31 de julho de 2025

Nordeste e o Novo Congresso.

Renan Calheiros foi o destaque nordestino na reabertura do trabalhos legislativos; Congresso saberá fazer a sua parte em prol do crescimento nacional, assegura Renan – Veja a íntegra do discurso de Calheiros que deu ênfase ao PAC e Reforma Política.

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( Brasília-DF, 02/02/2007) A tarde de hoje para os novos parlamentares foi dedicada a regimentalíssima retomada dos trabalhos legislativos. A já tradicional reabertura da sessão, no caso da nova legisaltura, contou com a presença da Presidente do STF, a gaúcha-carioca Ellen Gracie e da mineira-gaúcha, Dilma Rousseff, da Casa Civil, porém o destaque nordestino foi o presidente Renan Calheiros( PMDB-SP). Não podemos esquecer a presença do novo presidente da Câmara Federal, deputado Arlindo Chinaglia(PT-SP).

Quem trouxe a mensagem do presidente Lula, que está cumprindo agenda em São Paulo, foi a Ministra Chefe da Casa Civil, como manda a regra, porém dessa vem quem leu foi o novo Primeiro Secretário, Osmar Serraglio(PMDB-PR). Ele derrotou ontem o nordestino Wilson Santiago( PMDB-PB).

O presidente do Senado, Renan Calheiros, destacou os grandes desafios colocados pelo Executivo e pelo Judiciário para os trabalhos legislativos deste ano. Ele garantiu que o Legislativo vai cumprir o seu papel, "pisando fundo" nas reformas necessárias para acelerar o crescimento econômico do país e também na avaliação das matérias que integram o Programa de Aceleração Econômico (PAC), encaminhado pelo Executivo.

Renan observou, no entanto, que o PAC pode ser aprimorado, manifestou sua confiança na possibilidade de o Congresso apresentar contribuições valiosas ao pacote de medidas do governo.

- Tenho certeza que as duas Casas legislativas farão contribuições significativas ao programa, como forma de garantir soluções para um crescimento igualitário, solitário e justo. O Congresso irá funcionar como uma caixa de ressonância nacional ouvindo todos os agentes da sociedade que aqui poderão defender suas convicções - disse.

Renan Calheiros disse ainda que não vê dificuldades para o Congresso compatibilizar o exame do PAC com o estudo das reformas política, tributária, sindical e trabalhista.

- A discussão não ficará paralisada, pois é imprescindível compatibilizar as ações em prol de uma agenda de crescimento. O Congresso saberá colaborar para ajudar a colocar o Brasil nos trilhos, pois é formado por homens públicos que têm a exata consciência do que o país precisa -afirmou.

VEJA A ÍNTEGRA DO DISCURSSO DO SENADOR RENAN CALHEIROS:

"É com grande satisfação que damos início hoje a 53ª legislatura do Congresso Nacional eleito pela vontade soberana do povo brasileiro no pleito de 2006 para o próximo quadriênio. Mais do que uma cerimônia protocolar de abertura dos trabalhos, esta sessão possui o diferencial de ser inaugurada já com os desafios colocados de debater uma agenda nacional que sinaliza para o crescimento da Nação que acaba se ser apresentada pelo Executivo ao País.

O Programa de Aceleração Econômica, que agrega Medidas Provisórias, Projetos de Lei, Projetos de Lei complementar, todos como a própria mensagem diz, são naturalmente suscetíveis a aprimoramentos, correções, reparos e ajustes que o Congresso Nacional entender convenientes e necessários. O governo anunciou o PAC como um primeiro passo. Além deste debate, caberá também ao Congresso Nacional eleito dinamizar as Reformas estruturantes, especialmente a inadiável reforma Política, a Tributária, a Trabalhista e a Sindical, urgentes e inadiáveis. Não será por inércia do Congresso que a discussão ficará paralisada.

Não creio que haja diagnóstico divergente quanto à necessidade uma agenda de desenvolvimento sustentado. Ela é imprescindível para o País e pode ser naturalmente compatibilizada com as Reformas que se encontram sob discussão no Congresso Nacional. O que iremos discutir aqui nos próximos meses são as propostas do Executivo, do legislativo, do judiciário, da sociedade etenho certeza, com ricas contribuições desta duas casas. Ao Congresso também compete apontar soluções para um crescimento sustentável, igualitário e justo.

Esta é uma casa cuja razão de existir é funcionar como caixa de ressonância nacional, por isso, todos os entes envolvidos, todos os agentes econômicos, a sociedade, o próprio Executivo e o Judiciário terão aqui o espaço para defender suas convicções.

Ouviremos, com certeza, a posição dos governadores sobre a perspectiva da renúncia fiscal causar mais estragos a quem não pode mais contribuir, ouviremos os representantes dos trabalhadores e ouviremos as sugestões da iniciativa privada.

Deveremos, enfim, ouvir todos os agentes envolvidos, ouví-los com atenção e colaborar para identificar os pontos que representam as maiores ansiedades sociais.

A prosperidade deste programa depende de sua implementação, da aprovação da sociedade, especialmente do setor produtivo, de medidas complementares e da crença de que ele representará ganhos para a sociedade e o crescimento almejado.

Eu, particularmente, incorporo o otimismo demonstrado pelo governo e torço muito para que ele se encontre com as projeções da iniciativa privada, do mercado financeiro e da sociedade.

O Congresso Nacional, com o debate público, a qualidade de seus quadros, saberá encontrar uma via para serena para o crescimento, saberá colaborar no intuito de soltar o freio e colocar o Brasil no trilho do crescimento certo e seguro.

O Congresso é formado por homens públicos que têm exata consciência sobre seus deveres e responsabilidades com o País e eles saberão dar sua melhor contribuição na busca do bem estar coletivo. Estou certo que nossa conduta estará pautada, como sempre foi, pela perseguição do bem comum, pelo patriotismo, na busca de igualar as oportunidades, distribuir renda e minimizar a pobreza.

As projeções do cenário mundial são confortáveis. Mesmo com desaceleração nos Estados Unidos, elas ainda sinalizam para um crescimento médio e sustentável acima de 6% para os países emergentes, inclusive nações da América Latina cujas carências notórias não permitiram taxas semelhantes nos últimos 15 anos. Temos potencial e responsabilidade para dar os passos do tamanho dos demais paises emergentes.

Já fizemos grande parte do nosso dever de casa e, por isso,é lícito manter a confiança para ano de 2007.

A inflação está domada e deve ficar 0,5% abaixo da meta de 4,5%; as reservas internacionais podem ultrapassar os 100 bilhões de dólares, diminuindo ainda mais nossa vulnerabilidade a choques externos; devemos contar com o quinto ano consecutivo de superávit em transações correntes; o saldo da balança comercial deverá estar muito próximo dos 45 bilhões de dólares dos dois últimos anos; a massa salarial, o poder de compra, inclusive com o ganho real Mínimo, vem aumentando e tem dado contribuições consistentes no crescimento; os programas de transferência de renda ajudam na mobilidade social;

O aumento do crédito, inclusive o consignado, com manutenção dos níveis de inadimplência é outro dado significativo da economia; o financiamento de automóveis, o incrementode créditos imobiliários que será impulsionado por linhas específicas para classe média também colaboram e as projeções sugerem um bom ano para setor agrícola, que no Brasil precisa ser reorganizado por causa dos sobressaltos do câmbio. Acostumada a um vai e vem na economia, onde um ano era bom e outro ruim, a sociedade ignorava a sensação de estabilidade e por isso a população brasileira é, hoje, a mais otimista do continente quanto aos rumos da economia.

Se houver uma conjugação de esforços avançaremos mais. A tranquilidade política, não me refiro à unanimidade, é um importante dado para soltar o engate dos juros, da reforma tributária e do câmbio valorizado, regulamentar as PPPs com concessões ao setor privado, investir decisivamente em infra-estrutura e retomar as grandes obras. Este é o norte que deveremos adotar. O papel do Congresso é pisar fundo nas reformas estruturais que estão inibindo os investimentos internos e externos. As reformas devem ter o dínamo do tamanho da vontade do eleitor e, em nenhuma hipótese, devem ser adiadas ou procrastinadas e lá adiante serem vítimas de contaminações eleitorais."

(da redação com informações de assessoria)