31 de julho de 2025
Brasil e Poder

No primeiro encontro com apoiadores após mudar o tom sobre pandemia, Bolsonaro evita dar declarações polêmicas; ele comemora decisão de Merkel não fazer lokcdow na Alemanha

Entretanto, presidente lamentou que no país só há "um assunto aí", que em três meses o Brasil começará a "produzir vacina"

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( Publicada originalmente às 11h 00 do dia 25/03/2021) 

(Brasília-DF, 26/03/2021) No primeiro encontro que teve com apoiadores e militantes favoráveis as suas bandeiras políticas após ter mudado o tom com relação a sua condução para enfrentar a pandemia do novo coronavírus (covid-19), que já matou mais de 300 mil brasileiros, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) evitou dar declarações polêmicas nesta quinta-feira, 25.

Os encontros que geralmente duram de dez minutos até meia hora, na entrada do Palácio da Alvorada – sua residência oficial, o ocorrido nesta data não chegou a cinco minutos. Na oportunidade, o presidente lamentou que no país só há "um assunto aí" ao comentar uma declaração de uma apoiadora que lhe agradecia pelos programas federais de combate a escassez de recursos hídricos promovidos nos estados nordestinos.

Na sequência, Bolsonaro falou ainda que em três meses o Brasil começará a "produzir vacina", ao mesmo tempo que reconheceu que isso já vem ocorrendo desde o final do ano passado. Ele comemorou também a decisão da primeira-ministra alemã, Ângela Merkel, de não fazer mais "lockdown" naquele país e reconhecer, segundo ele, que medidas como essa "muito pior e muito mais grave do que os efeitos do vírus".

A mudança de postura acontece após o presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), ter afirmado nesta quarta-feira, 24, que "tudo tem limite" e que esperaria uma "freio de arrumação" que evitariam o Poder Legislativo utilizar "os remédios políticos amargos". Mas a mudança no comportamento que o levou a utilizar máscara de proteção facial, recomendado para evitar a propagação do covid, no encontro que teve com Lira, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) – presidente do Senado e com Luiz Fux – presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta em que foi anunciado um "comitê de crise" para enfrentar a pandemia, Bolsonaro voltou a aparecer sem máscara junto aos seus apoiadores, mesmo que ela seja recomendada pelo seu novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga.

"Daqui a uns três meses começa a produzir vacina aqui, começou o ano passado, não é de agora, não", iniciou o presidente abordando a necessidade do país em executar uma vacinação em massa, que permitirá aos brasileiros o retorno às atividades econômicas com segurança sanitária e acabar com o colapso na rede hospitalar, publico ou privado, que não estão conseguindo mais atender os pacientes que precisam de internação em unidades de terapia intensiva (UTI).

"O Brasil está, o governo está funcionando, mas não aparece. Só aparece um assunto aí", complementou o presidente sobre os programas de escassez hídricas que sendo lançados, segundo ele, pelo Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) em grandes áreas localizadas no semiárido. Ao fazer esta afirmação, Bolsonaro ouviu de uma de suas militantes apoio incondicional: "sou capaz de brigar pelo sr. Não brigo por que não está certo, mas o sr. é maravilhoso".

"Ângela Merkel ia ter um lockdown rigoroso e ela cancelou e pediu desculpas. Ela falou lá, segundo a imprensa, que os efeitos do fechar tudo é muito pior e muito mais grave do que os efeitos do vírus. Palavra dela! Não é minha, não", completou informando que devido a sua agenda não poderia ficar mais ali com seus apoiadores e militantes: "pessoal, não vai dar para mandar recado, me desculpa, eu estou com muita pressa, me desculpa, por favor! Pessoal, muito obrigado aí", finalizou.

(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)