CPI DA PANDEMIA: Eduardo Pazuello disse que Bolsnaro nunca lhe deu ordem para não comprar a coronavac; Pazuello disse que as manifestações de Bolsonaro foram “posição de agente político na intenet”
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( Publicada originalmente às 12h 00 do dia 19/05/2021)
(Brasília-DF, 20/05/2021) O senador Renan Calheiros(MDB-AL) questionou o general Eduardo Pazuello no final da manhã desta quarta-feira,19, na CPI da Pandemia no Senado sobre o famoso episódio “É simples assim: um manda e outro obedece", dito pelo ex-ministro sobre não ter realizado a compra da vacina coronavac do Instituto Butantan. Pazuello disse que o presidente Jair Bolsonaro( sem partido). Nunca determinou que ele não comprasse o imunizante.
Calheiros lembrou que Bolsonaro falou publicamente que não era para comprar o imunizantes, tanto nas redes sociais como em entrevistas, como é conhecido. Pazuello disse que era declaração de agente público na internet.
“Não foi formalizado nem foi interrompido nada no Ministério. Nunca houve a ordem. Aquilo foi apenas uma posição do agente político na internet.”, afirmou
Veja o diálogo entre o senador Renan Calheiros e o ex-ministro Eduardo Pazuello:
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – ... seja pela já demonstrada demora na compra de imunizantes ou pelas repetidas declarações do Presidente da República. Depois de V. Exa., em 19 de outubro de 2020, assinar e anunciar publicamente o protocolo de intenções para a compra de 46 milhões de doses da vacina CoronaVac, o Presidente da República declarou que não as compraria, ao que V. Exa. respondeu na oportunidade: "É simples assim: um manda e outro obedece". Pergunto: V. Exa. poderia descrever esse episódio em detalhes?
O SR. EDUARDO PAZUELLO – Com certeza.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Por favor.
O SR. EDUARDO PAZUELLO – Começo colocando na reunião do dia 20 com todos os Governadores... Foi uma reunião muito exitosa, onde nós estávamos discutindo o nosso PNI e como nós estávamos fazendo a compra de vacinas. E, naquele momento – naquele momento –, eu tinha assinado, ainda no começo de outubro, a carta de intenções com o Butantan, que era uma carta de intenções para a compra de 46 milhões de doses, como o senhor colocou – já havia assinado. E não era um contrato, tá? Eu não poderia fazer o contrato, não tinha as disposições legais para fazer contrato ainda. Explico que essas disposições legais só chegaram naquela MP que foi promulgada para comecinho de janeiro, que o senhor colocou – se eu não me engano, 1.046; eu não tenho certeza do número.
Então, não havia condições de fazer o contrato. Então, nós vínhamos negociando com Butantan o tempo todo, toda semana tinha reuniões com Butantan, e aquela reunião, e aquele momento foi a carta de intenções. Quando nós fechamos a carta de intenções, eu coloquei isso para os Governadores.
Naquele momento, houve um vídeo gravado pelo Governador de São Paulo e esse vídeo era um vídeo com uma posição política do Governador, colocando que: "Tá vendo? Comprou. Disse que não ia comprar, que vai comprar, que não vai comprar". E isso causou uma reação na discussão.
E naquele momento eu estava com Covid – estava com Covid –, estava no segundo, no terceiro dia, e o Presidente foi me visitar. Quando ele chegou na visita, nós estávamos conversando e a discussão era aquela, que a internet estava bombando, dizendo quem manda, quem manda, quem manda em quem.
Então, na verdade, aquilo é só um jargão militar, é apenas uma posição de internet e mais nada, sentado num quarto, colocando que ele manda e o outro obedece; quem manda é ele, e eu obedeço. Aquilo é um jargão simplório, colocado para discussões de internet.
Eu coloco... Eu queria colocar uma coisa para os senhores: acreditem, nunca o Presidente da República mandou eu desfazer qualquer contrato, qualquer acordo com o Butantan – em nenhuma vez. E eu gostaria de colocar aqui uma coisa diretamente ou por documento, ou por qualquer um. Eu queria colocar aqui, queria lembrar que o Presidente da República fala como chefe de Estado, fala como chefe de Governo, fala como Comandante em Chefe das Forças Armadas, chefe da administração federal, mas fala também como agente político – ele se pronuncia como agente político. Então, quando ele se pronuncia, quando ele recebe uma posição de um agente político de São Paulo, ele se posiciona como agente político também daqui para lá. Então, eu queria dizer que a posição de agente político dele ali não interferiu em nada do que nós estávamos falando com o Butantan. Nós temos reunião com o Butantan semanalmente, idas e vindas, desde então, por novembro e dezembro, sem parar. Isso aí é a realidade e depois eu posso, de alguma forma, mostrar para os senhores o tamanho disso.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Ministro, de que forma, sem pretender interrompê-lo...
O SR. EDUARDO PAZUELLO – Eu já terminei.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – ... de que forma o Presidente lhe comunicou dessa decisão?
O SR. EDUARDO PAZUELLO – Nunca comunicou nada disso.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Da decisão de que não poderia comprar?
O SR. EDUARDO PAZUELLO – Não, não.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Nunca falou?
O SR. EDUARDO PAZUELLO – Nunca falou para que eu não comprasse um ai do Butantan.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Mas ele falou publicamente.
O SR. EDUARDO PAZUELLO – Ele falou publicamente; para o ministério ou para mim, nunca, até porque eu não tinha comprado nada, até porque eu não podia comprar nada. Esse é o fato, pode não agradar, mas é verdade.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – V. Exa. realmente acatou ou não acatou a ordem presidencial?
O SR. EDUARDO PAZUELLO – Ele não me deu ordem para não comprar nada, Senador. Já falei.
O SR. EDUARDO PAZUELLO – Ele não me deu ordem para não comprar nada, Senador. Já falei!
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Como foi formalizado o cumprimento dessa decisão?
O SR. EDUARDO PAZUELLO – Não foi formalizado porque nunca foi efetuada a ordem.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – V. Exa. produziu algum documento interno do Ministério para interromper...
O SR. EDUARDO PAZUELLO – Não foi formalizado nem foi interrompido nada no Ministério. Nunca houve a ordem. Aquilo foi apenas uma posição do agente político na internet.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Qual foi a justificativa técnica dada para que a compra não fosse efetivada?
O SR. EDUARDO PAZUELLO – Não havia compra, não havia contrato. Só havia o termo de intenção de compra, e foi mantido dessa maneira, dessa forma.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – V. Exa., em alguma oportunidade, insurgiu-se contra a ordem do Presidente ou concorda com ela?
O SR. EDUARDO PAZUELLO – Nunca foi dada essa ordem, Senador.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Publicamente, foi! Foi postada e...
O SR. EDUARDO PAZUELLO – Nunca foi dada.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – ... defendida em lives.
O SR. EDUARDO PAZUELLO – Vou explicar para o senhor: uma postagem na internet não é uma ordem. Uma ordem é uma ordem direta verbal ou por escrito. Nunca foi dada. Nunca!
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Então, V. Exa. não tem como concordar ou não com ela porque ela nunca foi dada?
O SR. EDUARDO PAZUELLO – Nunca foi dada.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Está bom.
( da redação com informações de assessoria. Edição: Genésio Araújo Jr)