Portugal realiza eleição presidencial mais disputadas de décadas e socialista Antônio Seguro e direita radical André Ventura vão disputar segundo turno em fevereiro
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(Brasília-DF, 19/01/2026) Nesse domingo, 18, foi realizado o primeiro turno das eleições presidenciais portuguesas, as mais disputadas dos últimos 50 anos.
O candidato António José Seguro, ex-secretário-geral do Partido Socialista (PS), foi o mais votado das eleições presidenciais com 31,12% dos votos, e vai ao segundo turno em 8 de fevereiro, com André Ventura, do partido Chega, de direita radical, que obteve expressivos 23,53%.
Em terceiro lugar, com 15,99% dos votos, aparece João Cotrim de Figueiredo, eurodeputado da Iniciativa Liberal, seguido pelo almirante Henrique Gouveia e Melo, independente que ganhou notoriedade ao coordenar a campanha nacional de vacinação contra a covid-19 (12,33%).
Em quinto, ficou Luís Marques Mendes, apoiado pelo governista Partido Social Democrata (PSD), de centro-direita (11,30%).
Mais votado neste domingo, Seguro se apresenta como candidato moderado e fez campanha apelando ao "voto útil" da esquerda.
"Com a nossa vitória venceu a democracia e voltará a ganhar a 8 de fevereiro", afirmou Seguro, em seu discurso de vitória. Em seguida, ele convidou "todos os democratas, progressistas e humanistas" a juntarem-se no apoio à sua candidatura para derrotar "o extremismo e quem semeia divisões", segundo o jornal português Público.
Mas a grande novidade dessa eleição é a chegada ao segundo turno de Ventura, que ganhou projeção nos últimos anos com discurso anti-imigração de direita radical.
Por volta das 20h30 de Lisboa (17h30 de Brasília), Ventura fez as primeiras declarações, ainda antes da confirmação do resultado.
"É sinal que a direita acordou, que vamos ter uma nova direita em Portugal e que hoje começa a outra batalha, que é a batalha da segunda volta das eleições presidenciais", afirmou.
Fundado em 2019, o Chega já havia ampliado sua votação de 1,3% para mais de 20% em 2025, com um discurso denunciando a corrupção das "elites" políticas e a favor do endurecimento das políticas de segurança e controle do que considera uma imigração "descontrolada".
Nas eleições legislativas de 2025, o partido de direita já havia conquistado 60 cadeiras no Parlamento, tornando-se a segunda maior força política do país, atrás da coligação de centro-direita Aliança Democrática (AD), liderada pelo PSD.
Ventura chegou a assumir a dianteira da disputa eleitoral nos últimos dias de campanha, prometendo colocar "os portugueses primeiro" na agenda política do país. Acabou superado por Seguro nas urnas, mas com votação expressiva.
Apesar do forte desempenho da direita radical neste domingo, analistas políticos ouvidos pela BBC News Brasil antes do primeiro turno avaliavam como improvável a vitória de Ventura na segunda volta, dado seu índice de rejeição, superior a 60%.
Alguns dos candidatos derrotados no primeiro turno expressaram já no domingo seu apoio a Seguro na segunda rodada das eleições, caso de António Filipe, Jorge Pinto e Catarina Martins.
"Percebo que todos os democratas fiquem preocupados com esta radicalização da direita em Portugal e esta reconfiguração. Devo dizer-lhes que acho que a resposta adequada, neste momento, é votar na segunda volta em António José Seguro, com os olhos bem abertos", afirmou Martins, segundo o Público.
Marques Mendes, por sua vez, optou por não declarar voto.
"Não vou fazer o endosso dos votos que me foram hoje conferidos. Tenho a minha opinião pessoal, mas enquanto candidato, não sou dono dos votos que em mim foram depositados", afirmou, também de acordo com o jornal português.
Já Gouveia e Melo, quarto colocado na disputa, disse ser cedo para se posicionar.
"Vou reservar isso para outro momento mais tarde", disse o almirante.
( da redação com informações da BBC. Edição: Política Real)