31 de julho de 2025

Pernambuco. Roberto Freire, falando como presidente do PPS, chama José Alencar de novo “aliciador” de Lula.

A Política Real teve acesso.

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( Brasília-DF, 23/08/2007) A Política Real teve acesso.

O presidente nacional do PPS, ex-deputado, hoje suplente de senado, Roberto Freire(PE), voltou a se manifestar. Ele não veio ao Congresso, eram famosas suas falas no Salão Verde. Ele deu uma entrevista ao site do seu Partido.

Confira abaixo a entrevista.


A denúncia do procurador

"A denúncia do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, encaminhada ao Supremo Tribunal Federal logo após o término da CPI dos Correios e o arrefecimento da opinião pública em relação aos escândalos que ocorreram no governo Lula, denominados genericamente de mensalão, foi de uma de contundência que não tem tamanho na história do Brasil. Nós, inclusive, colocamos no site do partido a íntegra dessa denúncia, destacando que era um fato inédito. Não se tem notícia de que países democráticos tenham tido uma denúncia com a amplitude e com a contundência como essa, em que estavam envolvidos ex-ministros e toda a direção política de um partido (PT) que estava no governo, defendendo, por meio criminoso, interesses do Executivo e do presidente da República. Era tudo articulado, e de forma sistemática, para a construção de uma ampla maioria na Câmara dos Deputados. Ou seja, era a compra de partidos no atacado e de parlamentares no varejo para formar uma base de sustentação do presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva. Sobre a denúncia, até dizíamos que faltava um. Em algum momento o número (40) era até bem sugestivo, embora a história de "Mil e Uma Noites" não seja isso, mas é que se dizia que eram os 40 ladrões e faltava o Ali Babá, como se o Ali Babá também fosse ladrão, embora na história não seja bem isso."

A reação da sociedade

"Essa contundência (da denúncia do procurador) infelizmente não foi percebida pela sociedade brasileira. Eu espero que agora, com o julgamento no Supremo Tribunal Federal para se saber se a Corte aceita a denúncia, a população recobre a sua memória e comece a perceber não o escândalo apenas, mas o que significou no Brasil uma fratura do ponto de vista ético e moral no trato da coisa pública. E aí vale o bordão utilizado por Lula: Nunca neste país se viu tamanha imoralidade como naquele momento que hoje todos nós denominamos como o escândalo do mensalão".

A ligação de Lula com o esquema

"É incrível qualquer pessoa de bom senso imaginar que existe um crime que não tenha nenhum objetivo. E que não haja também aquele que vai se beneficiar da prática criminosa. A não ser que alguém entenda que não está na prática criminosa o que deu e o que recebeu. Esses são exatamente os agentes do crime. É uma via de mão dupla. Portanto, os mensaleiros e os que desviaram recursos para pagar as mensalidades, as semanas, as semestralidades, não importa a periodicidade da propina, eram os criminosos. O beneficiário estava ausente daquela prática? Por que se estava fazendo o crime de compra de consciências e de votos? No momento em que se faz essa pergunta, que é a pergunta que qualquer detetive faz, se chega à questão: a quem interessa o crime? Interessava a quem? Ao governo! Porque você articulou toda uma compra de parlamentares e partidos para formar a base do Palácio do Planalto e para votar a favor do interesse dele. E o governo é presidido por Luiz Inácio Lula da Silva. Falta um nesse processo do mensalão".

Procurador avançou

"Ao sustentar sua denúncia no Supremo (nesta quarta-feira), o procurador avançou quando colocou o governo como parte interessada na prática criminosa. Antes, ele falava apenas numa estrutura de manutenção do poder, como se o objetivo, o crime, interessasse apenas ao PT. Era restringir os efeitos ao PT, como se o interesse fosse apenas do partido em corromper o Congresso e aumentar a base do governo. Daí a inclusão de ministros do PT e da direção do partido na denúncia, mas excluindo o presidente da República. Agora, nessa sustentação (da denúncia), quando ele fala que o mensalão não era um surto de filantropia partidária, ficou claro que o esquema não era só para manter o poder, mas para defender interesses do governo".

Zé Dirceu

"Está claro que houve um centro de articulação criminosa para organizar o propinoduto e a compra de parlamentares e partidos. Esse centro, tal como no governo, em ações legais e atos administrativos, tinha aquele que era o grande articulador e centralizador, que era o ministro da Casa Civil, José Dirceu, o grande gerentão. Então, a compra de deputados e partidos, mais a participação do Banco Rural e do BMG no esquema, não poderia se dar sem a participação e a autorização dele. Esses dois bancos, esses dois tamboretes, foram benefiados por ações administrativas do governo. Tiveram o privilégio de se transformar em bancos importantes em determinados segmentos do mercado financeiro, como o crédito consignado para aposentados, onde não tinham qualquer tradição com o INSS, como era o caso do BMG. Tudo isso indicava que esse centro não parava só em José Dirceu. O procurador parou. É evidente que esse centro era mais alto, era o núcleo do poder. E do núcleo do poder não pode estar ausente aquele que o representa, que é o presidente Lula. Isso foi uma ação coordenada pelo governo dele".

O novo "gato" de Lula e a continuidade do esquema

"Esse quadro dramático que o país vive desde o mensalão não mudou. Agora vem o novo. Estamos vendo o presidente Lula usar o vice-presidente da República para o papel de cooptador, nesse momento em que o governo utiliza de todas as suas forças para prorrogar a CPMF. José Alencar está na função de aliciador. Claramente aliciador, para cooptar parlamentares de outros partidos, com muita ênfase no Senado, onde o governo não tem maioria folgada. Estamos assistindo a algo que pode até não resultar em outro escândalo (mensalão), mas eu diria que é a continuidade da mesma prática política. Qual o papel hoje do vice-presidente da República, a mando do presidente Lula? É cooptar! As notícias de imprensa dizem isso. E o pior é que a prática é adotada dentro do Palácio do Planalto e até quando ele (José Alencar) está no exercício da Presidência da República. Fala concretamente que vai atender (os cooptados) com fisiologismos, clientelismos. Só não fala que vai comprar, mas nitidamente está. O aliciador que eu conheço é aquele que vulgarmente chamamos de 'gato', que alicia, geralmente, mão-de-obra para ser explorada como trabalhadores escravos. Então, agora o vice do Presidente da República é um 'gato'. É o 'gato' do governo. Você vê que o esquema continua".

Falta um novo Roberto Jefferson?

"A compra e a cooptação de parlamentes continuam, e tudo fica por isso mesmo. E por quê? Aí precisamos recordar o mensalão. Lá, tivemos o Roberto Jeffersson (presidente do PTB e deputado cassado que denunciou o esquema) que fez com que (o mensalão) explodisse. A que ponto de degradação chegamos. Só estamos discutido isso aqui (o mensalão), só temos uma denúncia de um procurador-geral da República e estimulamos uma CPI, porque se rompeu aquilo que tinha se estabelecido e é regra da "cosa nostra", da máfia: o silêncio. Como Buschetta (Tomaso - mafioso que entregou a máfia italiana e deu origem à operação Mãos Limpas) lá na Itália, aqui no Brasil tivemos o Roberto Jefferson para quebrar essa nova máfia que se formou em torno do governo Lula. Como não temos um novo Roberto Jefferson, eu não sei detalhes do que está por trás dessa promiscuidade que continua no Brasil".

Câmara e extrema direita golpista

"Alguém já disse que essa Câmara dos Deputados, do jeito que está, aprova qualquer coisa. Se não tomar cuidado aprova até o seu fechamento. Infelizmente, por algumas práticas que o Congresso está tomando, ajuda a fazer aparecer essas aves agourentas, a extrema direita golpista e, também, pela esquerda, setores que imaginam que democracia não é valor algum, que pode se jogar na lata do lixo, e lançar mão de terceiro mandato (para o presidente Lula) e constituinte exclusiva, um golpismo que circula até no Palácio do Planalto. Então, infelizmente, o Brasil está perdendo os seus valores. Tudo isso, teve um começo, que hoje está no Supremo Tribunal Federal, que foi o mensalão".


( da redação com informações de assessoria)