31 de julho de 2025
Brasil e Economia

DESTAQUES DO DIA: Mercados globais com sinais mistos e no Brasil atenção ao resultado do Copom e a aprovação da PEC da Transição, com folga, no Senado

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Mercados com sinais mistos

(Brasília-DF, 08/12/2022)  A Política Real teve acesso ao relatório “Moorning Call” da XP Investimentos apontando os mercados globais em sinais mistos e no Brasil atenção para avaliações da decisão do Copom e a votação da PEC da Transição, com folga, no Senado.

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Bolsas internacionais amanhecem mistas (EUA +0,1% e Europa -0,1%), ainda pressionados por temores de uma recessão econômica. Nos EUA, hoje teremos a divulgação dos dados semanais de pedidos de seguro-desemprego. Na China, o índice de Hang Seng (+3,4%) encerra em alta, após as autoridades de saúde do país anunciarem novas medidas de flexibilização da política de zero-covid. Pessoas com sintomas moderados e assintomáticas poderão agora fazer quarentena em suas residências e não precisarão se apresentar nas instalações governamentais. Na agenda econômica, hoje teremos as divulgações dos dados da inflação ao consumidor (CPI) e ao produtor (PPI).

IBOVESPA -1,02% | 109.069 Pontos.  CÂMBIO -1,21% | 5,21/USD

Os mercados amanhecem mistos, ainda pressionados por temores de uma recessão econômica, mas com expectativas de encerramento da política de covid zero na China. No Brasil, assim como amplamente esperado, a decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil – Copom foi de manter a Selic em 13,75%, com comunicado reforçando preocupação com a dinâmica fiscal e com o impacto sobre preços dos ativos e inflação. Sendo assim, o dia deve ser pautado pela aprovação da PEC da Transição no Senado, que ocorreu ontem e manteve texto do relator na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), com impacto de R$ 168 bilhões por dois anos. O texto seguirá para a Câmara dos Deputados.

Brasil

O Ibovespa fechou em queda de -1,02% aos 109.069 pontos, novamente na contramão do mercado americano. Os dados de produção da Vale pressionaram as ações da companhia desde a manhã, fechando em queda de -3,56% e pesando sobre o desempenho do índice. Pesaram também a queda da Petrobras (- 1,51%) e de grandes bancos. O dólar encerrou o dia com queda de 1,21% a R$ 5,21. A curva de juros brasileira também teve dia de queda, revertendo o movimento do pregão anterior. O recuo acentuado nos vértices mais curtos refletem a perspectiva de um impacto fiscal menor da PEC da Transição do que o esperado anteriormente. DI jan/23 fechou em 13,664%; DI jan/24 foi para 13,865%; DI jan/25 encerrou em 13,05%; DI jan/27 fechou em 12,715%; e DI jan/29 foi para 12,75%.

COPOM mantém Selic em 13,75%

O Copom manteve a taxa Selic em 13,75%, conforme amplamente esperado. O comunicado pós-decisão destacou riscos fiscais crescentes no ambiente doméstico. Entendemos que ainda é cedo para que o Copom altere sua postura em relação à política monetária, devendo manter a taxa básica de juros no atual nível por um longo período. Acreditamos que o banco central manterá a abordagem de “esperar para ver”, até que haja sinais claros sobre o futuro cenário fiscal.    

PEC da Transição aprovada no Senado

O Senado Federal aprovou ontem à noite a “PEC da Transição”, em dois turnos, nos mesmos moldes acordados na CCJ na terça-feira. Destaques apresentados à matéria, que visavam promover alterações no valor e no prazo de validade da PEC, foram rejeitados. O texto seguirá para a Câmara dos Deputados.

Macro Mensal

Publicamos nesta manhã o relatório Brasil Macro Mensal, com revisões nas principais variáveis macroeconômicas. Entre os destaques, a política fiscal mais expansionista deve postergar o espaço para cortes de juros. Prevemos agora que a taxa Selic permanecerá em 13,75% até o final de 2023 (10,00% antes), e que recuará gradualmente apenas em 2024. Porém, se o regime fiscal mudar, os juros nominais podem ficar mais altos por mais tempo. Neste caso, o Banco Central pode inclusive retomar o ciclo de alta de juros no ano que vem.

Mercado em Gráfico

Em meio a um cenário de volatilidade econômica e alta dos juros, com a taxa básica Selic chegando a 13,75% ao ano, o Brasil registrou apenas uma oferta primária (IPO) no ano de 2022. Após ter captação recorde com IPOs no ano de 2021, o mercado brasileiro amargou o pior número dos últimos 5 anos, contando apenas com o IPO da Urca Real Estate Holdings Company, que atua com investimentos no mercado imobiliário dos EUA, e lançou seus BDRs em mercado brasileiro. Com juros na casa dos dois dígitos, os investidores voltaram suas atenções para o mercado de renda fixa, que atualmente entrega bons retornos com riscos mais baixos, desaquecendo o mercado de ações. Para o ano que vem, a expectativa é que o mercado de ações volte a se aquecer com novos IPOs, caso a taxa de juros volte a cair. É importante lembrar que, com os riscos fiscais brasileiros no radar, o mercado passou a precificar uma possível alta nos juros em parte de 2023 e uma maior demora no movimento de redução nos juros pelo Banco Central.

( da redação com informações de assessoria. Edição: Genésio Araújo Jr.)