DESTAQUES DO DIA: Mercados globais em queda e no Brasil haverá uma semana de novos índices, pessimismo com o governo e taxa Selic chegando na quarta-feira
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(Brasília-DF, 27/01/2025) A Política Real teve acesso ao relatório “Moorning Call” da XP Investimentos apontando que os mercados globais estão em queda e no Brasil atenção para divulgação de vários índices na semana e a reunião do Copom da próxima quarta-feira com certeza de avanço da taxa Selic para 13,25%.
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Mercados globais
Nesta segunda-feira, os futuros nos Estados Unidos abrem em queda acentuada (S&P 500: -2,4%; Nasdaq 100: -4,1%), após o episódio ocorrido no final de semana entre os EUA e a Colômbia, com tensões entre Donald Trump e Gustavo Petro que escalaram de discordâncias acerca da política de deportações americanas até a imposição de sanções, restrições de viagens e tarifas por Trump, primeiro uso de tais instrumentos como poder de barganha em seu segundo mandato, que evidenciaram para o mercado o risco muito real de tarifas.
A temporada de resultados continua: hoje, AT&T divulga seu balanço do 4T24, e ao longo da semana, todas as atenções se concentram nas Big Techs.
Apesar de ter voltado atrás, as ações de Trump durante o fim de semana provocam sentimento negativo nas bolsas globais. Na Europa, as bolsas operam em queda (Stoxx 600: -0,6%), e na China, as bolsas fecharam mistas (CSI 300: -0,4%; HSI: 0,7%). Ganho de tração das discussões sobre a ferramenta de IA chinesa open source DeepSeek geraram dúvidas sobre a liderança dos EUA nessa nova onda de desenvolvimento de tecnologias ligadas a IA.
IFIX
No âmbito dos FIIs, o índice de fundos imobiliários, o IFIX, apresentou queda de 1,34%. Os FIIs de papel integrantes do índice apresentaram um desempenho médio de -1,49% na semana, enquanto os FIIs de tijolo tiveram performance média de -0,97%.
Economia
Na China, o PMI do setor industrial – sondagem com gerentes de compras sobre a atividade econômica – caiu para 49,1 em janeiro, abaixo das estimativas. Valores abaixo de 50 indicam contração do setor. Analistas de mercado continuam preocupados com as perspectivas econômicas da China neste ano. Os desequilíbrios entre produção doméstica firme e demanda fraca persistem, alimentando riscos deflacionários. Nos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou impor tarifas a diversos parceiros comerciais, com a Colômbia sendo o alvo mais recente, após o país recusar a aceitação de voos com deportados. Após ameaças de tarifas de ambos os lados, um acordo foi alcançado e as tarifas e restrições financeiras sobre a Colômbia foram suspensas.
Na agenda internacional, o principal evento econômico será a decisão de política monetária pelo banco central americano (Fed) na quarta-feira, para a qual espera-se manutenção da taxa básica de juros. Na Zona do Euro, o Banco Central Europeu também se reunirá (quinta-feira) e deverá entregar queda de 0,25 p.p. nos juros, após dados frágeis de atividade econômica divulgados recentemente. Do lado da inflação, o destaque será a publicação do deflator do PCE nos Estados Unidos na sexta-feira – dado referente a dezembro.
IBOVESPA -0,03% | 122.447 Pontos. CÂMBIO -0,15% | 5,92/USD
Ibovespa
O Ibovespa encerrou a semana passada com uma leve alta de 0,1% em reais e uma alta significativa de 2,7% em dólares, aos 122.447 pontos. A liquidez do índice permanece baixa, com um ADTV de R$ 12,6 bi até a quinta-feira, parcialmente devido ao feriado nos EUA na segunda-feira, e R$ 14,9 bi em janeiro, abaixo da média dos últimos 12 meses de R$ 16,4 bi.
A Cogna (COGN3, +9,6%) subiu após o anúncio de um programa de recompra de ações e um banco de investimentos elencar o papel entre os seus favoritos do setor.
Por outro lado, Raízen (RAIZ4: -7,4%) foi o destaque negativo, pressionada pela divulgação de uma prévia operacional do 3T25 abaixo das expectativas (veja aqui o comentário dos nossos analistas) e pela redução de preço-alvo por um banco de investimentos.
Renda Fixa
No comparativo semanal, os juros futuros encerraram com forte abertura na parte curta, e fechamento nos vértices intermediários e longos da curva. O diferencial entre os contratos com vencimento em janeiro de 2035 e 2026 saiu de +2,50 bps pontos-base (bps) na sexta-feira passada para -19,00 bps nesta semana. A curva, portanto, apresentou perda de inclinação. As taxas de juro real tiveram alta, com os rendimentos das NTN-Bs, com vencimento em 2030, se consolidando em patamares próximos a 8,0% a.a. (ante 7,82 % a.a. na semana anterior). Com isso, o DI jan/26 encerrou em 15,14% (+17,5bps no comparativo semanal); DI jan/27 em 15,38% (+10,5bps); DI jan/29 em 15,15% (- 4bps); DI jan/31 em 15,1% (- 6bps); DI jan/35 em 14,95% (- 4bps).
No Brasil, o Ministério da Fazenda negou a existência de novas propostas de corte de gastos e a possibilidade de um anúncio ao Presidente Lula ainda nesta semana, após jornais indicarem que tais medidas poderiam ser divulgadas. Nos indicadores, o IPCA-15 de janeiro – prévia da inflação – mostrou composição dos preços de serviços preocupante. Ademais, todas as principais métricas relevantes estão rodando acima da meta de 3%. Nossa projeção de 6,1% para o IPCA de 2025 tem viés de alta. Também divulgada na sexta-feira, a conta corrente registrou déficit de US$ 9,0 bilhões em dezembro. Com isso, acumulou déficit de US$ 55,9 bilhões em 2024 (-2,55% do PIB), mais que o dobro do registrado em 2023 (US$ 24,5 bilhões ou 1,1% do PIB). No campo financeiro, os Investimentos Diretos no país (IDP) alcançaram US$ 2,8 bilhões em dezembro. Em 2024, o IDP totalizou US$ 71,1 bilhões (3,24% do PIB), superando os US$ 62,4 bilhões (2,9% do PIB) registrados em 2023.
Na agenda doméstica, o Banco Central deverá elevar a taxa Selic em 1,0 p.p. para 13,25% na quarta-feira. A comunicação que acompanhará a decisão será fundamental para os preços de ativos domésticos. Do lado da atividade econômica, conheceremos o saldo de empregos formais (Caged), quinta-feira, e a taxa de desemprego (Pnad) de dezembro, sexta-feira. Por fim, do lado fiscal, teremos a divulgação da arrecadação federal de dezembro (a definir) e os resultados do governo central (a definir) e do setor público consolidado (sexta-feira).
(da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)