31 de julho de 2025
IRÃ EM CRISE

Donald Trump disse que Estados Unidos adotará "medidas muito duras" contra o Irã caso o país execute manifestantes; ongs informam mais de 2.400 manifestantes mortos no Irã

Veja mais

Por Politica Real com agências
Publicado em
Donald Trumo na CBS Foto: site da BBC Brasil

Com agências.

(Brasília-DF, 14/01/2026) Nessa terça-feira, 13, à noite em entrevista o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que seu país adotará "medidas muito duras" contra o Irã caso o país execute manifestantes. Organizações de direitos humanos dizem que mais de 2.400 pessoas que protestavam contra o governo do Irã foram mortas em uma violenta repressão conduzida pelas autoridades iranianas.

Erfan Soltani, 26, detido na semana passada ,08, deverá ser executado nestaa quarta-feira ,14, disseram familiares de Soltani à BBC Persian (serviço em persa da BBC).

Um parente de Soltani disse à BBC Persian que um tribunal iraniano havia emitido a sentença de morte "em um processo extremamente rápido, em apenas dois dias". Um representante do grupo de direitos humanos Hengaw afirmou à BBC que "nunca tinha visto um caso avançar tão rapidamente".

Awyar Shekhi, representante da Hengaw, disse que o caso de Soltani demonstra que o governo iraniano está "usando todas as táticas que conhece para reprimir as pessoas e espalhar medo".

Em entrevista à CBS News, parceira americana da BBC, Trump falou sobre as possíveis execuções: "Se eles os enforcarem, vocês vão ver algumas coisas... Vamos tomar medidas muito duras se fizerem isso".

Trump disse anteriormente que planejava participar de uma reunião na Casa Branca na noite de terça-feira ,13, para discutir a situação no Irã, prometendo obter "números precisos" sobre o total de mortos nos protestos.

A Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos (HRANA, na sigla em inglês), sediada nos EUA, afirmou ter confirmado a morte de 2.403 manifestantes, além de 12 crianças, apesar do bloqueio da internet. Quase 150 pessoas ligadas ao governo também foram mortas, segundo o grupo.

Um funcionário iraniano disse à agência de notícias Reuters que 2.000 pessoas haviam sido mortas, mas que a responsabilidade seria de "terroristas".

"Parece que o número de mortes é significativo, mas ainda não sabemos com certeza", disse Trump a repórteres ao retornar à Casa Branca.

Segundo Trump, assim que ele tiver os números, "agiremos de acordo".

Mais cedo, na terça-feira ,13, Trump escreveu em sua plataforma Truth Social que as autoridades iranianas "pagarão um preço alto" pelas mortes e incentivou as pessoas a "continuarem protestando".

"Cancelei todas as reuniões com autoridades iranianas até que a morte sem sentido de manifestantes PARE. A AJUDA ESTÁ A CAMINHO. MIGA!!!", acrescentou, usando a sigla de um slogan da oposição iraniana sediada nos EUA que significa "Faça o Irã Grande Novamente", em tradução livre, e faz referência à sigla trumpista MAGA ("Faça a América Grande Novamente", em tradução livre).

Trump vem avaliando opções militares e outras medidas em resposta à repressão, depois de já ter anunciado tarifas de 25% sobre qualquer país que mantenha comércio com o Irã.

O governo iraniano reagiu acusando os EUA de tentar "fabricar um pretexto para intervenção militar" e alertou que "esse roteiro já falhou antes".

Os protestos, que teriam se espalhado por 180 cidades e municípios das 31 províncias do país, começaram em meio à indignação com o colapso da moeda iraniana e o aumento acelerado do custo de vida.

Esses protestos se expandiram rapidamente, se transformando em reivindicações por mudanças políticas e se tornaram um dos desafios mais sérios ao regime clerical desde a revolução islâmica de 1979.

Os atos se intensificaram de forma significativa na quinta-feira (08/01) passada e foram reprimidos com força letal pelas autoridades, em meio a um bloqueio quase total da internet e dos serviços de comunicação.

Mais de 18.434 manifestantes foram presos durante os protestos, segundo a agência de ativistas HRANA.

É difícil avaliar a real escala do derramamento de sangue porque, assim como outras organizações internacionais de notícias, a BBC não consegue reportar de dentro do país.

Ainda assim, vídeos publicados on-line no domingo (11/01) mostraram pessoas procurando os corpos de parentes e amigos no Centro Forense de Kahrizak, em Teerã (Irã). A BBC contabilizou ao menos 180 corpos envoltos em mortalhas e sacos mortuários nas imagens.

Cerca de 50 corpos podiam ser vistos em outro vídeo no mesmo local, divulgado na segunda-feira, 12.

"Meu amigo foi até lá [Kahrizak] procurar o irmão e acabou esquecendo a própria dor", contou um ativista à BBC Persian na segunda-feira ,12.

"Eles empilharam corpos de todos os bairros, como Saadatabad, Naziabad e Sattarkhan. Então você vai até a pilha de corpos correspondente ao seu endereço e procura ali. Você não faz ideia nem de uma fração do nível de violência que foi usada."

( da redação com agências. Edição: Política Real)