31 de julho de 2025
Brasil e Poder

Após recado de Lira, Pacheco diz que manifestação do presidente da Câmara é "legítima" e que espera que Bolsonaro conserte "alguns pontos" do seu governo para "termos união nacional de enfrentamento da crise"

Presidente do Senado falou, ainda, que postura do Ministério das Relações Exteriores precisa mudar urgentemente; ele falou também que "não podemos tolerar que se descumpra o PNI" e permita que empresários furem fila das vacinas

Publicado em
9d9ad5a2aeb10aab86c392f4c5467005.jpg

( Publicada originalmente às 16h 29 do dia 25/03/2021) 

(Brasília-DF, 26/03/2021) Após o discurso feito pelo presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), nesta última quarta-feira, 24, afirmando que fazia um sinal de "alerta" para que o governo adotasse um "freio de arrumação" que evitaria ele utilizar os "remédios políticos amargos" disponíveis pela Constituição, o presidente do Congresso Nacional, senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), afirmou nesta quinta-feira, 25, que a manifestação do parlamentar alagoano é "legítima" das "insatisfações" levadas pela população aos parlamentares que possuem assentos na "Casa do Povo", como é conhecido o parlamento formado por deputados federais.

Na oportunidade, Pacheco afirmou ainda que espera que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) possar consertar "alguns pontos" da sua gestão para "termos união nacional de enfrentamento da crise" causada pela pandemia do novo coronavírus (covid-19), que já matou mais de 300 mil brasileiros. Segundo o parlamentar mineiro que preside o Senado Federal, o pronunciamento feito por de Lira "precisa também por parte do governo federal ter essa mesma postura e essa mesma vontade".

"É uma demonstração de insatisfação por que de nossa parte, o Congresso Nacional, tanto Câmara, quanto Senado, nós estamos buscando de todas as formas ter um ambiente de consenso, de pacificação, de busca de solução. A manifestação do deputado Arthur Lira é uma manifestação legítima, de alguém que preside a Casa, que é a 'Casa do Povo', de manifestação das insatisfações. Mas isso, obviamente, é uma manifestação que será capaz de significar uma solução para os problemas que eu quero crer que sejam também do presidente da República, de consertar alguns pontos para podermos, de fato, termos uma união nacional do enfrentamento desta crise", falou.

Diplomacia

O parlamentar do DEM falou, ainda, que postura do Ministério das Relações Exteriores precisa mudar urgentemente, mas ele não quis se manifestar favorável, ou contrário a saída do atual titular da pasta, ministro Ernesto Araújo, que em audiência nesta quarta-feira, 24, na Comissão de Relações Exteriores do Senado foi muito criticado por diversos senadores, que, inclusive, pediram a sua saída do cargo. Ele reforçou apenas que a função precisa ser exercida por alguém que expresse as tradições diplomáticas do país.

"Muito além da personificação do exame do trabalho específico de um chanceler, o que se tem que mudar é a política externa do Brasil. Evidentemente que é preciso que ela seja aprimorada, melhorada. As relações internacionais precisam ser mais presente. Um ambiente maior de diplomacia, isso é algo que está evidenciado a todos. Não só no Congresso Nacional, mas a todos os brasileiros que enxergam essa necessidade do Brasil ter uma representatividade externa melhor do que tem hoje", comentou.

"Essa questão de saída, ou de entrada de ministro, eu considero que só pode demitir aquele que admite. Esse é o papel do presidente da República, é uma prerrogativa do presidente da República e ele há de tomar as melhores decisões para melhorar o governo. A nossa parte no Congresso Nacional, que nós temos buscado, é melhorar. Todos são testemunhas do trabalho que nós temos desempenhado em busca de pacificação, de união, de trabalho sério, de produtividade. Nós buscamos ajudar o Brasil e isso envolve ser colaborativo com o governo naquela pauta que interessa ao Brasil", complementou.

Fura-fila

O presidente do Senado falou também que "não podemos tolerar que se descumpra o Plano Nacional de Imunização" (PNI) e permita que empresários furem fila das vacinas, como vem mostrando algumas reportagens que apontam que ao comprar imunizantes contra a doença, que colapsou o sistema de saúde do Brasil, autorizados por lei, estariam burlando a própria legislação e destinando as vacinas para eles próprias, suas famílias e amigos.

"Eu vi a reportagem e nós não podemos tolerar que se descumpra o Plano Nacional de Imunização. O entendimento do Congresso Nacional foi que na edição da lei14.125, houvesse a possibilidade da aquisição pela iniciativa privada para doação da integralidade para o Sistema Único de Saúde. Não se pode descumprir esta lei, essa diretriz. Num futuro, quem sabe se possa ter em farmácia, em hospitais a possibilidade da aquisição de vacinas, mas neste instante, enquanto os grupos prioritários não forem vacinados não é ético e é inadmissível pensar que alguém possa vacinar fora do Plano Nacional de Imunização", condenou.

Erros de gestão

Por fim, Pacheco observou que dos muitos erros que o governo brasileiro teve na condução do enfrentamento da pandemia, um dos mais graves deles foi a visão equivocada, segundo ele, da gestão do Ministério das Relações Exteriores, que teria atrapalhado o país em firmar parcerias com outras nações que hoje poderiam estar ajudando o país no enfrentamento do covid no momento mais grave da doença até agora.

"Eu considero que nós tivemos muitos erros no enfrentamento desta pandemia, um deles foi o não estabelecimento de uma relação diplomática de produtividade com diversos países que poderiam ser colaboradores neste momento agudo de crise que nós temos no Brasil. Então ainda está em tempo de mudar para salvar vidas. Infelizmente nós perdemos muitas vidas no Brasil em razão de uma conjuntura, que é muito variada, não é uma responsabilidade única de alguém, ou de um Ministério, é um problema nacional que nós temos que enfrentar e o que nós precisamos, agora, é mudar o rumo desta política externa para poder termos parcerias internacionais", apontou.

"O Brasil é um país muito importante para o mundo, sob todos os aspectos. Aqui nós temos riquezas naturais, aqui nós temos a Amazônia, temos o Pantanal, temos a Mata Atlântica, temos a produção de alimentos do mundo, muito rica e muito desenvolvida que é o agronegócio, que aprendemos a fazer e fazemos bem. Então o mundo depende muito do Brasil e, nesse momento, nós fizemos esse apelo internacional, através de uma iniciativa da comissão de relações exteriores do Senado, presidida pela senadora Kátia Abreu, para que houvesse uma ajuda internacional ao Brasil. E isso necessariamente pelo Ministério das Relações Exteriores, que tem que estar conectado com o Congresso Nacional, mas, sobretudo, tem que ter uma política muito séria com esses países que podem nos ajudar neste momento", encerrou.

(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)