31 de julho de 2025
Brasil e Poder

DESTAQUES DO DIA: Mercados globais com sinais mistos e no Brasil atenção para divulgação da Ata do Copom

Veja os números

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Mercados com sinais mistos

(Brasília-DF, 14/12/2022) A Política Real teve acesso ao relatório “Moorning Call” da XP Investimentos apontando que os mercados globais estão sem direção clara e no Brasil atenção a divulgação da Ata do Copom e avaliação da indicação de Aloízio Mercadante ao BNDES.

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Mercados globais amanhecem sem direção definida (EUA 0% e Europa -0,6%) enquanto investidores avaliam se a inflação ao consumidor recuou o suficiente para o Federal Reserve desacelerar o aperto monetário. O CPI, que mede a inflação ao consumidor americano, foi divulgado ontem e diminuiu para 7,1% no acumulado anual, em comparação a 7,7% no mês anterior. Hoje, teremos o anúncio da decisão de política monetária do Fed. O consenso dos analistas espera um aumento de 50 pontos-base na taxa de juros dos EUA e, o foco deverá ficar nas projeções para a taxa de juros terminal e o discurso do presidente Powell. Na Europa, o destaque ficará por conta da divulgação dos dados da inflação ao consumidor e ao produtor no Reino Unido. Na China, o índice de Hang Seng (+0,4%) encerra em leve alta, ainda reverberando o rali do dia anterior nas bolsas globais. Na agenda econômica chinesa teremos os dados de produção industrial, investimentos e vendas do varejo.

Commodities

As cotações do petróleo operam com leve baixa, depois que dados da indústria mostraram um grande aumento nos estoques de petróleo dos Estados Unidos, em vez do declínio previsto pelos analistas, reforçando os temores sobre o enfraquecimento da demanda, mesmo com o aperto na oferta. Os estoques de petróleo dos EUA aumentaram cerca de 7,8 milhões de barris na semana encerrada em 9 de dezembro, segundo fontes do mercado citando dados do API, enquanto analistas consultados pela Reuters esperavam uma queda de 3,6 milhões de barris nos estoques.

Já os preços do minério de ferro revertem queda das sessões anteriores e operam em alta, com esperanças de uma recuperação da demanda chinesa com o relaxamento das restrições do Covid-19.

Inflação ao Consumidor nos EUA

Nos EUA, a Inflação ao Consumidor (CPI) subiu 0,1% em relação a outubro e 7,1% em relação ao ano anterior, abaixo da expectativa do mercado e atingindo seu nível mais baixo em 2022. Esses números reforçam cenário de uma redução no ritmo das altas dos juros pelo Fed – um aumento de 0,50 p.p. é amplamente esperado nesta quarta-feira, após quatro aumentos consecutivos de 0,75 p.p. – e provavelmente facilitará a orientação futura no comunicado pós reunião, sugerindo que as taxas de juros estão próximas de níveis suficientemente altos para esfriar a demanda agregada e garantir a convergência da inflação de volta à meta.

Nos Estados Unidos, hoje ocorre a reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), que deve decidir sobre a política monetária do país. Agentes do mercado apostam que o Federal Reserve (Fed) vai desacelerar o ritmo de alta de 0,75 p.p. para 0,50 p.p., uma ligeira queda em relação aos quatro aumentos anteriores.

BOVESPA -1,71% | 103.539 Pontos.  CÂMBIO +0,07% | 5,32/USD

Na agenda doméstica, às 9 horas temos a divulgação do IBC-Br, proxy do Produto Interno Bruto (PIB), de outubro.

Brasil

O Ibovespa se descolou do mercado internacional e registrou mais uma queda acentuada no pregão de ontem, de 1,71%, aos 103.539 pontos, com destaque para as quedas dos setores de bancos o varejo, e da Petrobras. Da mesma forma, o dólar fechou em alta de 0,07% a R$ 5,315, apesar de o Dollar Index (DXY), que compara a força da moeda americana frente a outras de países desenvolvidos, ter caído 1,07%, aos 104.01 pontos.

Na curva de juros, as taxas futuras tiveram mais um dia de alta, com as taxas ultrapassando o patamar de 13% também nos vértices mais longos. O anúncio de que o ex-ministro Aloizio Mercadante será o novo presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ocasionou grande volatilidade nos títulos públicos prefixados e atrelados à inflação do Tesouro Direto, causando suspensão temporária pelo segundo dia consecutivo. DI jan/23 fechou em 13,656%; DI jan/24 foi para 13,88%; DI jan/25 encerrou em 13,3%; DI jan/27 fechou em 13,05%; e DI jan/29 foi para 13,1%.

O cenário local de aversão a risco contempla os últimos fatos dos campos monetário e político. O Copom divulgou ontem a ata de sua última reunião, adicionando elementos hawkish, ou seja, mais contracionistas. Enquanto a PEC da Transição segue em negociação na Câmara, foi aprovado na noite de ontem um projeto de lei que altera a Lei das Estatais e libera o ex-ministro Aloizio Mercadante para assumir a presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A proposta foi alterada para incluir uma redução no tempo de quarentena para indicados ao comando de empresas públicas que tenham participado de campanhas eleitorais.

Ata do Copom

O Copom divulgou ontem (13) a ata de sua última última reunião O documento trouxe sinal parecido com o comunicado pós-reunião: o ajuste monetário já feito parece suficiente para trazer a inflação para a trajetória de metas, mas se a convergência não ocorrer como o esperado, principalmente por conta dos riscos fiscais, o Copom não descarta mais aperto à frente.

Na visão do time de economia da XP, a ata adicionou elementos hawkish em relação ao comunicado da semana passada e reforça nossa leitura de que o aumento do risco fiscal pode comprometer a convergência da inflação no médio prazo e exigir uma postura dura do comitê, e a projeção é de que a taxa Selic permaneça em 13,75% até o 1T24.

(da redação com informações de assessoria. Edição: Genésio Araújo Jr.)