Irã não vai participar da Copa do Mundo de futebol; “ Em hipótese alguma podemos participar da Copa do Mundo", disse o ministro dos Esportes, Ahmad Donyamali, à televisão estatal iraniana
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(Brasília-DF, 11/03/2025) Nesta quarta-feira ,11, o ministro dos Esportes, Ahmad Donyamali, disse que o Irã não poderá participar da Copa do Mundo de 2026 depois dos ataques americanos e da morte do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei.
"Considerando que este regime corrupto assassinou nosso líder, em hipótese alguma podemos participar da Copa do Mundo", disse o ministro à televisão estatal iraniana.
"Nossos filhos não estão seguros e, fundamentalmente, tais condições para participação não existem", disse Donyamali.
"Dadas as ações maliciosas que realizaram contra o Irã, nos impuseram duas guerras em oito ou nove meses e mataram e martirizaram milhares de nossos cidadãos. Portanto, certamente não podemos ter tal presença."
No dia anterior, o presidente da Fifa havia dito que o presidente americano, Donald Trump, afirmou que o Irã será "bem-vindo" para disputar a Copa.
Esta seria a quarta Copa do Mundo consecutiva com a participação do Irã. Seus três jogos na fase de grupos estão marcados para os Estados Unidos: contra a Nova Zelândia e a Bélgica, em Los Angeles, e contra o Egito, em Seattle.
O Irã não desistiu da competição no ano passado, quando os Estados Unidos bombardearam três instalações nucleares iranianas.
Antes das declarações do ministro dos Esportes, o presidente da federação iraniana de futebol já havia levantado dúvidas sobre a participação do país na Copa.
"Com o que aconteceu... e com aquele ataque dos EUA, é improvável que possamos olhar para a Copa do Mundo à nossa frente, mas os dirigentes do esporte são quem deve tomar a decisão", teria dito Mehdi Taj à televisão iraniana.
Em meio à morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei (1939-2026), e às imensas incertezas sobre o futuro cenário político do país, é impossível prever qual será essa decisão — e até mesmo quem irá tomá-la.
"Para Teerã, esta não é uma guerra curta de 12 dias, nem uma escalada contida que possa sofrer uma pausa e, depois, reiniciar", afirma Sanam Vakil, diretora do Programa de Oriente Médio e Norte da África do grupo de estudos sobre assuntos internacionais Chatham House.
Para ela, "este novo estágio de conflito é existencial e claramente sobre a sobrevivência do regime. É também improvável que ele termine rapidamente."
A Fifa, que dirige o futebol mundial, declarou estar acompanhando os acontecimentos. Mas, neste momento, as autoridades estão afirmando de forma privada que esperam que o Irã participe da Copa do Mundo.
No sábado (1/3), o secretário-geral da Fifa, Mattias Grafstrom, declarou que "o nosso objetivo é ter uma Copa do Mundo segura, com a participação de todos".
Pelas regras da Fifa, no caso da desistência ou exclusão de uma equipe, a entidade pode "tomar qualquer ação que considerar necessária" e "pode decidir substituir a associação participante por outra".
A BBC Sport entrou em contato com a Fifa, pedindo esclarecimentos sobre as sugestões de que o Irã poderia ser substituído por outra equipe da Confederação Asiática de Futebol (AFC, na sigla em inglês).
Se isso acontecer, os favoritos seriam o Iraque, que ainda poderá ganhar uma vaga na repescagem intercontinental a ser disputada no final deste mês, ou os Emirados Árabes, que foram desclassificados nas eliminatórias.
( da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)