31 de julho de 2025

Nordeste e a Saúde. Presidente da Federação dos Médicos alega que crise no Nordeste é grave.

Representantes do setor vão se encontrar com o ministro Temporão para pensar em ações federais.

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(Brasília-DF, 23/08/2007) O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, vai receber hoje, às 18h, representantes de organizações médicas para discutir a crise da Saúde no Nordeste. Atualmente três estados da região estão com os seus profissionais da saúde em greve. Em Alagoas a situação é a mais grave, com uma paralisação que já dura 87 dias. O encontro vai contar com a presença do presidente da Federação Nacional dos Médicos (Fenam), Eduardo Santana, do Conselho Federal de Medicina, Edson Oliveira Andrade, e da Associação Médica Brasileira, José Luiz Gomes do Amaral.

“Estamos buscando o Ministério da Saúde para intervir junto aos estados e criar condições para resolver a situação”, declarou Eduardo Santana. O médico explica que a política de recursos humanos e as condições de trabalho precárias têm sido o principal motivo de paralisação dos profissionais. “Não se pode achar normal um médico ter que atender um indivíduo no chão”, revelou. Santana conta que a situação precária nesses estados têm levado os médicos a decidirem quem vão atender. “Se aceitarmos essa situação vamos estar sendo cúmplices”, declarou.

“Não estamos pedindo um aumento de salário, mas sim a recomposição do salário. E essas reivindicações são antigas”, disse Santana. O presidente da Fenam explica que em Alagoas foi feito um plano de carreira há dois anos, mas o aumento no salário não foi cumprido. Ele alega que a situação de Alagoas é a mais precária, com um salário de R$ 850,00. Os médicos alagoanos estão pedindo um aumento de 50%, que significaria um salário de R$ 1.200, 00.

“Não existe vontade de resolver o problema”, disse Santana sobre a paralisação em Alagoas. O médico alega que esteve em reuniões em que o governador Tetotônio Vilela Filho assumiu compromissos que não honrou. “Ao ter essa atitude o governo está colocando em risco a população de Alagoas”, critica. Questionado sobre o resultado das negociações da greve em Pernambuco, que foi resolvida há duas semanas, o médico é cauteloso. “A negociação feita em Pernambuco não foi definitiva. Ainda temos o que avançar”, analisou Santana.

O presidente da Fenam admite a falta de recursos dos estados, que muitos estão endividados e espera que o governo federal possa contribuir para ajudar na crise. “Nessa discussão com o ministro vamos buscar ações que o governo federal possa estar fazendo”, afirmou. Eduardo Santana diz que espera ações imediatas, pois a situação é grave. “Estou preocupado porque a paraíba já avisou que ia colocar pacientes em aviões para mandar para Pernambuco”, disse. O médico explica que essa decisão pode prejudicar o sistema de saúde pernambucano que ainda não está sanado e não comportaria novos atendimentos. “Para mim essa atitude é uma irresponsabilidade do gestor”, dispara Santana.

(por Liana Gesteira)