Líderes da minoria e da oposição na Câmara, Senado e Congresso apresentam nesta quarta o 70º pedido de impeachment contra Bolsonaro
Atualmente, aguardam parecer do presidente da Câmara, Arthur Lira, outros 69 pedidos de impeachment que foram apresentados por 1.436 pessoas de mais de 476 organizações
( Publicada originalmente às 18h01 do dia 30/03/2021)
(Brasília-DF, 31/03/2021) Os líderes da minoria e da oposição na Câmara, Marcelo Freixo (PSOL-RJ) e Alessandro Molon (PSB-RJ); no Congresso, Arlindo Chinaglia (PT-SP); e no Senado, Jean Paul Prates (PT-RN) e Randolfe Rodrigues (REDE-AP); apresentarão nesta quarta-feira, 31, às 11 horas, o septuagésimo (70º) pedido de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).
No documento, os parlamentares mostram que Bolsonaro está incorrendo em crime de responsabilidade ao tentar, de forma autoritária, ao “se apropriar indevidamente e para interesses pessoais das forças militares do Brasil com ameaça evidente à democracia”.
Segundo os cinco parlamentares oposicionistas, a lei 1.079 de 10 de abril de 1.950 estabelece em seu artigo sétimo que “são crimes de responsabilidade contra o livre exercício dos direitos políticos, individuais e sociais [que] impedir por violência, ameaça ou corrupção, o livre exercício do voto; servir-se das autoridades sob sua subordinação imediata para praticar abuso do poder, ou tolerar que essas autoridades o pratiquem sem repressão sua; subverter ou tentar subverter por meios violentos a ordem política e social; incitar militares à desobediência à lei ou infração à disciplina; [além de] provocar animosidade entre as classes armadas ou contra elas, ou delas contra as instituições civis”.
Escalada autoritária
Os senadores Humberto Costa (PT-PE), Jaques Wagner (PT-BA), Paulo Rocha (PT-PA) e Rogério Carvalho (PT-SE) alertaram, ainda, que “democracia [brasileira] está ameaçada” e que “o país vive um colapso geral”, com o número de mortes causados pela pandemia do novo coronavírus não parando de crescer, ao mesmo tempo que o chefe do Poder Executivo federal “arreganha as garras para mostrar os dentes do endurecimento do regime”.
“O nosso povo morre no chão dos hospitais. O auxílio do governo mal paga o botijão de gás. O orçamento para a educação foi cortado em mais de R$ 28 bilhões. É hora de união. É hora do Congresso dar a resposta que o Brasil cobra. Os movimentos de expurgo do governo do comandante do Exército, general Edson Leal Pujol, são preocupantes e ocorrem nas vésperas do aniversário do golpe de 1964”, comenta o líder petista no Senado, o paraense Paulo Rocha.
“O presidente caminha para um golpe de Estado. A sociedade precisa dar uma resposta ao autoritarismo. Bolsonaro não é um democrata, é um fascista, conspira contra a Constituição é um perigo para a democracia. Quer esconder o desastre de 300 mil brasileiros mortos [e que é] um completo fracasso”, complementou o petista sergipano.
“O grau de instabilidade deste governo é assustador. Seja pelo troca-troca de ministros, seja pelas orientações totalmente erráticas na administração pública. A crise está cobrando um preço muito alto para a sociedade brasileira. E quem paga a conta é o povo”, observou o petista baiano, ex-governador daquela unidade federativa.
“O Itamaraty sequer tem hoje uma representante definitiva junto aos organismos internacionais, diante do caos político vivido pelo país. No Itamaraty, a mudança no comando não serviu a nada”, reclamou o petista pernambucano – ex-ministro da Saúde na gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)