Nordeste e C&T. MCT firma compromisso para implantar 1.200 CVT em 2008 em parceria com o MEC e gestão do Cefet
Recursos estão assegurados pela Comissão de Educação da Câmara em emenda à LDO.
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( Brasília-DF, 24/09/2007) A Política Real teve acesso. O secretário Joe Valle, da Secretaria de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social (Secis), do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), anunciou o compromisso de implantar 1.200 Centros Vocacionais Tecnológicos (CVT) no país em 2008. Os recursos da iniciativa são oriundos da emenda à LDO aprovada pela Comissão de Educação da Câmara para o Ministério da Educação.
Todavia, o secretário propôs que os recursos sejam alocados no MCT, que já possui uma ação específica na área, para serem repassados aos Centros Federais de Educação Tecnológica (Cefet) para a construção e gestão dos novos CVT.
Já nesta segunda-feira, equipes da Secis e da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec) do Ministério da Educação definem o encaminhamento da ação em reunião no Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), do MCT.
Este foi um dos resultados da visita do Conselho Consultivo da Secis, realizada sexta-feira e sábado ao Ceará aos projetos de educação tecnológica do Instituto Centec implantados no interior do Estado.
Ficou acertada a realização de um Encontro Nacional da CVTs no Ceará e a montagem de um CVT itinerante para percorrer o país, no modelo do que foi instalado em 1995 no pátio da Câmara por proposta do deputado Ariosto Holanda ao Conselho de Altos Estudos.
Joe Valle informou que o Ministério do Trabalho também irá participar do programa de ampliação da rede de CVT, porque tem a visão de inserção no mercado de trabalho, e o Ministério das Comunicações, pelo apoio à conectividade. O secretário participará nesta semana de encontro com o secretário Eliezer Pacheco, da Setec, para definir detalhes da parceria.
Em seguida, os dois secretários agendarão encontro com o presidente da Comissão de Educação da Câmara, Gastão Vieira, para definir a alocação dos recursos no MCT e a participação dos Cefet.
Em ano anterior, os deputados alocaram no MCT recursos para construção de CVT que não foram liberados e por isso tiveram as emendas perdidas.
Este ano, optaram pelo MEC. Segundo Joe Valle, houve ruído no MCT porque foi para o MEC recurso para ação que é do MCT.
Para reverter o quadro, o secretário do MCT assumiu o compromisso de retomar o processo e colocar convênio com o MEC para resolver o impasse. Segundo Joe Valle, todos os CVT que o MCT construiu nos estados têm que ser ligados ao Cefet.
A comitiva de 14 pessoas visitou o Centro Vocacional Tecnológico (CVT) de Beberibe, o Centro Vocacional Técnico (CVTec) de Aracati, o Núcleo de Informação Tecnológica (NIT) e a Faculdade de Tecnologia Centec
(Fatec) em Limoeiro do Norte.
A visita foi proposta pelo deputado Ariosto Holanda (PSB-CE), membro do Conselho Consultivo da Secis, que quando secretário de Ciência e Tecnologia do Ceará implantou 40 CVT, três Fatec e cinco NIT no Ceará.
Os conselheiros participam da inauguração do Centro de Inclusão Digital (CID) construído pelo Cefet no distrito de Córrego de Areia ao lado da escola municipal Antonio de Castro Ferreira, um dos seis construídos no município com recursos de emenda do deputado.
Participaram do ato a diretora da escola, Lianir Braúna, o secretário municipal de Educação José Lilá Malveira, o assessor da Prefeitura, Maílson Cruz, o prefeito João Dilmar da Silva e o diretor do Cefet, Cláudio Ricardo Gomes de Lima.
O coordenador geral de Apoio aos Sistemas de Ensino da Setec-MEC, Roberto Lunelli, e Álvaro André S. Amorim, coordenador de Investimento e Gestão do MEC, integrantes da visita, também vão à reunião no Ibict.
Segundo Roberto Lunelli, o trabalho que está sendo feito pelo CVT no Ceará é um projeto para o Brasil inteiro e casa com o trabalho da Setec.
"Tem que investir no convênio Setec e Ministério do Trabalho", recomenda Roberto Lunelli. Para ele, se o CVT estiver na mão de um Cefet pode oferecer cursos técnicos. "O Cefet é independente e não tem burocracia". O coordenador disse que os laboratórios de biologia, química e física do CVT não têm similar nas faculdades da sua cidade, Bento Gonçalves (RS).
Ao conhecer a Garagem Digital do Centro Digital do Ceará (CDC) do CVT de Beberibe, Roberto Lunelli observou que paga para o curso de informática do seu filho de 15 anos, que não tem a qualidade do que é dado de graça no CDC. Conforme o coordenador, um instrutor do CVT no Ceará com pós-graduação ganha R$ 1.500 por 40 h de trabalho. "É preciso ter plano de carreira para melhorar", recomendou.
Na avaliação de Álvaro Amorim, é uma fragilidade o fato do corpo técnico do CVT ser gerido por uma organização social, o Instituto Centec. "Não tem uma renda permanente", observou. Ele disse ter percebido a integração do CVT com a comunidade ao conversar com os alunos de uma escola pública que faziam os trabalhos do colégio na unidade, e propôs agregar aos cursos iniciativas de responsabilidade social e ambiental.
"A fragilidade é real", confirma Ariosto Holanda, ao atribuí-la ao contrato de gestão que a cada ano tem de ser negociado pelo Instituto Centec com o governo estadual. O deputado disse que pensa em ações de massa pois são muitos os excluídos no país – 85 milhões de analfabetos tecnológicos sem qualificação para entrar no mercado de trabalho, segundo o IBGE.
A Comissão de Educação pos a emenda à LDO para construção de 1.200 CVT, porém, surgiu o impasse para encaminhar os recursos, diz Ariosto Holanda. Os dois ministros – Fernando Haddad, do MEC, e Sérgio Rezende, do MCT – ainda não sentaram à mesa, assinala. Com os encaminhamentos após a visita de Joe Valle e os conselheiros aos CVT, ele acredita que o impasse será superado.
Ao relatório da viagem com observações dos integrantes da visita do Conselho ao Ceará serão agregadas propostas para fortalecer o CVT, informa Helena de Carvalho Fortes, do Departamento de Ações Regionais da Secis-MCT. Uma delas será apresentada por Fernando Souto, da Secis, para um APL com ação de capacitação em jóias e design e outra que visa a formatação de um plano de incentivos fiscais para empresas que investirem em projetos de inclusão social.
Para Larissa Barros, da Rede de Tecnologia Social (RTS), "a presença do CVT no município é inquestionável. Tem impacto muito forte na vida das pessoas por conta da qualidade que se tem e do corpo técnico.
Percebo que tem o domínio e a humildade, num discurso do que tem de inovativo na educação".
A conselheira da RTS recomenda dar ao modelo do CVT ênfase no campo do empreendedorismo e responsabilidade com o município. No caso do CVT de Beberibe, Larissa Barros propõe trabalhar metodologia de incubação de negócio com especialista em gestão e acompanhamento dos empreendimentos gerados.
Maria Elisabeth Ferreira, da Abipti, disse que gostaria de ver espalhado no Brasil um modelo como o do CVT pela interação com a juventude que, diz ela, "está tão largada". Segundo ela, o governador do Mato Grosso pediu à Abipti um plano de educação técnica. Na proposta,a Abipti irá indicar o CVT.
"Mesmo que não seja um projeto de Nação, o CVT tem que existir, é o que pode vingar agora", disse Elisabeth Ferreira. A conselheira recomendou procurar a parceria da Secretaria da Juventude, vinculada ao Ministério da Justiça, quando for disseminar esta idéia em todo o país. "Além do Cefet, a Abipti tem uma rede que pode integrar a essa rede com 120 institutos no país", afirmou.
José Carlos Cordeiro e Anaiza Gaspar, do Ibict, participaram da visita, e recebem hoje as equipes do MCT e MEC. Para José Carlos Cordeiro, o CVT está nas áreas de educação e ciência e tecnologia, mas pode ter interface com as de saúde, agricultura, primeiro emprego, desenvolvimento e outras. Por isso, sugere que pode ser formado um conselho com representantes de todas as áreas. "É o que no passado se chamava um projeto estruturante".
"Essas coisas pegam como semente que o vento leva", disse Anaiza Gaspar com relação ao CVT. Na noite de quinta-feira, a conselheira visitou o Cefet Pirambu ligado à ONG Emaús em Fortaleza e observou que a experiência tem as características de incorporar o conceito de gestão.
Num bairro de alto índice de violência, os jovens foram levados a ter compromisso com a comunidade do entorno, trabalhar em vários projetos sociais como o de reforço escolar a crianças e com o desenvolvimento de software e redes. O Ibict pretende fazer o mapeamento das melhores práticas, e irá incluir a experiência, informou Anaiza Gaspar.
Fernando Souto (Secis) sugeriu que as câmeras da Garagem Digital do CVT de Beberibe poderiam ser usadas para produzir documentário sobre os experimentos desenvolvidos nos laboratórios de ciências "que poucas Universidades têm" e auxiliar na sustentabilidade do projeto. "Pode ser uma incubadora de empresas para kits educacionais", sugere Ariosto Holanda.
As reuniões de avaliação do Conselho da Secis aconteceram no ônibus no trajeto de um local a outro. No CVT de Beberibe, foi mostrada a Farmácia Viva que segue o modelo criado pelo professor Abreu Matos, da UFC. São cultivadas em canteiros 31 plantas medicinais de princípio ativo comprovado, colhidas, secadas e processadas para fornecer aos médicos do Programa Saúde da Família (PSF) tinturas, cápsulas, xarope, creme, elixir e folhas para infusão.
Os conselheiros visitaram os laboratórios de física, biologia e química que recebiam alunos da escola municipal Desembargador Pedro de Queiroz. "O CVT assiste a escola pública que não tem laboratórios e faz a popularização da ciência. O CVT é povão, e dá cursos profissionalizantes de cunho essencialmente prático para quem não tem mais tempo de ir para a escola", disse Ariosto Holanda.
O deputado observa que o CVT pode ser transformado em escola técnica de nível médio com a adição de 25% de carga horária ao currículo de uma escola de ensino médio. Mas o CVT pode também ser uma faculdade, já que 25 têm sala de videoconferência e sete já estão recebendo os cursos da Universidade Aberta do Brasil (UAB) do MEC.
A prefeitura de Beberibe paga energia, telefone e água do CVT, que conta com sete instrutores. Este ano, já ofereceu 25 cursos, tem 516 treinandos e recebeu 6.940 alunos nos laboratórios, cursos e palestras de ciências e matemática. A prefeitura oferece transporte para os alunos.
A Garagem Digital, parceria com a HP Brasil e Fundação Abrinq, até hoje já capacitou 193 alunos este ano, mais 168 em cursos básicos de informática e nos fins-de-semana e noite recebeu 3.843 pessoas quando abre o acesso dos computadores à comunidade. Via Rede de Oportunidades, 24 jovens egressos dos cursos já foram contratados por empresas.
Ariosto disse que tem conversado com o ministro Fernando Haddad para ver se faz no país um grande programa de extensão através dos CVT e com o ministro Sérgio Rezende. "Lutei por integração do MCT e MEC", disse ele, que pediu aos conselheiros da Secis para analisarem, criticarem e definirem com clareza a gestão e o que viram nos CVT.
Esta foi a quarta reunião do Conselho, assinala Joe Valle. Outras vão ser realizadas em outras regiões onde há projetos financiados pela Secretaria. O secretário disse que a reunião no Ceará foi de integração e prospecção para que os conselheiros e os convidados do MEC tivessem uma visão crítica no sentido de ajudar na implementação com o foco no projeto de massificação da ação dos CVT.
A RTS, segundo Joe Valle, tem importância pela capilaridade em todo o país em diversos projetos cujos integrantes podem usar o CVT e todo o seu processo tecnológico. Para ele, a Abipti é muito importante para a gestão do trabalho da Secis, para poder fortalecer e tocar a experiência com o foco na gestão.
A reunião do Conselho Consultivo da Secis-MCT teve ainda a participação de Janildes de Lima Feitosa e Osório Guimarães Neto, ambos da Secis, Francisco José Carvalho Mazzeu, da Fundação Unitrabalho e Francisco Rodrigues Corrêa, da ONG Evolução.
( da redação com informações de Flamínio Araripe , especial para a Política Real )
Todavia, o secretário propôs que os recursos sejam alocados no MCT, que já possui uma ação específica na área, para serem repassados aos Centros Federais de Educação Tecnológica (Cefet) para a construção e gestão dos novos CVT.
Já nesta segunda-feira, equipes da Secis e da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec) do Ministério da Educação definem o encaminhamento da ação em reunião no Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), do MCT.
Este foi um dos resultados da visita do Conselho Consultivo da Secis, realizada sexta-feira e sábado ao Ceará aos projetos de educação tecnológica do Instituto Centec implantados no interior do Estado.
Ficou acertada a realização de um Encontro Nacional da CVTs no Ceará e a montagem de um CVT itinerante para percorrer o país, no modelo do que foi instalado em 1995 no pátio da Câmara por proposta do deputado Ariosto Holanda ao Conselho de Altos Estudos.
Joe Valle informou que o Ministério do Trabalho também irá participar do programa de ampliação da rede de CVT, porque tem a visão de inserção no mercado de trabalho, e o Ministério das Comunicações, pelo apoio à conectividade. O secretário participará nesta semana de encontro com o secretário Eliezer Pacheco, da Setec, para definir detalhes da parceria.
Em seguida, os dois secretários agendarão encontro com o presidente da Comissão de Educação da Câmara, Gastão Vieira, para definir a alocação dos recursos no MCT e a participação dos Cefet.
Em ano anterior, os deputados alocaram no MCT recursos para construção de CVT que não foram liberados e por isso tiveram as emendas perdidas.
Este ano, optaram pelo MEC. Segundo Joe Valle, houve ruído no MCT porque foi para o MEC recurso para ação que é do MCT.
Para reverter o quadro, o secretário do MCT assumiu o compromisso de retomar o processo e colocar convênio com o MEC para resolver o impasse. Segundo Joe Valle, todos os CVT que o MCT construiu nos estados têm que ser ligados ao Cefet.
A comitiva de 14 pessoas visitou o Centro Vocacional Tecnológico (CVT) de Beberibe, o Centro Vocacional Técnico (CVTec) de Aracati, o Núcleo de Informação Tecnológica (NIT) e a Faculdade de Tecnologia Centec
(Fatec) em Limoeiro do Norte.
A visita foi proposta pelo deputado Ariosto Holanda (PSB-CE), membro do Conselho Consultivo da Secis, que quando secretário de Ciência e Tecnologia do Ceará implantou 40 CVT, três Fatec e cinco NIT no Ceará.
Os conselheiros participam da inauguração do Centro de Inclusão Digital (CID) construído pelo Cefet no distrito de Córrego de Areia ao lado da escola municipal Antonio de Castro Ferreira, um dos seis construídos no município com recursos de emenda do deputado.
Participaram do ato a diretora da escola, Lianir Braúna, o secretário municipal de Educação José Lilá Malveira, o assessor da Prefeitura, Maílson Cruz, o prefeito João Dilmar da Silva e o diretor do Cefet, Cláudio Ricardo Gomes de Lima.
O coordenador geral de Apoio aos Sistemas de Ensino da Setec-MEC, Roberto Lunelli, e Álvaro André S. Amorim, coordenador de Investimento e Gestão do MEC, integrantes da visita, também vão à reunião no Ibict.
Segundo Roberto Lunelli, o trabalho que está sendo feito pelo CVT no Ceará é um projeto para o Brasil inteiro e casa com o trabalho da Setec.
"Tem que investir no convênio Setec e Ministério do Trabalho", recomenda Roberto Lunelli. Para ele, se o CVT estiver na mão de um Cefet pode oferecer cursos técnicos. "O Cefet é independente e não tem burocracia". O coordenador disse que os laboratórios de biologia, química e física do CVT não têm similar nas faculdades da sua cidade, Bento Gonçalves (RS).
Ao conhecer a Garagem Digital do Centro Digital do Ceará (CDC) do CVT de Beberibe, Roberto Lunelli observou que paga para o curso de informática do seu filho de 15 anos, que não tem a qualidade do que é dado de graça no CDC. Conforme o coordenador, um instrutor do CVT no Ceará com pós-graduação ganha R$ 1.500 por 40 h de trabalho. "É preciso ter plano de carreira para melhorar", recomendou.
Na avaliação de Álvaro Amorim, é uma fragilidade o fato do corpo técnico do CVT ser gerido por uma organização social, o Instituto Centec. "Não tem uma renda permanente", observou. Ele disse ter percebido a integração do CVT com a comunidade ao conversar com os alunos de uma escola pública que faziam os trabalhos do colégio na unidade, e propôs agregar aos cursos iniciativas de responsabilidade social e ambiental.
"A fragilidade é real", confirma Ariosto Holanda, ao atribuí-la ao contrato de gestão que a cada ano tem de ser negociado pelo Instituto Centec com o governo estadual. O deputado disse que pensa em ações de massa pois são muitos os excluídos no país – 85 milhões de analfabetos tecnológicos sem qualificação para entrar no mercado de trabalho, segundo o IBGE.
A Comissão de Educação pos a emenda à LDO para construção de 1.200 CVT, porém, surgiu o impasse para encaminhar os recursos, diz Ariosto Holanda. Os dois ministros – Fernando Haddad, do MEC, e Sérgio Rezende, do MCT – ainda não sentaram à mesa, assinala. Com os encaminhamentos após a visita de Joe Valle e os conselheiros aos CVT, ele acredita que o impasse será superado.
Ao relatório da viagem com observações dos integrantes da visita do Conselho ao Ceará serão agregadas propostas para fortalecer o CVT, informa Helena de Carvalho Fortes, do Departamento de Ações Regionais da Secis-MCT. Uma delas será apresentada por Fernando Souto, da Secis, para um APL com ação de capacitação em jóias e design e outra que visa a formatação de um plano de incentivos fiscais para empresas que investirem em projetos de inclusão social.
Para Larissa Barros, da Rede de Tecnologia Social (RTS), "a presença do CVT no município é inquestionável. Tem impacto muito forte na vida das pessoas por conta da qualidade que se tem e do corpo técnico.
Percebo que tem o domínio e a humildade, num discurso do que tem de inovativo na educação".
A conselheira da RTS recomenda dar ao modelo do CVT ênfase no campo do empreendedorismo e responsabilidade com o município. No caso do CVT de Beberibe, Larissa Barros propõe trabalhar metodologia de incubação de negócio com especialista em gestão e acompanhamento dos empreendimentos gerados.
Maria Elisabeth Ferreira, da Abipti, disse que gostaria de ver espalhado no Brasil um modelo como o do CVT pela interação com a juventude que, diz ela, "está tão largada". Segundo ela, o governador do Mato Grosso pediu à Abipti um plano de educação técnica. Na proposta,a Abipti irá indicar o CVT.
"Mesmo que não seja um projeto de Nação, o CVT tem que existir, é o que pode vingar agora", disse Elisabeth Ferreira. A conselheira recomendou procurar a parceria da Secretaria da Juventude, vinculada ao Ministério da Justiça, quando for disseminar esta idéia em todo o país. "Além do Cefet, a Abipti tem uma rede que pode integrar a essa rede com 120 institutos no país", afirmou.
José Carlos Cordeiro e Anaiza Gaspar, do Ibict, participaram da visita, e recebem hoje as equipes do MCT e MEC. Para José Carlos Cordeiro, o CVT está nas áreas de educação e ciência e tecnologia, mas pode ter interface com as de saúde, agricultura, primeiro emprego, desenvolvimento e outras. Por isso, sugere que pode ser formado um conselho com representantes de todas as áreas. "É o que no passado se chamava um projeto estruturante".
"Essas coisas pegam como semente que o vento leva", disse Anaiza Gaspar com relação ao CVT. Na noite de quinta-feira, a conselheira visitou o Cefet Pirambu ligado à ONG Emaús em Fortaleza e observou que a experiência tem as características de incorporar o conceito de gestão.
Num bairro de alto índice de violência, os jovens foram levados a ter compromisso com a comunidade do entorno, trabalhar em vários projetos sociais como o de reforço escolar a crianças e com o desenvolvimento de software e redes. O Ibict pretende fazer o mapeamento das melhores práticas, e irá incluir a experiência, informou Anaiza Gaspar.
Fernando Souto (Secis) sugeriu que as câmeras da Garagem Digital do CVT de Beberibe poderiam ser usadas para produzir documentário sobre os experimentos desenvolvidos nos laboratórios de ciências "que poucas Universidades têm" e auxiliar na sustentabilidade do projeto. "Pode ser uma incubadora de empresas para kits educacionais", sugere Ariosto Holanda.
As reuniões de avaliação do Conselho da Secis aconteceram no ônibus no trajeto de um local a outro. No CVT de Beberibe, foi mostrada a Farmácia Viva que segue o modelo criado pelo professor Abreu Matos, da UFC. São cultivadas em canteiros 31 plantas medicinais de princípio ativo comprovado, colhidas, secadas e processadas para fornecer aos médicos do Programa Saúde da Família (PSF) tinturas, cápsulas, xarope, creme, elixir e folhas para infusão.
Os conselheiros visitaram os laboratórios de física, biologia e química que recebiam alunos da escola municipal Desembargador Pedro de Queiroz. "O CVT assiste a escola pública que não tem laboratórios e faz a popularização da ciência. O CVT é povão, e dá cursos profissionalizantes de cunho essencialmente prático para quem não tem mais tempo de ir para a escola", disse Ariosto Holanda.
O deputado observa que o CVT pode ser transformado em escola técnica de nível médio com a adição de 25% de carga horária ao currículo de uma escola de ensino médio. Mas o CVT pode também ser uma faculdade, já que 25 têm sala de videoconferência e sete já estão recebendo os cursos da Universidade Aberta do Brasil (UAB) do MEC.
A prefeitura de Beberibe paga energia, telefone e água do CVT, que conta com sete instrutores. Este ano, já ofereceu 25 cursos, tem 516 treinandos e recebeu 6.940 alunos nos laboratórios, cursos e palestras de ciências e matemática. A prefeitura oferece transporte para os alunos.
A Garagem Digital, parceria com a HP Brasil e Fundação Abrinq, até hoje já capacitou 193 alunos este ano, mais 168 em cursos básicos de informática e nos fins-de-semana e noite recebeu 3.843 pessoas quando abre o acesso dos computadores à comunidade. Via Rede de Oportunidades, 24 jovens egressos dos cursos já foram contratados por empresas.
Ariosto disse que tem conversado com o ministro Fernando Haddad para ver se faz no país um grande programa de extensão através dos CVT e com o ministro Sérgio Rezende. "Lutei por integração do MCT e MEC", disse ele, que pediu aos conselheiros da Secis para analisarem, criticarem e definirem com clareza a gestão e o que viram nos CVT.
Esta foi a quarta reunião do Conselho, assinala Joe Valle. Outras vão ser realizadas em outras regiões onde há projetos financiados pela Secretaria. O secretário disse que a reunião no Ceará foi de integração e prospecção para que os conselheiros e os convidados do MEC tivessem uma visão crítica no sentido de ajudar na implementação com o foco no projeto de massificação da ação dos CVT.
A RTS, segundo Joe Valle, tem importância pela capilaridade em todo o país em diversos projetos cujos integrantes podem usar o CVT e todo o seu processo tecnológico. Para ele, a Abipti é muito importante para a gestão do trabalho da Secis, para poder fortalecer e tocar a experiência com o foco na gestão.
A reunião do Conselho Consultivo da Secis-MCT teve ainda a participação de Janildes de Lima Feitosa e Osório Guimarães Neto, ambos da Secis, Francisco José Carvalho Mazzeu, da Fundação Unitrabalho e Francisco Rodrigues Corrêa, da ONG Evolução.
( da redação com informações de Flamínio Araripe , especial para a Política Real )