Davi Alcolumbre diz que hoje é considerado culpado de tudo e que vai decidir se coloca ou não todos os projetos que criam pisos de categorias pendentes para votação
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(Brasília-DF, 09/06/2026). O senador Davi Alcolumbre (União-AP) foi cobrado no final da tarde pelos senadores sobre os projetos que tratam de diversos pisos de categorias que estão prontos para serem votados, mas precisam sem colocado em pauta.
Ele fez uma longa exposição sobre os diversos casos que estão cobrando, como o piso do agente comunitários de saúde, entre outros. Ele faz um desabafo, aceita a cobrança dos colegadas senadores e senadores em ano eleitoral e diz que vai decidir se vai colocar todos os projetos ou não vai colocar nenhum.
Ele finaliza e diz que é acusado de ser culpado de tudo hoje.
“E como hoje eu estou sendo responsável por quase todos os problemas, eu vou continuar com a minha tese de que a gente fazer o certo, com a cabeça tranquila, é melhor do que fazer as coisas: ou eu vou botar todos esses daqui na pauta, todas as PECs, todos os pisos e todas as solicitações, ou eu não vou botar nenhum.”, disse.
Veja a íntegra da fala da Alcolumbre:
O SR. PRESIDENTE (Davi Alcolumbre. Bloco Parlamentar Democracia/UNIÃO - AP) - Nós já concluímos aqui essa votação, mas é uma oportunidade para eu falar da última semana. Eu falei um pouco relacionado a esse assunto. Vou repetir, vou tentar ser muito cordial com V. Exa. e respeitando a posição de V. Exas. em relação a esses assuntos.
Nós temos aqui, que já tramitaram na Câmara dos Deputados e que estão tramitando no Senado Federal, 30 projetos - entre proposta de emenda constitucional e projeto de lei - relacionados a piso salarial e remuneração.
Eu quero, antes de entrar em qualquer assunto, que as pessoas entendam que eu acho que não tem ninguém aqui contra um trabalhador ter a garantia estabelecida na lei de uma remuneração adequada, necessária, mínima, possível para sobrevivência e para subsistência, inclusive da categoria dos garis e das margaridas, que V. Exa. menciona à Presidência.
Ocorre, querido Senador e Senadores, que todas as semanas a Presidência é instada a deliberar sobre um assunto referente a piso. Tem uma proposta de emenda constitucional que trata da assistência social do Brasil, que foi votada na Câmara, que é um valor mínimo necessário para o Suas - para o Sistema Único de Assistência Social -, que vai impactar nas contas públicas um recurso de 1% do Orçamento do Brasil para essa agenda. Eu nunca seria contra uma agenda dessa, de melhorar a assistência social do Brasil. Como eu vou ser contra? Como V. Exas. serão contra? Mas a gente tem que entender que se a gente votar o Suas para arrumar o mínimo necessário para assistência social, eu vou ter que votar o piso, que eu sou cobrado também, do salário dos enfermeiros, da carga horária, que é justo também. Eu vou ter que votar também o piso, a carga horária e o salário dos técnicos em enfermagem, porque eu não posso separar o técnico em enfermagem e o enfermeiro do gari ou do assistente social, porque senão eu vou ser acusado de priorizar uns em detrimento de outros.
Infelizmente, a todos os instantes, eu estou sendo acusado por todos de ser o culpado de todos os problemas do Brasil. Se eu votar esse piso, eu vou ter que votar o piso do cirurgião-dentista, porque os dentistas também merecem ter uma remuneração adequada, eles cuidam da saúde bucal das pessoas; só que se eu votar o piso do cirurgião-dentista, eu vou ter que votar também, como V. Exa. disse, o dos garis e o das margaridas, porque eu não posso votar o do cirurgião-dentista e esquecer o dos garis e das margaridas. Eu vou ter que votar a questão da educação, porque nós votamos já para os profissionais de educação e não votamos para os técnicos da área da educação, que são os auxiliares que dão todo o apoio para uma escola funcionar, que cuidam das crianças. E eles também... O Projeto de Lei 2.531 cuida deles, dos profissionais da educação básica, que exercem função de apoio administrativo, técnico e operacional. Se eu votar o deles, eu vou ter que votar o dos fisioterapeutas.
Se eu votar o deles, eu vou ter que votar o dos fisioterapeutas. Eles são profissionais muito importantes, que fazem a fisioterapia daqueles que sofrem algum trauma e precisam se restabelecer na função do organismo.
Só que, se eu votar o do fisioterapeuta, eu quero votar o do terapeuta ocupacional. Eu não posso tirar o fisioterapeuta e separar do terapeuta ocupacional. E tem uma lei que está tramitando aqui, que eu sou cobrado sempre para votar.
Se eu votar o do fisioterapeuta e o do terapeuta ocupacional, dando um salário para ele de R$4,8 mil - que é o que está dizendo a lei -, eu vou ter que ajudar os nutricionistas. É uma profissão muito importante, que eu respeito muito, e os nutricionistas são muito importantes para organizar a alimentação das pessoas. Então, eu não posso separar o terapeuta do nutricionista; a gente precisa ajudar também os nutricionistas.
Se eu votar o do nutricionista e der uma jornada de trabalho para ele e um piso, eu não tenho como não votar o do vigilante, porque os vigilantes têm uma função muito importante no país: eles cuidam do patrimônio, da vida das pessoas. Nós precisamos dar uma satisfação para os vigilantes do Brasil. Eu não posso separar o vigilante do terapeuta.
Se eu votar o vigilante... Permitam-me, V. Exas., uma profissão, Senador Randolfe, muito importante para o Brasil: o psicólogo. Eu tenho muitos amigos psicólogos, que me cobram que eu vote o piso dos psicólogos. Olha, eles salvam as pessoas com problemas psicológicos e eles são muito importantes.
E se eu votar o do psicólogo, eu não posso deixar o do veterinário de fora. Não tem como, os veterinários são muito importantes...
Senador Fabiano, eu vou dar a palavra para V. Exa. e para quem quiser falar depois.
Os veterinários precisam, e está votado aqui já e eu sou cobrado: "Institui o piso salarial profissional nacional do médico-veterinário e dá outras providências."
Tem um que é muito importante, que é o piso nacional dos policiais militares e corpo de bombeiros. Não tem possibilidade de algum Senador - dos 81 -, desta legislatura ou de qualquer outra, não querer votar uma PEC 10, que cuida do piso dos policiais e dos bombeiros militares. Não tem como nenhum Senador não querer votar um assunto dessa envergadura e dessa importância.
Se eu votar esse daqui, modestamente, eu vou ter que votar o salário e o piso do operador de telemarketing, porque está aqui, já foi votado na Câmara e eu preciso votar no Senado.
Eu não posso separar o operador de telemarketing do conselheiro tutelar. O conselheiro tutelar é uma cobrança toda semana, o Projeto de Lei 662, de 2019, que trata do piso salarial dos conselheiros... Alguém tem dúvida de que o trabalho de um conselheiro tutelar no Brasil, em 5.570 municípios, é importante? Não tenho dúvida! Mas eu não posso deixar o conselheiro tutelar de lado e votar o do veterinário. Eu tenho que votar o piso salarial, como disse, do assistente social, porque não dá para separar um do outro.
Eu tenho que votar o da parteira. A parteira é muito importante na Amazônia: lá no Amapá, tem um programa do Governo do estado que ajuda as parteiras e tem um projeto que cuida do piso das parteiras. Eu não posso separar as parteiras, eu tenho que...
Ou seja, se eu for ler isso aqui, eu tenho 31 projetos que tratam de jornada de trabalho, que tratam de piso de remuneração de muitas categorias. Eu não posso ser seletivo.
Aí eu tenho também
eu não posso ser seletivo.
Aí eu tenho também outras solicitações de proposta de emenda constitucional que estão no mesmo bojo. Eu estou sendo cobrado há mais de um ano para nós votarmos a PEC da redução da maioridade penal de 18 para 16. Isso era um assunto muito relevante, eu poderia botar na pauta - eu até desejaria, se estivesse na pauta, eu votaria a favor da redução.
Mas o problema que tem que resolver é o que é que a gente vai efetivamente deliberar, porque são muitos assuntos complexos de toda ordem, e como - infelizmente ou não - eu estou sendo cobrado por muitos colegas meus, e eu estou, assim, muito triste de ter que ficar toda hora dizendo "não posso pautar", "o Estado brasileiro não vai resistir", "os municípios brasileiros não vão ter condições de pagar"... Na marcha dos Prefeitos eles solicitaram que não votasse, porque o orçamento do Brasil não cabe.
E acaba que estou ficando eu, Presidente do Senado Davi Alcolumbre, com todas essas categorias: tem o piso dos médicos aqui que a gente precisa dar atenção, o médico salva a vida das pessoas. É mais outro. Tem uma situação que eu sou cobrado insistentemente para votar um projeto que trata da proficiência médica. Senador Hiran é toda semana. E eu: "Calma, tem que ver com o Ministério da Educação, com o Governo, calma, não dá para votar".
Então, no ano de eleição, isso aqui é muito complexo. Porque o que eu botar para votar, todo mundo vai votar "sim" por conta da eleição, e vai ter que arrumar dez brasis para pagar. E aí fica sendo eu o culpado que não quer dar um piso para o médico. O piso para o médico que salva a vida das pessoas no pronto atendimento; o piso para o enfermeiro; meu Deus, vamos dar! Mas o Brasil comporta isso? O Brasil vai resistir? As finanças públicas vão resistir?
Não tem problema nenhum... Não tem problema nenhum eu receber as cobranças de V. Exas., o problema é que o nosso país, se botar... Tem uma PEC que trata dos agentes comunitários de saúde, eu estou sendo cobrado há um ano sobre essa PEC. Eu quero ajudar a aposentadoria dos agentes comunitários de saúde, dos agentes de endemias, eles andam na rua, no sol e na chuva, correndo risco de vida. Mas a gente vai conseguir? Vai ter uma fonte de arrecadação?
Quando colocar na Constituição isso aqui, vão questionar se teve uma fonte de arrecadação, porque na lei tem que ter a fonte. É muita coisa, é muita polêmica, é muito problema.
E como hoje eu estou sendo responsável por quase todos os problemas, eu vou continuar com a minha tese de que a gente fazer o certo, com a cabeça tranquila, é melhor do que fazer as coisas: ou eu vou botar todos esses daqui na pauta, todas as PECs, todos os pisos e todas as solicitações, ou eu não vou botar nenhum.
Concedo a palavra ao Senador Jaques Wagner.
( da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)