31 de julho de 2025
Brasil e Economia

Bolsa brasileira caiu 0,99% por conta da queda nas ações da Petrobras face a decisão sobre distribuição de dividendos

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(Brasília-DF, 08/03/2024) Nesta  sexta-feira, 08, o Ibovespa fechou em queda ao fim das negociações. O principal índice da bolsa de valores brasileira caiu 0,99%, aos 127.071 pontos. Na semana, houve recuo de 1,63%. O dólar, por sua vez, era negociado a R$ 4,98, com alta de 0,95% no encerramento.

O Ibovespa teve queda sob a influência das ações preferenciais e ordinárias da Petrobras, que recuaram 9,14% e 10,37%, respectivamente, depois dos resultados do quarto trimestre e, principalmente, da nova política de pagamentos de dividendos, com valores muito abaixo do esperado.

Nos Estados Unidos, operadores de Wall Street fizeram as ações caírem com a especulação de que um rali para novos múltiplos recordes neste ano é algo exagerado. Os dados do mercado de trabalho em fevereiro - o payroll - foram classificados como mistos: a criação de vagas ficou acima das expectativas, mas o aumento salarial médio ficou aquém.

Veja a nota da XP Investimentos:

 

“As ações da Petrobras (PETR4) operavam em forte queda nesta sexta-feira, 8. Por volta das 12h, os papéis caíam mais de 11%, cotados a R$ 35,81. A empresa reportou seus resultados do 4º trimestre de 2023, decepcionando o mercado com a ausência de pagamentos extraordinários.

Estávamos esperando cerca de US$ 3,9 bilhões para o mínimo somado a ~US$ 5,5 bilhões para o extraordinário. Devido a um fluxo de caixa operacional inferior ao que estávamos prevendo, os dividendos mínimos totalizaram US$ 2,9 bilhões (~2,7% de yield).

Ao contrário de nossas expectativas e da maioria dos investidores com quem conversamos, o Conselho de Administração da Petrobras optou por manter os dividendos de acordo com a fórmula mínima, propondo direcionar o lucro remanescente do ano (US$ 8,9 bilhões) para ser totalmente alocado na recém-criada reserva de remuneração de capital (seção II, artigo 56 do Estatuto Social). A decisão será tomada durante a próxima assembleia geral ordinária, programada para ocorrer em 25 de abril.

Quanto a Petrobras pagará de dividendos?

A empresa informou que seu Conselho de Administração (CA), em reunião realizada ontem, autorizou o encaminhamento à Assembleia Geral Ordinária (AGO), prevista para 25 de abril de 2024, da proposta de distribuição de dividendos equivalentes a R$ 14,2 bilhões. Caso haja aprovação da AGO, considerando os dividendos antecipados pela Companhia ao longo do exercício, ajustados pela Selic, os dividendos totais do exercício de 2023 totalizarão R$ 72,4 bilhões.

Quando serão pagos?

Os dividendos do 4T23 serão pagos em duas parcelas iguais (~R$ 0,55/ação cada) em maio (dia 20 para as ações da B3 e a partir do dia 28 para os detentores de ADRs) e junho (dia 20 e a partir do dia 27 para os detentores de ADRs).

Quem tem direito aos dividendos?

Tem direito a receber quem detiver ações da empresa negociadas na B3 em 25 de abril de 2024, e os detentores de ADRs negociados na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) em 29 de abril de 2024. As ações serão negociadas ex-direitos na B3 e na NYSE a partir de 26 de abril. Os valores serão atualizados com base na variação da taxa Selic a partir de 31 de dezembro de 2023, até a data de cada pagamento.

Reação esperada

Em nosso relatório sobre os resultados da Petrobras, havíamos destacado a expectativa por uma reação negativa do mercado à decisão do Conselho de Administração, pois isso fará com que os investidores repensem sua visão sobre os riscos da Petrobras.

Vemos a tese de investimentos agora como uma questão de avaliar a probabilidade de grandes movimentos de M&A ocorrerem no curto prazo. Se isso foi o que levou à decisão do Conselho de Administração, as ações provavelmente cairão ainda mais, devido a uma combinação de má alocação de capital com dividendos mais baixos (já que a fórmula mínima leva em conta M&A como CAPEX).

Por outro lado, se isso tiver sido motivado principalmente pela vontade do governo de manter um “plano de reserva” para o caso de as contas fiscais se deteriorarem em breve, então esse dinheiro estocado acabará sendo pago de volta aos investidores e as ações poderão apresentar um bom desempenho de retorno total no futuro.

( da redação com informações da Bloomberg Linea e XP . Edição: Genésio Araújo Jr.)