CPI DA PANDEMIA: Barra Torres diz que arrependeu de ter aparecido em manifestação no início da pandemia sem máscaras, em evento no Palácio do Planalto
Ele disse que fez uma visita ao Presidente da República e que a legislação não obrigava o uso de máscaras
( Publicada originalmente às 11h50 do dia 11/05/2021)
(Brasília-DF, 12/05/2021) O diretor-presidente da Anvisa(Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Antonio Barra Torres, que é a testemunha desta terça-feira, 11, na Comissão Parlamentar da Pandemia no Senado, afirmou, ao ser questionado pelo relator do colegiado senador Renan Calheiros(MDB-Al) sobre sua participação de evento em 15 de março de 2020, no início da pandemia, que foi considerado uma “manifestação anti-democrática” ao lado do President Jair Bolsonaro(sem partido), sem máscaras – na oportunidade apoiadores do presidente da República exibima faixas contra o Congresso, contra o STF e pedindo intervenção militar com Bolsonaro no poder – ele disse que se tivesse pensado mais teria evitado a situação. Ele disse que na épica a legislação não exigia o uso obrigatório de máscaras.
“É óbvio que, em termos da imagem que isso passa, eu, hoje, tenho plena ciência de que, se pensasse por mais cinco minutos, eu não teria feito, até porque esse assunto nem era um assunto que necessitasse de urgência para ser tratado. De minha parte, digo que foi um momento em que não refleti sobre a questão da imagem negativa que isso passaria. E, certamente, depois disso, nunca mais houve esse tipo de comportamento meu, por exemplo.”, disse em parte da conversa/perguntas feitas pelo senador Calheiros
Confira o diálogo entre o Amirante Barra Torres e o senador Renan Calheiros
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – No início da pandemia, em 15 de março de 2020, V. Sa. foi fotografado em uma manifestação a favor do Presidente da República, sem máscara e diante de uma grande aglomeração de pessoas, apesar das recomendações de sentido contrário. Pergunto a V. Sa.: como autoridade sanitária, V. Sa. compartilha do posicionamento do Presidente da República contrário às medidas de distanciamento social e à utilização de máscara?
O SR. ANTONIO BARRA TORRES – Senador, destarte a amizade que tenho pelo Presidente, a conduta do Presidente difere da minha nesse sentido. As manifestações que faço têm sido todas no sentido do que a ciência determina. Na última live de que participei com o Presidente, inclusive, permaneci o tempo todo de máscara, o que causou até uma certa estranheza por parte de alguns integrantes da imprensa, a ponto de comentarem isso, até com referência elogiosa. Então, são formas diferentes, de pessoas diferentes.
Agora, quanto ao evento especificamente que V. Exa. apontou, naquela época, em março, especificamente no dia 15 de março de 2020, o que preconizava o Ministério da Saúde, tornado explícito em 13 de março, era o seguinte: máscaras faciais devem ser utilizadas por profissionais da saúde, cuidadores de idosos, mães amamentando e pessoas diagnosticadas com coronavírus. Não havia, no mês de março, o consenso geral do uso de máscaras por parte da população. Se formos buscar fotografias e coisas daquela época, veremos que isso não havia. O comércio estava aberto. Naquele dia, inclusive, o meu planejamento era fazer supermercado e depois almoçar em algum restaurante, porque eu não tenho cozinha em casa.
O comércio estava aberto. Naquele dia, inclusive, o meu planejamento era fazer supermercado e depois almoçar em algum restaurante, porque eu não tenho cozinha em casa.
Então, o regramento quanto ao uso de máscara era esse aí. A própria Organização Mundial de Saúde, pouco antes, no dia 29 de janeiro, havia, inclusive, colocado dúvida quanto a essa eficácia. Esse foi um processo que veio evoluindo ao longo do tempo, e hoje ninguém mais tem dúvida quanto ao uso de máscara. No Distrito Federal, por exemplo, isso se torna obrigatório somente em abril. Eu não estou dizendo isso para justificar alguma coisa. Estou dizendo apenas para situar o arcabouço legal e regulatório daquela época.
Também contrariando o que até recentemente a imprensa cita, que eu compareci a manifestações, no plural, isso não é verdade. Eu estive no Palácio do Planalto, em conversa particular com o Presidente naquele dia. Havia, sim, uma manifestação na área na frente do Palácio do Planalto. E, quando cheguei, o Presidente deslocou-se para a proximidade dos seus apoiadores, o que é comum. O Presidente tem essa interação com o público. Ele fez isso e faz isso diversas vezes. Eu o cumprimentei com o cotovelo, que era o cumprimento preconizado na época; ainda não se usava esse toque de mão. Tirei algumas fotos. Aguardei que ele terminasse ali a interação com seus apoiadores. Tratamos do assunto que tínhamos a tratar, e cada um foi para o seu lado.
É óbvio que, em termos da imagem que isso passa, eu, hoje, tenho plena ciência de que, se pensasse por mais cinco minutos, eu não teria feito, até porque esse assunto nem era um assunto que necessitasse de urgência para ser tratado. De minha parte, digo que foi um momento em que não refleti sobre a questão da imagem negativa que isso passaria. E, certamente, depois disso, nunca mais houve esse tipo de comportamento meu, por exemplo.
Mas sobre o fato em si, a questão da máscara, em que é sempre batido, não havia esse uso disseminado no época. Eu busquei ali manter toda a distância que fosse possível e usar os cumprimentos cabíveis também naquela época.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Eu já estou encerrando.
O posicionamento de V. Sa. reproduz aqui no Brasil o que aconteceu com o Comandante do Exército norte-americano que, certa vez, foi fotografado com o Presidente Donald Trump. Ele deu uma entrevista coletiva, pediu desculpas e disse que não poderia ter deixado se fotografar, que aquilo seria muito ruim para a instituição.
Não se justifica a presença do representante da maior instituição de vigilância sanitária do Brasil em um evento desse tipo. Claramente, o Presidente da República queria passar uma mensagem para a sociedade e acabou, com as presenças de V. Sas., passando, coletivamente, essa mensagem, o que acabou sendo muito ruim para o País e para a própria agência. Mas eu concordo com V. Sa., e V. Sa. demonstra, pelas palavras, que se arrepende de ter estado presente naquela manifestação.
( da redação com informações de assessoria. Edição: Genésio Araujo Jr)