31 de julho de 2025

As faces da democracia

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Hoje é sábado. Faltei com vocês nessa sexta. Motivos não faltaram.

Bem, a semana se foi e, em tese, a sessão legislativa - que vem a ser a forma rebuscada que se dá no Congresso ao semestre da legislatura. Seria a terceira sessão desta legislatura. Se esperava que tudo findasse nessa semana, mas com uma manobra pefelista e carioca a coisa ficou para essa terça, quando finalmente deverá ser votada a Lei de Diretrizes e Bases, a LDO, e alguns créditos suplementares, inclusive que podem aumentar salário de servidores.

Quem acompanhou a Agência Politicareal pôde bem entender como se deu o ocorrido e qual foi a participação dos nordestinos no episódio, porém convoco os que se prestam a ler essas mal-traçadas a procurar entender uma constatação e seus movimentos.

O recesso dos deputados e senadores só foi adiado pois um parlamentar decidiu ameaçar derrubar uma sessão( que vem a ser a forma como se fala aqui quando não se tem quorum suficiente para deliberar) se não fizessem o que ele desejava e considerava justo. Não está em questão entender as razões maiores que o deputado Rodrigo Maia(PFL-RJ) usou para impedir que a sessão fosse adiante. Pode se reconhecer, rapidamente, como jogo de palavras, artimanha regimental e de oratória. O que chama atenção é o caráter fundamental da vida parlamentar e suas nuâncias claramente democráticas e fascinantes.

O cerne do modelo de representação parlamentar, e republicano, vem a ser a regra do ?um homem, um voto?. No Parlamento, um homem pode valer um voto e pode valer muitos votos. A manobra de Rodrigo Maia(PFL-RJ) só foi possível pois ele usou o seu voto! Mesmo que todos se unissem para questioná-lo ninguém iria derrotá-lo, o interesse de toda a base aliada foi pro vinagre. A vontade e o voto de Maia colocou todos os outros interesses de lado. Ele venceu! Teve gente que alegou que ele estava querendo transformar um querer local num querer nacional. Alegou-se muita coisa naquela votação de quinta tarde-noite.

Tem muita gente que vê a constatação feita, agora por nós, como coisa menor, ou sem importância ? uma formalidade. Tolice de minimalista ! - com todo o respeito. Dessa formalidade se constrói a República, com seus méritos e deméritos. No Parlamento, é bom ficar claro - existem votos qualificados porém de nada adiante levar um saco de dinheiro dentro dos bolsos. Um homem sempre será um voto - para mudar isso, cabe a cada um, convencer outros votos a irem com ele. Coisas de democracia, que animam e empestilizam.

Bom dia, crestes e descrentes.

PONTUANDO

Ontem, o pessoal do Banco do Nordeste e a Brasilinvest fez uma rodada de negócios com governadores e empresários, além de ter divulgado que passará a operar como banco de investimento com uma subsidiária.

Vamos ficar poraqui. Que a sabatina seja célebre.

Por Genésio Araújo Junior

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