evitar que nem Deputado do PT, nem Deputado do PL presidisse diante do ambiente que estamos vivendo. Enquanto a Deputada Delegada Katarina esteve aqui, ela estava com toda a autoridade da Presidência da Casa para conduzir os trabalhos. E ninguém vai desrespeitar uma Parlamentar ou qualquer Parlamentar que esteja no exercício da Presidência. Nós não vamos aceitar isso. (Palmas.)

Aqui, as Lideranças fizeram o uso da palavra. O Deputado Nikolas Ferreira falou pela Oposição, falou pelo PL, o Deputado Lindbergh Farias tentou falar pelo PT, foi constantemente atrapalhado durante a sua fala, não conseguia concluir o que estava fazendo. (Palmas.)

Aqui não existe ninguém mais, ninguém menos do que Deputado. Todos nós somos iguais perante o Regimento Interno e o Presidente está aqui para garantir a ordem. Nós não vamos permitir a desordem nesta Casa. Nós não vamos permitir que este ambiente prejudique a nossa convivência.

Não estou aqui para dizer o que cada Deputado deve ou não defender. Estou aqui para garantir que o Regimento Interno será cumprido e o Presidente saberá exercer o poder desta Presidência, se necessário for. (Palmas.)

Eu não tenho receio de exercer isso.

Os senhores saibam de uma coisa: eu não compactuarei com atitudes, gestos de desrespeito aqui dentro desta Casa. Quero começar logo avisando que estarei determinando ao DEPOL, aos técnicos da Casa, ao Secretário-Geral da Mesa, que, primeiro, não permita mais a entrada de Parlamentar sem gravata, nas Comissões de camiseta, para que esta Casa cumpra o ritual. Já estou avisando, a partir de agora, que essa será uma máxima. O Parlamentar que aqui estiver fora daquilo que o nosso Regimento Interno rege, nós não permitiremos que o mesmo permaneça em Plenário.

Segundo ponto: agressões aqui. Nós já tivemos aqui episódios tristes durante esses primeiros 2 anos. O Presidente Arthur Lira foi combativo, nós seremos um pouco mais. A Presidência assumirá a responsabilidade. Se o Parlamentar aqui desrespeitar o colega, da própria Presidência vou acioná-lo no Conselho de Ética e fazer cumprir todas as medidas restritivas da Casa. (Palmas.)

E não me venham depois cobrar ou pedir para o Líder cobrar uma mudança de comportamento, porque não terá, não terá. Nós não retrocederemos nisso. Nós não retrocederemos. Quem estiver aqui preocupado em agredir colega para aparecer não terá desta nossa Presidência nenhuma complacência. Nós não admitiremos isso. Nós não admitiremos isso. Ou esta Casa coloca-se no lugar que ela merece estar ou nós não merecemos aqui estar representando o povo que nos assiste neste momento envergonhado da representação que tem. Essa não é a representação que o povo brasileiro quer. Nós temos aqui que saber respeitar. Se tem um orador na tribuna que está falando sobre algum assunto, sobre algum tema, defendendo algo que o colega não concorda, o colega tem a outra tribuna ali para contraditar, para se colocar contrariamente.

Este é o Parlamento. Este é o espírito do Parlamento e não um ringue para ficarmos aqui nos agredindo muitas vezes, não só atrás de agredir o colega, mas muito mais para querer criar uma conotação fazendo com que a convivência dentro do Legislativo seja muito criticada e não respeitada pela nossa sociedade. Se nós não nos dermos o respeito, não será quem está fora desta Casa que nos dará.

Saibam de uma coisa — estou avisando para que depois não me seja cobrado algo diferente. Se eu sou conhecido na minha vida pública, é pela palavra que eu cumpro —, nós não retrocederemos, se necessário for, tomaremos uma medida parlamentar contra qualquer um dos Srs. Deputados e das Sras Deputadas Federais para garantir que a ordem na Casa esteja estabelecida. Este Presidente não retrocederá nesse sentido.

V.Exas. estão avisados, comunicados, e saberei exercer a Presidência com o poder que ela tem. Saibam disso: saberei exercer a Presidência com o poder que ela tem. Eu peço a V.Exas. que episódios como esses que aconteceram, na tarde e noite, de hoje, não voltem a acontecer.

Peço também, em nome da Casa, Deputada Delegada Katarina as minhas desculpas por tudo o que aconteceu, aqui, durante a sua condução.

V.Exa. tem a total e irrestrita solidariedade. Todas as vezes que estiver aqui sentada, estará por nós apoiada para conduzir os trabalhos. (Palmas.)

 

( da redação com informações da Agência Câmara de Notícias. Edição: Política Real)