31 de julho de 2025
Brasil e Poder

Bolsonaro, em conversa com os apoiadores, ataca Lula, Argentina, CPI, imprensa, isolamento social, STF, governadores e prefeitos; ele prometeu ainda aumento no Bolsa Família

Presidente brasileiro falou também que a economia do país começa a reagir e que só se vacinará quando o último brasileiro for imunizado: “tenho que dar exemplo”

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( Publicada originalmente às 11h 00 do dia 28/04/2021) 

(Brasília-DF, 29/04/2021) Em conversa com apoiadores e seus militantes no final da manhã desta quarta-feira, 28, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) numa fala de aproximadamente dez minutos atacou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o governo argentino, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) – que investigará os possíveis crimes e omissões dos governantes na condução do enfrentamento da pandemia do novo coronavírus (covid-19), a imprensa, o isolamento social, o Supremo Tribunal Federal (STF), os governadores e os prefeitos a quem acusa de terem mal-versado os repasses federais destinados pelo seu governo. Ele aproveitou a oportunidade para anunciar que no segundo semestre deste ano concederá um aumento dentro do programa Bolsa Família.

Ao longo da conversa, o presidente brasileiro voltou a defender o uso de medicamentos sem comprovação científica, como a hidroxicloroquina, para tratar a doença respiratória que já matou quase 400 mil brasileiros e falou também que a economia do país começa a dar sinais de recuperação e a reagir e que só se vacinará contra o covid quando o último brasileiro for imunizado: “tenho que dar exemplo”. Nas críticas que fez aos governadores e aos prefeitos, perguntou aos seus apoiadores, se a CPI vai questionar ações como dos governadores do Ceará – Camilo Santana (PT), do Rio Grande do Norte – Fátima Bezerra (PT), e de Sergipe – Belivaldo Chagas (PSD) que, segundo ele, adotaram medidas restritivas inconstitucionais, desviaram os recursos federais do combate a pandemia para pagar salários atrasados dos servidores e que baixaram decreto para confiscar propriedades privadas daqueles que não obedeceriam as normas sanitárias.

 

Lula

“Foi chamado de outra coisa. Falar em política, eu não estou preocupado com política, não. Quem decide é vocês [sic]. Um cara, votarem num cara com um passado desse? Não tem cabimento. Vem falar que foi absolvido, o BNDES [Banco Nacional de Desenviolvimento Econômico e Social] foi meio trilhão de reais. Alguns delatores devolveram bilhões de reais. O cara fez obra em várias ditaduras no mundo todo. Será que não é suficiente? Petrobras, vocês estão pagando a conta da gasolina alta. Vocês estão pagando a conta. Foi R$ 230 bilhões [sic] de refinarias que ele começou e não terminou. A propina, não é? Plataformas, etcétera. Só fez isso. E tem gente que acha que esse cara pode ser a solução”, comentou.

Argentina

“Olha, na Argentina, quem botou a Argentina naquela desgraça, nossos irmãos argentinos, foi a família Kirchner. E agora, quando o Macri [ex-presidente] estava terminando o mandato dele, alguns problemas houve no governo dele, o pessoal retornou a família Kirchner. Quem botou na desgraça a Argentina, para comandar o país. Quem mora no sul aqui, vê que situação está lá”, complementou.

 

CPI

“Eu não sou o salvador da pátria não, pessoal. Se tiver CPI vai investigar o quê? Eu dei dinheiro para os caras. Tá? Foram mais de 700 bilhões reais, auxílio emergencial no meio, muitos roubaram o dinheiro, desviaram. Agora vem uma CPI para querer investigar conduta minha? A se ele foi favorável por cloroquina, ou não? Possivelmente se tiver um novo vírus aí, eu vou tomar de novo, me salvei em menos de 24 horas, como milhões de pessoas”, completou.

“E os prefeitos, agora, vão ser responsabilizados por essa CPI que está aí? Será que a CPI vai ouvir prefeito e governador que baixou decreto para confiscar, como em Sergipe, a propriedade privada? A CPI vai chamar, ou vai querer fazer carnaval fora de época? Vão se dar mal! Aqueles que estão com esta intenção, lá tem gente bem intencionada, tem gente lá – que é que não me defende, mas fala a verdade lá e, agora, vai ter um outro lá que quer fazer uma onda só”, emendou.

Vacina

“A questão da vacina, quando o último [brasileiro] tomar a vacina, eu tomo. Tem gente apavorado [sic], então, toma vacina na minha frente. Eu sou chefe de Estado e eu tenho que dar exemplo. O meu exemplo é esse, deixar, já que não tem para todo mundo, o mundo todo ainda não tem vacina, então toma na minha frente. É lógico! Sempre foi assim. Eu sempre fui o último a comer no quartel. É exemplo”, ensinou.

Imprensa

“Agora, querer esperar alguma coisa da mídia, esquece. Raramente a mídia é isenta”, observou.

Acusação aos demais gestores

“Eu tinha que orientar a não roubar, responda aí? Ou para usar em outras coisas. Rio Grande do Norte pelo que me consta, R$ 900 milhões foi [sic] para pagar folha de pagamento de servidor atrasado. Lá no Ceará de ir para uma cidade para outra tem que ter autorização, tem que ter motivo justificado, toque de recolher, pancada em gente que está na rua. Você não viu uma foto minha com o Witzel. Assim como o Dória foi no Rio achando que eu ia receber, eu não recebi o Dória. Mas usou o meu nome”, acrescentou.

Contra isolamento social

“E para que foi a questão do lockdown lá atrás? Não era para achatar a curva? Estão há um ano achatando a curva. A grande desgraça é o desemprego. Na verdade, o governo está criando meios para criar mais empregos, os informais estão numa situação complicada. Em torno de 38 milhões de pessoas. Essa pessoa eu sempre entrei e continuo entrando na casa dele. Agora qual governador faz isso? Não faz! Não dá exemplo”, criticou.

“Para mim é fácil, olha aqui, [aponta para o Palácio do Alvorada], aquilo ali vocês não sabem que maravilha é aquela casa lá, tem clube que eu nem conheço lá dentro. Para mim é fácil ficar lá dentro, comendo bem, com segurança e o povo que se lasque aqui fora e alguns acham que quem tirou os empregos deles, fui eu. Eu não fechei comércio, não determinei que ninguém ficasse em casa e não destruí empregos”, se gabou.

STF o impediu

“Eu tinha a minha linha, mas o Supremo Tribunal Federal decidiu que esses governadores podiam fazer o que bem entendesse e estão fazendo. Falam tanto em Constituição, não é? Os que defendem Constituição falam tanto e está lá foi estuprado o artigo quinto da Constituição. Os caras tem mais poder, com um simples decreto, que um Estado de Sítio. E no Estado de Sítio se fizer alguma errada, eu sou responsabilizado”, lamentou.

Economia & liberdade

“Apesar dos problemas aí, a economia está reagindo bem. A gente lamenta as pessoas que faleceram, qualquer pessoa, não interessa a morte. A gente sempre lamenta. A minha mãe está com 94 anos, eu vou chorar com toda certeza quando ela falecer, é a vida e a gente tem que encarar isso que está aí. Buscar alternativas. Garantir a liberdade para o médico tratar o paciente no caso aqui que não tem nenhum remédio específico aqui, não é? Não atrapalhar esses médicos”, defendeu.

Aumento no Bolsa Família

“Só com o auxílio emergencial no ano passado nós gastamos mais de dez anos de Bolsa Família. Então o PT que fala tanto em Bolsa Família, hoje a média é 192 reais. O auxílio emergencial está R$ 250, é pouco? Eu sei que é pouco, mas é muito maior que a média do Bolsa Família. A gente pretende passar para R$ 250 agora em agosto, ou setembro. Eu vou começar a falar a noite aí. Deixa o pessoal fazer o panelaço aí, mas depois a gente vai falar”, finalizou.

(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)