BC divulga estatísticas mostrando que apesar do aumento do spread e do juro final houve expansão da oferta de crédito
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(Brasília-DF, 27/12/2024). Na manhã desta sexta-feira, 27, o Banco Central divulgou o seu Estatísticas Monetárias e de Crédito com os dados atualizados até novembro de 2024. Apesar do juro alto aumentou o crédito ofertado.
Em novembro, o saldo do crédito ampliado ao setor não financeiro atingiu R$18,2 trilhões (156,0% do PIB), com crescimento de 1,9% no mês, resultante das altas de 4,9% nas captações externas – refletindo a depreciação cambial de 4,8% no período – , de 1,1% nos empréstimos e de 1,2% nos títulos de dívida. Em doze meses, o crédito ampliado cresceu 14,9%, com avanços de 15,3% nos títulos de dívida, de 10,4% nos empréstimos e de 24,1% nas captações externas.
O crédito ampliado às empresas somou R$6,5 trilhões em novembro (55,5% do PIB), acréscimo de 2,6% no mês, ressaltando-se as expansões de 1,8% nos empréstimos, de 1,5% nos títulos de dívida e de 4,5% nas captações externas. Em relação a novembro de 2023, o crescimento de 18,2% da carteira decorreu, principalmente, das elevações de 27,5% em títulos de dívida e de 22,0% nos componentes da dívida externa.
O crédito ampliado às famílias atingiu R$4,2 trilhões (35,8% do PIB), com expansões de 1,1% no mês e de 11,8% em doze meses, refletindo, basicamente, o desempenho dos empréstimos do SFN.
SFN
O estoque das operações de crédito do SFN aumentou 1,2% em novembro, alcançando R$6,3 trilhões. Esse resultado decorreu, basicamente, dos incrementos de 1,4% no crédito às empresas e de 1,0% no crédito às famílias, cujos saldos situaram-se em R$2,4 trilhões e R$3,9 trilhões, respectivamente. A comparação interanual mostrou ligeira aceleração, com alta de 10,7% nos doze meses até novembro, após crescimento de 10,6% nos doze meses até outubro. Por segmento, consideradas as mesmas bases de comparação, o crédito às pessoas jurídicas aumentou 9,3% ante 8,6% no mês anterior, enquanto o saldo para pessoas físicas desacelerou de 11,8% até outubro para 11,6% até novembro.
O estoque das operações de crédito com recursos livres somou R$3,7 trilhões em novembro, com incrementos de 1,2% no mês e de 10,3% comparativamente ao mesmo período do ano anterior. O crédito livre para pessoas jurídicas cresceu 1,3% no mês e 9,3% em doze meses, alcançando R$1,5 trilhão. Esse desempenho foi impulsionado, basicamente, pela evolução das carteiras de desconto de duplicatas e outros recebíveis, alta de 7,1%, e de capital de giro com prazo inferior a 365 dias, com alta de 6,6%.
O estoque de crédito livre às pessoas físicas somou R$2,1 trilhões em novembro, com incrementos de 1,1% no mês e de 11,0% em doze meses. Esse resultado foi impulsionado pelas modalidades de cartão de crédito à vista, aquisição de veículos e crédito pessoal não consignado, que tiveram incrementos respectivos de 2,0%, 1,5% e 1,2%.
O crédito com recursos direcionados cresceu 1,1% no mês e 11,3% em doze meses ao totalizar R$2,7 trilhões em novembro. Por segmento, o crédito direcionado às empresas avançou 1,5% no mês e 9,3% em doze meses, situando-se em R$880,4 bilhões. Nas operações às famílias, o estoque alcançou R$1,8 trilhão, com altas de 0,9% e 12,4%, no mês e em doze meses, na ordem.
As concessões nominais de crédito do SFN atingiram R$609,3 bilhões em novembro. Nas séries com ajuste sazonal, as concessões recuaram 0,7% no mês, com decréscimos de 0,6% e de 1,5% nos segmentos de pessoas jurídicas e de pessoas físicas, respectivamente. Nos doze meses acumulados até novembro, as concessões nominais aumentaram 14,5%, com expansões de 16,4% nas operações com empresas e de 13,0% nas destinadas às famílias. Vale ressaltar que a ocorrência de quatro dias úteis a menos em novembro do que em outubro contribuiu para as reduções nas concessões nominais.
A taxa média de juros das concessões atingiu 28,6% a.a. em novembro, com alta mensal de 0,5 p.p. e redução de 0,5 p.p. em doze meses. Nas operações destinadas às empresas, a taxa média de juros subiu 0,4 p.p. no mês e 0,1 p.p. em doze meses, situando-se em 19,4% a.a. Nas operações destinadas às famílias, a taxa média aumentou 0,5 p.p. no mês e alcançou 33,0% a.a., com decréscimo de 1,0 p.p. em doze meses. O spread bancário, diferença entre as taxas médias de juros praticadas nas operações de crédito e o custo de captação, alcançou 18,6 p.p. em novembro, com alta de 0,2 p.p. no mês e redução de 1,4 p.p. relativamente a novembro de 2023.
No crédito livre, a taxa média de juros situou-se em 41,0% a.a., com incremento mensal de 0,7 p.p. e redução de mesma magnitude em doze meses. Nas operações destinadas às empresas, a taxa média avançou 0,4 p.p. no mês e recuou 0,6 p.p. em doze meses ao atingir 21,8% a.a. Para o aumento no mês, contribuiu principalmente o incremento de 1,1 p.p. no capital de giro com prazo superior a 365 dias.
No crédito livre às famílias, a taxa média de juros alcançou 53,4% a.a., com alta de 0,8 p.p. no mês e diminuição de 1,4 p.p. em doze meses. Contribuíram para esse resultado, as elevações no cartão de crédito rotativo (+6,9 p.p.) e no crédito pessoal não consignado (+2,1 p.p.)
No mês, o efeito da variação das taxas de juros (efeito taxa) foi preponderante para o crescimento das taxas médias de juros do crédito livre, conforme a tabela a seguir.
O Indicador de Custo do Crédito (ICC), que mede o custo médio de toda a carteira de crédito do SFN, situou-se em 21,7% a.a. em novembro, mantendo estabilidade no mês e redução de 0,3 p.p. em 12 meses.
A taxa de inadimplência do saldo total de crédito do SFN, considerados os atrasos superiores a 90 dias, alcançou 3,1% da carteira, com reduções de 0,1 p.p. no mês e de 0,3 p.p. em doze meses. Por segmento, a inadimplência no crédito às empresas e no crédito às famílias manteve-se estável em 2,3% e 3,7%, respectivamente, com diminuições de 0,5 p.p. e de 0,1 p.p. em doze meses, na mesma ordem.
No crédito livre, a inadimplência recuou 0,1 p.p. no mês e 0,5 p.p. em doze meses, situando-se em 4,3% da carteira. Por segmento, a taxa de inadimplência da carteira livre destinada às pessoas jurídicas alcançou 2,8%, reduções de 0,1 p.p. no mês e de 0,8 p.p. em doze meses, enquanto nas operações às pessoas físicas manteve-se estável no mês, com recuo de 0,4 p.p. em relação a novembro de 2023.
O endividamento das famílias situou-se em 47,9% em outubro, com reduções de 0,1 no mês e de 0,2 p.p. em doze meses. O comprometimento de renda diminuiu 0,1 p.p. no mês e 0,5 p.p. em doze meses, situando-se em 26,3%.
Agregados
A base monetária totalizou R$436,9 bilhões em novembro, com decréscimo de 0,2% no mês e crescimento de 7,7% em doze meses. No mês, o volume de papel-moeda em circulação diminuiu 0,3%, enquanto as reservas bancárias aumentaram 0,1%.
Entre os fluxos mensais dos fatores condicionantes da base monetária, tiveram impacto contracionista, as operações do Tesouro Nacional, R$23,3 bilhões, as operações do setor externo, R$22,3 bilhões e os depósitos de instituições financeiras, R$8,3 bilhões (recebimento de depósitos voluntários a prazo, -R$6,4 bilhões, recolhimento de recursos de depósitos a prazo, +R$4,3 bilhões, liberação de recursos de caderneta de poupança, +R$761 milhões, de recursos de depósitos de garantias em espécie vinculadas a Linhas Financeiras de Liquidez – LFL, +R$1,2 bilhão e de recursos do Proagro, +R$362 milhões). As operações com títulos públicos federais aumentaram em R$46,2 bilhões (colocações líquidas de R$52,4 bilhões no mercado primário e compras líquidas de R$98,7 bilhões no mercado secundário) e as operações com derivativos em R$20,3 bilhões.
Os meios de pagamento restritos (M1) alcançaram R$657,9 bilhões, crescimento de 3,5% no mês, resultado das expansões dos depósitos à vista e do papel-moeda em poder do público em 6,2% e 0,4%, respectivamente. Considerando-se dados dessazonalizados, o M1 cresceu 0,3% no período.
O M2 avançou 0,5% no mês, com saldo total de R$6,5 trilhões, refletindo os crescimentos do M1 e do saldo de títulos emitidos por instituições financeiras, que em novembro avançou 0,2%, totalizando R$4,8 trilhões. No período, o saldo dos depósitos a prazo não registrou variação, enquanto os saldos das letras financeiras e das letras de crédito avançaram, respectivamente, 1,4% e 0,6%. O saldo dos depósitos de poupança avançou 0,1% (R$1,0 trilhão), com captações líquidas negativas de R$2,9 bilhões. O M3 cresceu 0,3%, totalizando R$12,0 trilhões, refletindo o aumento no M2. O saldo das quotas de fundos monetários (R$5,3 trilhões) aumentou 0,1%. As operações compromissadas com títulos públicos federais avançaram 6,7%, enquanto as operações com títulos privados recuaram 8,2%. O M4 avançou 0,4% no mês, totalizando R$13,3 trilhões. Em 12 meses a variação foi de 12,9%.
( da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)