31 de julho de 2025
Nordeste e Poder

CPI DA PANDEMIA: Flávio Bolsonaro diz que Pacheco foi ingrato com o governo do seu pai ao não acatar decisão que proibia Renan Calheiros ser relator da CPI da pandemia

Filho do presidente da República, Jair Bolsonaro, senador fluminense falou ainda que faltou o presidente do Senado prudência em permitir que a CPI começasse; ele falou também que o colegiado será palco para antecipar as eleições de 2022

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( Publicada originalmente às 11h 24 do dia 27/04/2021) 

(Brasília-DF, 28/04/2021) O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) afirmou nesta terça-feira, 27, que o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), foi ingrato com o governo do seu pai, o presidente da República – Jair Bolsonaro (sem partido), que lhe apoiou para assumir o cargo, e também ao não acatar a decisão de um desembargador da justiça federal – que pretendia proibir que o senador Renan Calheiros (MDB-AL) venha a ser escolhido relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigará os supostos crimes e omissões dos governantes nas medidas de enfrentamento da pandemia do novo coronavírus (covid-19), que já matou mais de 391 mil brasileiros.

Filho do presidente da República, o senador fluminense falou ainda que faltou ao presidente do Senado prudência em permitir que a CPI começasse presencialmente num momento em que àquela Casa legislativa encontra-se funcionando apenas por meio de reuniões remotas e virtuais. E que o cumprimento por Pacheco da decisão do STF na contramão ao não acolhimento de uma outra decisão judicial foi conveniência. Ele reclamou também que o colegiado será palco para antecipar os debates das eleições de 2.022, além de transformar as quase 400 mil mortes de brasileiros causados pela doença respiratória em palanque político.

“No meu ponto de vista, uma interferência do Poder Judiciário no Senado, mas foi superada. Eu acho que palavras do presidente [do Senado quando da sentença do ministro Luís Roberto Barroso do STF] Rodrigo Pacheco [que] decisão judical se cumpre, não se discute. Só que, infelizmente, passado uns dias da decisão do Supremo, essa decisão recente agora da justiça federal, proibindo o senador Renan Calheiros de ser relator dessa CPI por razões óbvias, ele mesmo [Rodrigo Pacheco] já vem a público dizer que não vai cumprir. É muito ruim pro Estado Democrático de Direito, né? Quem não concorda com uma decisão tem que recorrer dela. (…) Eu entendo, sim, que houve uma ingratidão, uma falta de consideração por parte do presidente [do Senado, Rodrigo Pacheco], não é? De pelo menos nos buscar, não é? Para que nós pudéssemos dar o nosso ponto de vista sobre a conveniência, oportunidade de se instalar uma CPI como essa”, iniciou.

“Então, o mínimo que ele poderia fazer agora, é acatar a questão de ordem do senador Eduardo Gomes [(MDB-TO), líder do governo no Congresso], que está sendo prudente, que está pensando nas vidas para que esse trabalho sejam, sim, presenciais, porque o virtual sempre dá um prejuízo na produção de provas, nas oitivas de testemunhas e [nas] possíveis acareações. Vários passos que podem ser dados por essa CPI, obrigatoriamente terão que ser presenciais. Então, por que não acatar a questão de ordem, preservar as vidas dos senadores, dos assessores e dos funcionários aqui da casa? E após todos estarem devidamente vacinados, imunizados, vamos investigar tudo, sem problema nenhum. Repito, ninguém está com medo de investigação. Agora, por que esse açodamento? Porque essa correria para se instaurar uma CPI no momento que a Casa tá parada, nenhuma comissão funciona, está tudo parado, é proibido fazer reuniões no nosso gabinete”, complementou.

“A gente não pode trazer ninguém que seja de fora dos quadros do Senado para dentro aqui da Casa, pensando na preservação de vidas, para evitar aglomerações, evitar a exposição. Então, lamento, sim, que o presidente Rodrigo Pacheco não tenha sido mais prudente, mais responsável na hora de tratar essa questão da CPI. Mais uma vez, ainda tem tempo de acolher a questão de ordem para que esses trabalhos sejam presenciais e possa ocorrer com naturalidade, com transparência, com seriedade, com isenção. Após todos estarem imunizados”, completou.

Críticas a Renan

Na sequência passou a disparar contra o emedebista alagoano.

“Eu quero aproveitar o espaço aqui para responder o senador Renan Calheiros, que disse que eu antecipei uma decisão judicial. A única pessoa que o povo, uma decisão foi o próprio senador Renan Calheiros, ao dar uma entrevista dizendo de forma precipitada, já pré-julgando que o governo federal foi omisso e incompetente. Na questão da covid, ele já decida o seu parecer. Eu lamento muito que ele ainda queira insistir, não apenas em ser relator da CPI, mas como querer fazer parte dela. Porque essa antecipação dele, sem nem acompanhar trabalho nenhum, sem colher prova de nada, sem ouvir ninguém. É uma clara demonstração de qual é a intenção de como será o encaminhamento dele, não só no relatório final, mas durante em todos os trabalhos da CPI”, finalizou.

(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)