31 de julho de 2025
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CPI DA PANDEMIA: Dimas Covas diz que Butantan começou a fazer ofertas de vacinas em julho de 2020; segundo Covas, Brasil poderia ter sido um dos primeiros a vacinar seu povo ainda em dezembro

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( Publicada originalmente às 10h 55 do dia 27/05/2021) 

(Brasília-DF, 28/05/2021) O diretor-presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, informou aos senadores da CPI da Pandemia no Senado na manhã desta quinta-feira, 27, que ainda em julho de 2020 foi realizada oferta para o Governo do Brasil de vacinas contra o covid-19.  Ele informou que o Brasili poderia ter sido um dos primeiros países do mundo a começar a vacinação de sua população.

“Então, eu mandei um ofício, no dia 30 de julho de 2020, em que, entre os considerandos, ressaltamos a importância de tomar essa iniciativa num momento que ainda não se tinha vacina, – então, nós estamos falando de 2020 – e ofertamos, naquele momento, 60 milhões de doses, que poderiam ser entregues no último trimestre de 2020. Sessenta milhões de doses, no último trimestre de 2020. Julho de 2020.”, disse, inicialmente.

Dimas Covas explicou que buscava adiantar as tratativas com o Governo do Brasil pois desejava a parceria para levar adiante ensaio clínicos que poderia acelerar mais ainda o fornecimento de vacinas.

“Um pouquinho depois, como não houve aí uma resposta efetiva, nós reforçamos o ofício e, em agosto, nós solicitamos, além de reforçar o ofício, apoio financeiro ao ministério para apoiar o estudo clínico. Um estudo clínico dessa dimensão custa muito caro, tá? Nós tínhamos uma previsão de gastar em torno de R$100 milhões nesse estudo clínico. Então, nós solicitamos um apoio do ministério no sentido de que permitisse a gente suportar esses gastos e solicitamos também um apoio para reformar uma fábrica, porque no nosso acordo nós iríamos, num primeiro momento, receber vacinas prontas; num segundo momento, matéria prima e, num terceiro momento, produzir integralmente. Tínhamos lá uma fábrica, uma fábrica que era destinada a um outro tipo de produto. Eu falei: "Mas nós podemos reformar essa fábrica que está desativada nesse momento, muito rapidamente, para produção da vacina em 2021". Então, solicitei também recursos, na época, de 80 milhões, para que fosse feito um apoio a essa iniciativa.”, disse.

Ele informou que não houve respostas, porém mais adiante houve um início de tratativas mais técnicas para em outubro de 2020 se abrir a possibilidade de uma contratação.

“Quer dizer, todas essas iniciativas não tiveram resposta positiva. Quer dizer, eles responderam, sim, que poderiam avaliar, que existia a necessidade de avaliar a situação epidemiológica do Brasil, e até foi feito um oferecimento de nós submetermos um pedido ao Procis, um pedido de equipamentos ao Procis, não especificamente para uma fábrica de vacina para o Covid, mas para uma fábrica multipropósito. Isso começou a ser tratado com o ministério, inclusive, com trocas, visitas de técnicos ao ministério, visitas das pessoas do Butantan ao ministério, e desembocou, vamos dizer assim, na parte, aí, já em outubro, numa sinalização – muito positiva naquele momento – de que a vacina poderia ser, sim, incorporada e que poderia haver algum apoio no sentido de construção, do apoio à construção.”, disse.

Dimas Covas informou que em outubro de 2020 tentou, novamente, um acordo e refez documento em que se poderia entregar 45 milhões de doses em dezembro de 2020 para o Governo do Brasil.

“Então, eu refiz um outro ofício, no dia 7 de outubro, reafirmando os ofícios anteriores e oferecendo 100 milhões de doses. Em 7 de outubro, eu enviei novamente um ofício ao Ministério, historiando e ofertando 100 milhões de doses, sendo que, desses 100 milhões, 45 seriam produzidas no Butantan até dezembro de 2020, 15 milhões de doses no final de fevereiro e 40 milhões adicionais até maio deste ano. Então, essa oferta foi...”, disse.

Ele foi interrompido pelos senadores e sumarizou sendo preciso sobre a data em que o Butantan e o Ministério da Saúde tiveram o interesse da compra confirmado.  

“Então, isso foi no dia 7 de outubro. Na sequência disso, houve, de fato, uma sinalização de que poderíamos evoluir, inclusive, com a possibilidade de existir uma medida provisória para atender esses pleitos. Então, houve intensas tratativas das equipes técnicas. Eu participei de algumas dessas iniciativas, discutindo com os técnicos do ministério como seria a provisão de recursos para o atendimento dessa demanda.”, disse.

( da redação com informações de assessoria. Edição: Genésio Araújo Jr)