Bolsonaro diz que zerar impostos federais no óleo diesel é “para a gente começar a apurar os verdadeiros responsáveis do preço alto do combustível”
Em encontro com apoiadores, presidente brasileiro falou ainda que divulgação pela Secom de dados com quanto cada estado recebeu da União não é para “provocar ninguém” e sim apenas para mostrar a “verdade”
( Publicada originalmente às 12h 59 do dia 02/03/2021)
(Brasília-DF, 03/03/2021) O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse nesta terça-feira, 2, que decreto publicado pelo seu governo para zerar os impostos federais no óleo diesel nos próximos dois meses tem como objetivo “a gente começar a apurar os verdadeiros responsáveis do preço alto do combustível”.
A declaração aconteceu no final da manhã ao se encontrar com um grupo de apoiadores que tradicionalmente fazem vigília diária na entrada e saída do Palácio do Alvorado, residência oficial da Presidência da República, na esperança de encontrar o presidente para tirar fotos.
Na oportunidade, Bolsonaro falou ainda que a divulgação nesta última segunda-feira, 1º de março, pela Secretaria de Comunicação Social do governo (Secom) com os dados expondo quanto cada estado brasileiro recebeu da União nos últimos meses não é para “provocar ninguém” e sim apenas para mostrar a “verdade”.
“O decreto de ontem zeramos por dois meses o PIS e Cofins no diesel. Ou seja, desde ontem, por dois meses não existe qualquer imposto federal em cima do óleo diesel e zeramos em definitivo todos os impostos federais sobre o gás de cozinha também. E o que quê acontece? Quando você zera imposto, pela lei de responsabilidade fiscal você tem que arranjar recursos de outro lugar. Então fizemos o limite. Esses dois meses é o prazo para se estudar como a gente mantém, vai conseguir, de forma definitiva, não é?”, perguntou o presidente.
“O zero de impostos federais sobre o óleo diesel. E com o nosso decreto que entra em vigor daqui a uns 25 dias, você vai chegar no posto de combustível, você vai ver o preço na refinaria, imposto federal zero, vai ver o imposto federal e vai ver também a margem de lucro dos postos, bem como a margem de lucro das distribuidoras, para a gente começar a apurar os verdadeiros responsáveis do preço alto do combustível. Isso não é interferência. Isso é transparência, coisa que não tínhamos e vamos passar a ter, agora, a partir dos próximos dias”, complementou o presidente brasileiro.
“Ali é bruto [do] quanto receberam [e como] receberam. Transferência direta, indireta, auxílio emergencial. O valor bruto que está ali. Não queremos provocar ninguém. Os dados foi [sic] feito pela Secom. O [deputado federal licenciado] Fábio Faria (PSD-RN), que é ministro, divulgou aquilo lá e é uma verdade. Ali está nada mais do que além disso. Alguns governadores estão querendo mais recursos”, completou o presidente com a bolsonarista que gravava a conversa afirmando que a atitude do governo federal “foi maravilhosa” e que “a esquerdalha dizendo que era mentira” obrigou o ministro potiguar a reforçar sobre a veracidade dos dados nas redes sociais.
Sem lockdown
Por fim, instado por uma apoiadora que o informou que aquele grupo bolsonarista que se encontrava ali iria se juntar aos protestos de empresários de Brasília contra a decisão do governador do Distrito Federal (DF), Ibaneis ocha (MDB), de restringir a abertura de algumas atividades empresariais considerada não essenciais para diminuir o fluxo na circulação de pessoas na capital federal com o objetivo de frear a propagação do novo coronavírus (covid-19), Bolsonaro voltou a criticar o fechamento do comércio se amparando na decisão do Conselho Regional de Medicina (CRM), do DF, que afirmou que as medidas restritivas “se mostram incapazes” para enfrentar a doença que já matou mais de 255 mil brasileiros.
“Olha, falam tanto em ciência. O Conselho estadual de Medicina aqui disse que o lockdown é um absurdo”, finalizou o presidente brasileiro com a concordância da apoiadora que gravava a conversa e afirmava que a decisão de Ibaneis “é a pior coisa” que pode ser feita para enfrentar a propagação do covid-19.
(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)