31 de julho de 2025
Brasil e Poder

BRASIL DE BOLSONARO: "O Brasil é o país, em número absoluto, que mais está vacinando", afirma Bolsonaro

Em conversa com apoiadores, presidente voltou a criticar medidas de restrição na circulação de pessoas, adotadas por governadores e prefeitos, para tentar diminuir o número de doentes nos hospitais; falou da possibilidade de importar remédio de Israel

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( Publicada originalmente às 12h 33 do dia 03/03/2021) 

(Brasília-DF, 04/03/2021) O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou nesta quarta-feira, 3, que o "O Brasil é o país, em número absoluto, que mais está vacinando" sua população contra o novo coronavírus (covid-19), que já matou mais de 257 mil brasileiros.

A declaração do presidente aconteceu após ser perguntado por um de seus apoiadores

sobre que assuntos abordaria numa eventual mensagem a população em cadeia de rádio e televisão, no momento em que saia do Palácio do Alvorada, onde saiu do carro presidencial para cumprimentar um grupo de pessoas que faziam ali uma vigília a sua espera.

"O assunto quando tiver vai ser a pandemia. Vacinas. O Brasil é o país, em número absoluto, que mais está vacinando. Temos 22 milhões de vacinas este mês. O mês que vem vão ser mais 40 milhões. O país é o que está mais avançado nisso. Assinei no ano passado uma MP [Medida Provisória] deixando R$ 20 bilhões para comprar a vacina. Então, nós estamos fazendo o dever de casa", respondeu.

Medicamento israelense

Na sequência, indagado sobre a luta política que seu governo travaria com governadores e prefeitos sobre a condução que o país precisaria ter para enfrentar a pandemia, Bolsonaro falou da possibilidade de importar um remédio de Israel, um spray nasal que se encontra em fase de desenvolvimento, que poderia auxiliar no tratamento das pessoas acometidas pela forma grave da doença.

Abordando um "estudo pessoal", um apoiador do presidente comentou que caso o Brasil adotasse como estratégia a "imunização de rebanho" para que houvesse uma aceleração das pessoas com anticorpos contra o covid-19, a situação no país estaria controlada entre os meses de "setembro e outubro" próximos. Ao mesmo tempo em que esse apoiador defendeu o "tratamento precoce" com a adoção de medicamentos como hidroxicloroquina e ivermectina contra o coronavírus, e que não possuem comprovação médica que isso seria eficaz contra a doença.

Na resposta, o presidente apenas ouviu a fala do apoiador com risos e evitou tecer qualquer comentário. "Como essa doença é pouco conhecida, novas cepas, não dá para discutir. Para a mídia o vírus sou eu. Está bom irmão, eu não posso [continuar com essa conversa]. Eu não tenho muito tempo para discutir aqui", observou.

"O que eu posso adiantar. Quase tudo certo. Uma delegação nossa no sábado [dia 06] parte para Israel. Vamos lá ser recebido, a delegação, pelo primeiro-ministro [Benjamim Netanyahu], vai para o hospital, para o laboratório que está desenvolvendo aí um spray nasal de combate a covid. As primeiras informações são as melhores possíveis. Então, vamos ver se a gente consegue assinar o acordo e começar a aplicar na terceira fase no Brasil e é para quem está em estado grave. Então dificilmente alguém vai se opor a este tratamento", comentou.

Críticas as medidas restritivas

Por fim, Bolsonaro voltou a criticar as medidas de restrição na circulação de pessoas, adotadas por vários governadores e prefeitos, para tentar diminuir o número de doentes nas unidades hospitalares, em que muitos casos não há mais leitos para se oferecer a alguém que precise de internação. Segundo o presidente, esta estratégia do "fique em casa" não está correta e é apenas uma ação equivocada da "mídia" para atacá-lo e gerar pânico na sociedade.

"O pessoal aqui no Brasil, o que acontece? Se eu falar aqui que é contra, que não presta, o pessoal vai atrás. A imprensa vai atrás. Mas você sem a imprensa não consegue viver. Então o que eu faço? Cancelei desde o ano passado toda assinatura de jornal e revista. Ministro que quiser ler jornal e revista vai ter que comprar. Não leio mais. Não vejo 'Jornal Nacional'. Não assisto, que é a maneira certa que tem de pensar em coisa séria no país", complementou.

"Criaram o pânico, não é? O problema está aí. Lamentamos, mas você não pode viver em pânico! Que nem a política de novo fique em casa. A pessoa vai morrer de fome? De depressão?", finalizou lançando uma indagação, mas nenhuma observação sobre a prorrogação do auxílio emergencial pago em 2.020 para trabalhadores autônomos e informais.

(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)