31 de julho de 2025
Brasil e Poder

CPI DA PANDEMIA: “Só deve ter preocupação [com a CPI] os aliados dos vírus. Quem não foi aliado do vírus não deve ter nenhuma preocupação”, diz Renan

Emedebista alagoano ressaltou que se “nós nos depararmos com desvios de recursos” repassados pelo governo federal a estados e municípios, serão criadas sub-relatorias

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( Publicada originalmente às 19h 35 do dia 29/04/2021) 

(Brasília-DF, 30/04/2021) O senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) – criada para investigar os possíveis crimes, irregularidades e omissões dos governos federal, estaduais e municipais durante o enfrentamento da pandemia do novo coronavírus (covid-19), que já matou mais de 401 mil brasileiros – afirmou nesta quinta-feira, 11, que “só deve ter preocupação [com o colegiado] os aliados dos vírus. Quem não foi aliado do vírus não deve ter nenhuma preocupação”.

A declaração do emedebista alagoano aconteceu após ser questionado sobre uma suposta manifestação do Clube Militar, que teria afirmado que a CPI da pandemia é o “poder das trevas” que quer “destruir nossa nação”. Renan frisou que não é o objetivo da comissão “investigar militares” e que “essa narrativa do governo está completamente errada, equivocada”. Segundo ele, o colegiado irá apurar “fatos” e não “pessoas”, muito menos “instituições”.

“Nós não vamos investigar os militares. [Essa narrativa de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido)] objetiva apenas uma propaganda e ontem [28] deixei claro a todos e aos membros da comissão parlamentar de inquérito também, que nós não vamos investigar instituições. Não vamos investigar pessoas. Nós vamos conferir fatos. Esse é o papel da comissão parlamentar de inquérito. (…) Só deve ter preocupação os aliados dos vírus. Quem não foi aliado do vírus não deve ter nenhuma preocupação”, falou.

Sub-relatorias

O relator da CPI da pandemia, Renan Calheiros, ressaltou ainda que caso o colegiado se depare “com desvios de recursos” repassados pelo governo federal a estados e municípios, serão criadas sub-relatorias para analisar essas irregularidades. Mas destacou que o objetivo da comissão é apurar os motivos que levaram em um ano de pandemia o país ter mais de 400 mil mortes causados pela doença respiratória.

“[Se] nós nos depararmos com desvios de recursos. Se for da nossa competência, nós vamos apurar, nós vamos responsabilizar o que compete a comissão parlamentar inquérito fazer. Mas essa comissão não é para isso. Essa comissão é para investigar se houve omissão, se houve responsabilidade, se houve negligência do governo [federal] na condução da pandemia. Esse é o fato determinado, acrescido pelo despacho do presidente do Senado, senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG). Lembremos que nós aprovamos no ano passado aqui um plano de ajuda a estados e municípios, não é?”, complementou.

“Se for necessário criar as sub-relatorias, se existirem necessidades, se for necessário e a investigação puder ser feita pela comissão, pela totalidade da comissão pelo presidente, pelo relator, pelo vice-presidente, será [feito], mas se for necessário criar mais adiante uma sub-relatoria, nós vamos criar. [Mas] o problema da sub-relatoria é uma ficção, houve uma tentativa para dispersar o foco da CPI. Nós precisamos observar o que é que a sociedade vai entender se nós erramos a mão na investigação. Se nós investigarmos menos do que o fato determinado e mais essa responsabilidade [de apurar os supostos desvios dos recursos federais] que nós vamos todos ter que conduzir”, completou o emedebista alagoano.

Sem CPI do fim do mundo

Sobre a investigação a estados e municípios que supostamente desviaram recursos federais para o combate a pandemia, o senador Randolfe Rodrigue (Rede-AP) – vice-presidente da CPI – afirmou que tudo será investigado no tempo certo e se assim os fatos se encaminharem. O senador amapaense, que também é o líder da oposição ao governo do presidente Jair Bolsonaro (sem Partido), falou ainda que o colegiado não será transformado numa “CPI do fim do mundo” que tenta apurar tudo e não investiga nada.

“Um dos requerimentos foi do senador Ciro [Nogueira], que estabelece em relação às cidades e salvo, em melhor juízo, estabelecendo cidades com mais de 200 mil habitantes, então, aí percebe-se, que já tem uma delimitação e como já foi dito pelo relator, o que nós vamos atuar nesta CPI, a nossa atuação se restringe, vamos trabalhar isso, ao fato determinado e ao despacho do presidente Rodrigo Pacheco, ao que for fato conexos, Ninguém vai fazer e vamos trabalhar para não permitir isso, fazer dessa CPI, uma CPI do fim do mundo que não chega a mundo algum. A gente quer conceber que chega a um bom termo. Aliás, é dever moral e histórico nosso, pela circunstância que o Brasil vive, essas CPI chegar a um bom termo”, completou Randolfe.

“Por fim, nós acreditamos na lealdade das instituições das Forças Armadas do Brasil ao Estado Democrático de Direito. Isso é irreversível no país, desde a redemocratização. Então, não tem nenhum interesse e não terá e não está sob análise de investigação o Exército brasileiro, as instituições militares. Está sob investigação àqueles que foram responsáveis por ações e omissões, que nos levaram a tragédia de ser o segundo país do planeta com maior número de mortos”, finalizou o senador eleito pela Rede Sustentabilidade.

(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)