31 de julho de 2025
Brasil e Poder

BRASIL X CHINA: Chanceler Pedro França disse que Bolsonaro garantiu a ele que não se referiu a China em “guerra biológica”; ele esteve na Comissão de Relações Exteriores do Senado

A senador Kátia Abreu(Progressistas-TO), que comanda o colegiado, disse que não conseguiu dormir ao tomar conhecimento da fala presidencial

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( Publicada originalmente às 12h 00 do dia 06/05/2021) 

(Brasília-DF, 07/05/2021)  O ministro das Relações Exteriores, Carlos França, afirmou hoje,6, na Comissão de Relações Exteriores do Senado Federal, após questionamento da senadora Kátia Abreu(Progressistas-TO) sobre a declaração do presidente Jair Bolsonaro(sem partido) nessa quarta-feira, 5, de que haveria uma guerra biológica na pandemia sugerindo que ela viesse da China – que o Presidente disse a ele que não fez referência ao país que vem a ser o maior parceiro econômico do país.

França disse que Bolsonaro garantiu que "nossas relações com a China devem continuar sendo as melhores" e que não teria se referido especificamente ao país quando mencionou a "guerra biológica".

A senadora Kátia Abreu (PP-TO) considerou a fala de Bolsonaro uma "acusação muito grave" e disse que "nem dormiu direito" por temer algum tipo de retaliação do governo chinês. A principal preocupação da senadora é que a grande exportação de setores de nossa economia para a China, especialmente o agronegócio, possa ser prejudicada.

Kátia revelou que desde que o presidente fez essas declarações, ela foi procurada por centenas de grandes exportadores brasileiros para a China, que mandaram mensagens e fizeram ligações telefônicas, preocupados com as consequências da fala de Bolsonaro. A senadora acrescentou que se em 2020 o Brasil teve um superavit na balança comercial que superou U$ 50 bilhões, foi graças à China.

“Sem as compras chinesas, o superavit teria sido de U$ 18 bilhões. A China é nosso maior parceiro comercial desde 2009, e o Brasil precisa entender que o crescimento deles nos favorece. Se a China crescer 5% por ano nos próximos 10 anos, o aumento de nossas exportações será ainda mais exponencial “, detalhou.

Kátia Abreu, usando roupa típica da China, faz consoderações  França no Senado

Em resposta à senadora, o ministro das Relações Exteriores concordou com o diagnóstico de Kátia de que o crescimento chinês favorece o Brasil. Ele fez várias considerações sobre a relação com a China

“O comércio bilateral cresceu em 2020, apesar da pandemia, para volume recorde de US$ 102,5 bilhões, com saldo superavitário para o Brasil de US$ 33 bilhões. Queremos um relacionamento econômico e comercial maior e mais diversificado com a China. Nossas exportações, ainda concentradas em poucos produtos primários, poderão expandir-se em quantidade e em variedade”, disse o chanceler.

Ele falou mais.

“Em 2020, a China absorveu 32,3% de exportações brasileiras, o que propiciou ao nosso país superávit comercial de US$ 33,8 bilhões. O Brasil responde hoje por 4% de tudo que a China importa, e esse número cresce para 22% no caso do agronegócio. Temos espaço para avançar. Caso a China cresça a uma taxa anual de 4,6% na próxima década, as exportações podem saltar de US$ 34 bilhões ao ano, para US$ 53 bilhões. Nada nem ninguém pode vetar, atrapalhar ou impedir essa grande perspectiva para nosso país”, disse a senadora ao abrir a audiência.

França disse  que o Brasil não tem "nenhum problema político com a China" e disse que conversou nesta quinta com o embaixador brasileiro em Pequim, Paulo Estivallet.

“O diplomata Estivallet me deu excelentes notícias: 80% dos insumos farmacêuticos (IFAs) fabricados pela China são enviados ao Brasil. Em contato que teve com autoridades chinesas hoje, Estivallet me comunicou que eles continuarão priorizando nosso país”, esclareceu França.

( da redação com informações de assessoria. Edição: Genésio Araújo Jr)