Dória critica comitê anunciado por Bolsonaro: “não nos representa” e chama de “farsa” encontro de Bolsonaro com Fux, Lira e Pacheco
Declaração do governador paulista aconteceu balanço diário da gestão estadual sobre a evolução da pandemia no estado; ele afirmou que não foi convidado para fazer parte do comitê de crise anunciado nesta quarta pelo governo federal
( Publicada originalmente às 15h 58 do dia 24/03/2021)
(Brasília-DF, 25/03/2021) O governador de São Paulo (SP), João Dória Jr. (PSDB), criticou nesta quarta-feira, 24, o comitê de crise anunciado pelo governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para que o país possa conseguir enfrentar a pandemia do novo coronavírus (covid-19), que já matou mais de 298 mil brasileiros. Segundo o gestor paulista, a iniciativa federal “não representa” os interesses do estado mais populoso e mais forte economicamente do país.
Dória chamou ainda de “farsa” o encontro que Bolsonaro promoveu nesta manhã com o ministro Luiz Fux, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), e também com os presidentes da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG). Participaram do encontro cinco governadores, todos aliados do Palácio do Planalto: do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PSC); de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM); do Paraná, Ratinho Jr. (PSC); de Alagoas, Renan Filho (MDB); e do Amazonas, Wilson Lima (PSC), que disseram ser representantes dos governadores de suas regiões.
A declaração do governador paulista aconteceu durante o balanço diário que àquela gestão estadual promove diariamente sobre a evolução da pandemia no estado, com a análise das ações aplicadas. Na oportunidade, o tucano afirmou também que não foi convidado para fazer parte do comitê de crise anunciado pelo governo federal, ao mesmo tempo em que desejou sorte e sucesso ao médico Marcelo Queiroga, que assumiu o Ministério da Saúde nesta última terça-feira, 23, em substituição ao general Eduardo Pazuello que comandava a pasta desde abril de 2.020 e sai acusado de ser o principal responsável pelo colapso na saúde do estado do Amazonas, que se transferiu para os demais estados do país e de ter sido apenas um cumpridor de ordens de Bolsonaro em oferecer a população um “tratamento precoce”, com medicamentos que não possuem comprovação científicas de que são eficazes contra a doença.
“Este comitê não nos representa, nós não fomos convidados e aquilo que representa a saúde e a necessidade de proteção da vida dos brasileiros de São Paulo deve ser tratado com o governador do estado de São Paulo, e não com o representante do governador. Não é confiável a realização de um comitê que exclui governadores que estão trabalhando para proteger vidas e defender o distanciamento social, o isolamento quando necessário, o uso de máscaras, a aplicação de vacinas e o não uso de cloroquina”, disparou Dória.
“Espero que o governo federal, em vez de prometer, faça chegar vacinas [...]. Enquanto aumentamos o número de casos e óbitos, o Ministério da Saúde informa que reduz o número de expectativa de vacinas. Eu quero dizer que a expectativa de vacina que não vai no braço do brasileiro fere a alma e a esperança. Que o novo ministro, espero que tenha sucesso, pelo bem do Brasil, providencie as outras vacinas para os brasileiros”, complementou o gestor paulista.
(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)