“Nós queremos saber por que a gente não comprou essas 70 milhões de vacina da Pfizer”, diz Omar Aziz
Presidente da CPI falou, ainda, que principal objetivo do colegiado é "saber por que não entramos nos consórcios, por que a gente não participou de compras de outras empresas que estão produzindo vacinas"
( Publicada originalmente às 11h 55 do dia 29/04/2021)
(Brasília-DF, 30/04/2021) O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), criada para investigar os possíveis crimes e omissões dos governos federal, estaduais e municipais durante o enfrentamento da pandemia do novo coronavírus (covid-19) – que já matou mais de 398 mil brasileiros, senador Omar Aziz (PSD-AM), afirmou nesta quinta-feira, 29, após a realização da primeira sessão de trabalho do colegiado que os parlamentares querem "saber por que a gente [Brasil] não comprou [...] 70 milhões de vacina" da Pfizer em agosto de 2.020.
Na oportunidade, o presidente da CPI falou, ainda, que principal objetivo da comissão é "saber por que não entramos nos consórcios, por que a gente não participou de compras de outras empresas que estão produzindo vacinas". Segundo ele, a CPI não investigará pessoas e, sim, fatos e os seus desdobramentos que poderão levar o país a encontrar soluções para minimizar a dor que as quase 400 mil mortes causarão. Omar Azziz reiteirou também que a CPI quererá saber por que o governo brasileiro não adotou, quando do surgimento da pandemia, as medidas necessárias para se promover barreiras sanitárias nos portos e aeroportos do país.
Ele disse que a CPI vai ter que ouvir o ex-secretário de Comunicação, Fábio Wajngarten.
"Na terça-feira que vem, depois da fala do ex-ministro Mandetta e do Teich, a comissão irá aprovar novos convidados para a partir do dia dez. Eu acho que foi isso, o resumo. Não tem nada de novo e, agora, aqui realmente começa o trabalho da CPI. (...) Até porque, hoje nós tentamos e conseguimos um acordo para que a gente inicie os trabalhos. A partir do momento em que se inicia os trabalhos, você vai obtendo informações e o desdobramento são naturais num processo de investigação. Fatos acontecem, vocês sabem que a gente investiga fatos e não pessoas. Então a gente pode encontrar nas investigações novos fatos. Mas será imprescindível a presença do senhor ex-secretário Fábio [Wajngarten] e da Pfizer", iniciou.
Ele destaca questionamentos, especialmente porque o Brasil não comprou as vacinas da Pfizer antes.
"Nós queremos saber por que a gente não comprou essas 70 milhões de vacina. Esse é o objetivo. Um dos objetivos é [saber os motivos] da falta de vacina, que inclusive em Manaus que teve [o primeiro colapso na rede hospitalar causada pela] pandemia toda está faltando vacina. Não tem vacina hoje. Então nós estamos atrás de soluções e [queremos] saber por que não entramos nos consórcios, por que a gente não participou de compras de outras empresas que estão produzindo vacinas. Esse é o objetivo principal. Sem pre-julgar ninguém. É o que o Brasil espera da gente. Então a questão dele vir, se vai ser na semana que vem, com certeza ele virá nos próximos dias por que é um fato determinante a falta de vacina", complementou.
Aziz diz que se vai trabalhar com uma cronologia.
"Nós fizemos uma cronologia, desde o início. Num primeiro momento o mundo ficou sabendo da pandemia que poderia vir desde o momento em que a Organização Mundial de Saúde decretou que era uma pandemia. O Brasil já sabia da pandemia e a gente quer saber quais providências que foram tomadas naquele momento. Do ponto de vista dos aeroportos, eu sei que não houve nenhuma barreira sanitária. Hoje o Brasil é proibido de entrar em vários países do mundo. Quer dizer, o Brasil sofre barreira sanitária em vários países do mundo, mas nós não fizemos o nosso dever de casa. Então é essa o norte da investigação. Por que não é à toa que nós tivemos a primeira onda muito forte, a segunda onda muito forte e não acaba a pandemia. Mesmo com a vacina, nós teremos que ter muitos cuidados para não adquirirmos o vírus", finalizou.
(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)