Em discurso no plenário da Câmara, Arthur Lira afirma que só há uma prioridade neste momento: salvar vidas e obter o mais rápido possível vacinas
Da cadeira de presidente da Casa, alagoano afirmou ainda que seu pronunciamento é um “alerta” para evitar que o parlamento não aplique os “remédios possíveis”; “[vamos] esgotar todas as possibilidades antes [das] responsabilizações individuais”
( Publicada originalmente às 18h 31 do dia 24/03/2021)
(Brasília-DF, 25/03/2021) Em discurso no plenário Ulysses Guimarães da Câmara dos Deputados, o presidente daquela Casa legislativa, deputado Arthur Lira (Progressistas-AL), afirmou no início da noite desta quarta-feira, 24, que só há uma prioridade neste momento no Brasil: salvar vidas, diminuir a curva de mortes causada pela pandemia do novo coronavírus (covid-19) e obter o mais rápido possível vacinas para imunizar a população brasileira.
Da cadeira de presidente da Casa, o parlamentar alagoano afirmou ainda que seu pronunciamento é um “alerta amigo, leal e solidário” para evitar que o parlamento não aplique os “remédios políticos possíveis”. Segundo ele, o “momento de enorme angústia do povo e de seus representantes” exige uma “freio de arrumação”. Segundo ele, “[vamos] esgotar todas as possibilidades deste caminho antes de partir para as responsabilizações individuais”.
“É nesse esforço solidário e genuíno que estarei engajado, junto com os demais poderes. Mas será preciso que essa capacidade de ouvir tenha como contrapartida a flexibilidade de ceder. Sem esse exercício, a ser praticado por todos, esse esforço não produzira os resultados necessários. Os remédios políticos no Parlamento são conhecidos e são todos amargos. Alguns, fatais. Muitas vezes são aplicados quando a espiral de erros de avaliação se torna uma escala geométrica incontrolável. Não é esta a intenção desta Presidência. Preferimos que as atuais anomalias se curem por si mesmas, frutos da autocrítica, do instinto de sobrevivência, da sabedoria, da inteligência emocional e da capacidade política”, disse.
“Mas alerto que, dentre todas as mazelas brasileiras, nenhuma é mais importante do que a pandemia. Esta não é a casa da privatização, não é a casa das reformas, não é nem mesmo a casa das leis. É a casa do povo brasileiro. E quando o povo brasileiro está sob risco nenhum outro tema ou pauta é mais prioritário. Então, faço um alerta amigo, leal e solidário: dentre todos os remédios políticos possíveis que está Casa pode aplicar num momento de enorme angústia do povo e de seus representantes, o de menor dano seria fazer um freio de arrumação até que todas as medidas necessárias e todas as posturas inadiáveis fossem imediatamente adotadas, até que qualquer outra pauta pudesse ser novamente colocada em tramitação. Falo de adotarmos uma espécie de ‘esforço concentrado para a pandemia’, durante duas semanas, em que os demais temas da pauta legislativa sofreriam uma pausa para dar lugar ao único que importa: como salvar vidas, como obter vacinas, quais os obstáculos políticos, legais e regulatórios precisam ser retirados para que nosso povo possa obter a maior quantidade de vacinas, no menor prazo de tempo possível”, complementou.
Diplomacia
Arthur Lira afirmou também que para o país alcançar este intento de salvar vidas e conseguir o mais rápido possível o número de vacinas que possam imunizar a população brasileira é a garantia de “boas relações diplomáticas, sobretudo com a China”. Segundo ele destacou, “nosso maior parceiro comercial e um dos maiores fabricantes de insumos e imunizastes do planeta”.
Essa declaração acontece após diversas trapalhadas diplomáticas do atual ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e também do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente Jair Bolsonaro, em que ambos acusaram o governo chinês de ser o responsável pelo surgimento do covid-19 e protagonizaram estremecimento nas relações diplomáticas entre os dois países.
“Não é hora de tensionamentos. E CPIs ou lockdowns parlamentares - medidas com níveis decrescentes de danos políticos - devem ser evitados. Mas isso não depende apenas desta Casa. Depende também - e sobretudo - daqueles que fora daqui precisam ter a sensibilidade de que o momento é grave, a solidariedade é grande, mas tudo tem limite, tudo! E o limite do parlamento brasileiro, a Casa do Povo, é quando o mínimo de sensatez em relação ao povo não está sendo obedecido”, completou.
(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)