31 de julho de 2025
Brasil e Poder

CHEFES DE PODER E PANDEMIA: Bolsonaro, de máscara, volta a falar em vacinação em massa para Brasil mas ma defende tratamento precoce

Bolsonaro continuou sem citar a necessidade de medidas restritivas na circulação de pessoas; ele fala de tratamento precoce no dia seguinte a divulgação de boletim da AMB que mandou banir medicamentos

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( Publicada originalmente às 11h 10 do dia 24/03/2021) 

(Brasília-DF, 25/03/2021) Após receber os presidentes da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), do Senado, senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, e cinco governadores representantes de todas as regiões do país, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), fazendo uso da máscara de proteção facial, voltou a falar na necessidade do país vacinar em massa a sua população para permitir que o Brasil consiga sair da atual situação, segundo ele próprio, “bastante complicada que [o país] se encontra”.

Entretanto, o presidente brasileiro continuou sem citar, ou reconhecer, a importância e a necessidade da adoção de medidas restritivas na circulação de pessoas, algumas delas já adotadas por governadores e prefeitos, para fazer com que o país consiga recuar no número de mortes que já é superior a três mil por dia. Nesta terça-feira, 23, o balanço registrado pelo Conselho Nacional de Secretários estaduais de Saúde (Conass) apontou o óbito de 3.251 pessoas nas últimas 24 horas.

Na oportunidade, Bolsonaro voltou a destacar o “tratamento precoce” e que ele continuará sendo adotado pelo novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, que tomou posse em cerimônia fechada no Palácio do Planalto nesta última terça em substituição ao então titular da pasta, general Eduardo Pazuello. O referido “tratamento precoce” que utiliza medicamentos como Azitromicina, Ivermectina e Hidroxicloroquina, que não possuem comprovação científica de que são eficazes, vem sendo alvo de investigações junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) e também de críticas e condenação de entidades médicas.

Nesta terça, a Associação Médica Brasileira (AMB) se manifestou, por meio de nota, informando que o uso destes medicamentos em larga escala pela população vem proporcionando o aumento de pacientes com problemas hepáticos. Os governadores que compareceram ao encontro dos chefes de Poderes da República foram Ratinho Jr. (PSC), Cláudio Castro (PSC), Renan Filho (MDB), Ronaldo Caiado (DEM) e Wilson Lima (PSC) representando os gestores estaduais do Sul, Sudeste, Nordeste, Centro-Oeste e Norte do Brasil.

“Fizemos uma reunião com todos os líderes da República proveitosa. Mas do que harmonia, imperou a solidariedade e a intenção de minimizarmos os efeitos da pandemia. A vida em primeiro lugar. Resolvemos entre outras coisas de que será criado uma coordenação junta aos governadores com o presidente do Senado e da nossa parte um comitê, que se reunirá toda semana, com autoridades, para decidirmos ou redirecionarmos o rumo do combate ao coronavírus. A unanimidade, a intenção de nós cada vez mais, nos dedicarmos a vacinação em massa no Brasil. Tratamos também de possibilidade de tratamento precoce e isso fica a cargo do ministro da Saúde, que respeita o direito e o dever do médico, ‘off label’, tratar os infectados”, iniciou o presidente.

“É uma doença, como todos sabem, ainda desconhecida e uma nova cepa, ou um novo vírus, apareceu e nós, obviamente, nos preocupamos em dar o atendimento adequado a essas pessoas. Não temos ainda o remédio, mas a nossa união, o nosso esforço entre os três poderes da República ao direcionarmos para aquilo que realmente interessa, sem que haja qualquer conflito, qualquer politização da solução do problema, creio que essa seja realmente o caminho para o Brasil sair desta situação bastante complicada que se encontra”, complementou.

Primeiras reações

Senadores comentam a fala de Bolsonaro.

O senador Alessandro Veira(Cidadania-SE) vê medidas em atraso.

“Com um atraso de 1 ano e 300 mil mortos, Bolsonaro anuncia um comitê de crise, que vai se reunir semanalmente. Quem conhece Brasília sabe o nome disso: EMBUSTE. Só uma estratégia para dividir desgastes. Aceleração da vacinação, mais leitos de UTI e insumos? Nada, só enrolação.”, disse no Twitter.

Por outro lado, o senador Jorginho Mello(PL-SC) viu com bons olhos.

“Acompanhei com otimismo a reunião do PR @jairbolsonaro com representantes do Legislativo e do Judiciário para alinhar ações de enfrentamento à Covid-19. Temos que remar para o mesmo lado para que o Brasil avance na vacinação e não falte remédio, insumos e leitos. #vamoqvamo”, disse no Twitter, agora pouco.

 

(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)