31 de julho de 2025

Nordeste e Educação. Presidente da Comissão da Educação sugere que Sociedade deveria destinar sua indignação contra a falta de qualidade na educação da mesma forma que fez no Caso Renan Calheiros.

Gastão Vieira disse que a Bancada do Nordeste deveria trabalhar mais pela educação ; Hoje, foi realizado Seminário Internacional sobre Educação.

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( Brasília- DF, 17/09/2007) A Política Real está atenta. Com o objetivo de promover políticas públicas e ações concretas baseadas em evidências científicas e nas experiências de países onde a educação deu certo e, também, o de contribuir para o debate nacional sobre a importância da qualidade na educação e para a busca por soluções estruturais para a transformação do sistema educativo brasileiro, a CEC - Comissão de Educação e Cultura da Câmara - em parceria com a CNC, SESC e SENAC, com o apoio do Ministério da Educação e do Instituto Alfa e Beto, promoveu nesta segunda-feira, 17, no Congresso Nacional, o Seminário Internacional, sobre a Educação no Século XXI.

Além do presidente da CEC da Câmara, deputado Gastão Vieira(PMDB/MA), participaram do evento, conferencistas da Europa, representada pelo professor Thomas Deissinger, titular da cadeira de Educação para Negócios e Economia da Universidade de Konstanz, na Alemanha, e o finlandês, Phd e expert em política e reformas educacionais da Europen Training Foundation, com sede em Torino na Itália, Pasi Salberg.

O Brasil foi representado pelos professores Cláudio de Moura Castro, doutor em economia, presidente do Conselho Consultivo da Faculdade Pitágoras, em Belo Horizonte, e pelo professor da Universidade Católica de Brasília, Candido Alberto Gomes, doutor em educação pela Universidade de Los Angeles(USA).

De acordo com Gastão Vieira, um dos principais temas debatidos no Seminário foi a questão do número de analfabetos revelado pela pesquisa do PDE/MEC, e divulgado pelo governo federal, mostrando a região nordeste brasileira como campeã no país, com Alagoas em primeiro lugar e Maranhão em terceiro no índice de analfabetismo brasileiro.

O presidente da CEC da Câmara reage, contra a pesquisa afirmando que estes índice não podem ser divulgados isoladamente. Gastão Vieira protestou: "em primeiro lugar eu gostaria de ser um pouco cuidadoso com esta confirmação do MEC em localizar no Nordeste a tragédia da falta de qualidade da educação brasileira. Afinal esta tragédia é nacional".

Segundo o parlamentar "não existe qualidade geral no ensino brasileiro, principalmente se comparado com os padrões internacionais, por isto é que estamos realizando este Seminário sobre o ensino médio diversificado. Não podemos esquecer que esta mesma pesquisa do MEC mostra que numa escala de um a dez, em média nota, a média nacional do ensino ficou abaixo de três, sendo que alguns estados mais desenvolvidos obtiveram nota quatro. Por tanto é uma tragédia nacional".


Os dados da pesquisa sobre o PDE nacional, mostram um ensino público nordestino estagnado, parado, há anos. Da Bahia ao Maranhão não se constata, de acordo, ainda, com dados da pesquisa, investimentos qualificados no setor do ensino público. Há maioria dos recursos solicitados pelo parlamentares da região nordeste, através de emendas ao Orçamento da União, são, em sua maioria, para construção de barragens ou adutoras. Recursos para a aplicação na melhoria do ensino, o percentual é quase zero.


Gastão Vieira protestou: "todo mundo está indignado porque o Senado absolveu Renan, eu colhi isto em toda a parte. Se esta indignação passasse a metade para a educação, para a qualidade da educação que nós recebemos, teríamos avançado muito".


Neste sentido, disse Gastão Vieira, a Bancada Nordestina na Câmara, composta por 151 parlamentares, e coordenada pelo deputado Zezéu Ribeiro(PT/BA), pouco ou nada tem contribuído para a melhoria do setor educacional da região. Mesmo que a maioria dos projetos ligados a CEC sejam entregues para que parlamentares nordestinos relatem, a situação pouco muda, disse Gastão Vieira, Enquanto isto, alertou o parlamentar maranhense, o norte do país, aqueles territórios que se transformaram em estado, a cada ano melhoram sua qualidade de ensino.


"Nós temos que aprender a ouvir o que têm a nos dizer os educadores de outros países. A Coréia é o maior exemplo disto. Lá eles adotaram a regra de colocar nas piores escolas os seus melhores professores, sendo que o primeiro atendimento é a zona rural. Ao invés de baixar a qualidade do ensino eles sobem a qualidade de aprendizado dos alunos", alertou o presidente da Comissão de Educação da Câmara.


Gastão Vieira chamou a atenção para um fato. É no Nordeste que está o melhor ensino brasileiro público. Teresina(PI), por exemplo, é considerada, pela pesquisa do PDE, como a capital brasileira com melhor nível educacional do país. Das dez melhores escolas de ensino médio, duas são do Piauí e dos dez melhores municípios brasileiros de ensino fundamental, um é do Maranhão. Alto Alegre do Pindareu.

( Por Almiro Archimedes, especial para a Política Real, com edição de Genésio Araújo Junior)