8,5 milhões de eleitores com 70 anos ou mais não votaram no 1º turno; ir às urnas em 25 de outubro vale como prova de vida no INSS
Levantamento do Movimento Voto 70+ com microdados do TSE mostra que 4 milhões dos ausentes têm 80 anos ou mais e que 6 em cada 10 são mulheres
Publicado em
(Brasília-DF, 21/10/2026) Nesta quarta-feira, 21, foi divulgada uma análise do Movimento Voto 70+ sobre os microdados de comparecimento e abstenção do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Em torno de 8,49 milhões de eleitores com 70 anos ou mais aptos a votar não compareceram ao primeiro turno das eleições de 2026.
Para quem recebe aposentadoria, pensão ou benefício assistencial, o segundo turno, no domingo, 25 de outubro, é uma nova oportunidade: o comparecimento às urnas pode ser usado pelo INSS como prova de vida, mesmo por quem não votou no primeiro turno.
A abstenção dos eleitores 70+ caiu de 58,9% em 2022 para 49,2% em 2026, mas quase metade desse eleitorado, para o qual o voto é facultativo, ainda ficou em casa.
Quem faltou no 1º turno
A ausência cresce com a idade. Entre os eleitores de 80 anos ou mais, sete em cada dez não votaram.
|
Faixa etária |
Eleitores aptos |
Não compareceram |
Abstenção |
|---|---|---|---|
|
60 a 69 anos (voto obrigatório) |
20,21 milhões |
2,61 milhões |
12,9% |
|
70 a 79 anos |
11,74 milhões |
4,45 milhões |
37,9% |
|
80 anos ou mais |
5,52 milhões |
4,03 milhões |
73,1% |
|
Total 70+ (voto facultativo) |
17,25 milhões |
8,49 milhões |
49,2% |
Mulheres
Um total de 5,14 milhões de eleitoras, mulheres, com 70 anos ou mais não votaram, 60,6% do total de ausentes nessa faixa. A abstenção feminina 70+ foi de 52,7%, ante 44,6% entre os homens.
Sudeste
A região Sudeste reúne 4,33 milhões dos ausentes 70+, pouco mais da metade do total. São Paulo sozinho soma 2,01 milhões, quase um em cada quatro. Em seguida vêm Minas Gerais (1,08 milhão), Rio de Janeiro (1,07 milhão), Rio Grande do Sul (608 mil) e Bahia (475 mil).
Estados
No Acre, Amazonas, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Tocantins e Distrito Federal, onde o segundo turno também escolhe o governador, 1,58 milhão de eleitores 70+ não votaram no primeiro turno. Só o Rio de Janeiro responde por 1,07 milhão.
2022
Na eleição de 2022, o número de eleitores 70+ que votaram subiu de 6,13 milhões no primeiro turno para 6,74 milhões no segundo, 614 mil a mais. A abstenção nessa faixa caiu de 58,9% para 54,7% entre os dois turnos.
Prova de vida
A prova de vida pelo voto é feita de forma automática, pelo cruzamento de dados entre a Justiça Eleitoral e o INSS. Quem vota não precisa guardar o comprovante nem ir a um banco ou agência. A regra vale para aposentados, pensionistas e beneficiários de programas assistenciais, mesmo para quem faltou no primeiro turno. O mecanismo abrange cerca de 40 milhões de benefícios ativos.
Em 2024, foram registrados eventos eleitorais relacionados a 20,95 milhões de beneficiários, que contribuíram para a atualização de aproximadamente 5 milhões de Provas de Vida.
Justificar não conta: apenas o comparecimento à urna vale como prova de vida. A justificativa de ausência não tem o mesmo efeito.
Faltar não bloqueia o benefício automaticamente: quem não votar pode fazer a prova de vida por outros meios. A situação pode ser consultada no aplicativo Meu INSS, na opção "Prova de Vida", ou pela Central 135.
A falta no primeiro turno precisa ser justificada à parte: votar no segundo turno não regulariza a ausência no primeiro, que pode ser justificada até 3 de dezembro pelo aplicativo e-Título, pelo Autoatendimento Eleitoral ou no cartório eleitoral. Maiores de 70 anos não precisam justificar.
Mobilização para o segundo turno
“A participação de parcela do eleitorado tem relevância, especialmente quando a diferença de votos entre os candidatos é pequena. Os brasileiros com mais de 70 anos representam uma população crescente, mas ainda enfrentam barreiras para exercer o direito ao voto. Nossa campanha busca mostrar que a participação política não tem prazo de validade e que o envelhecimento não pode significar o afastamento das decisões sobre o futuro do país”, afirma Cléa Klouri, idealizadora do Movimento Voto 70+ e cofundadora do data8.
O Movimento Voto 70+ mantém a campanha nacional no segundo turno, com foco nas barreiras que dificultam o comparecimento às urnas, como limitações de mobilidade, ausência de redes de apoio e etarismo. Uma das frentes é a campanha Vovó Vota, mobilização digital que propõe aproximar netas e avós durante as eleições, com orientações práticas para organizar o deslocamento até o local de votação, conferir documentos e oferecer companhia às eleitoras.
Metodologia: análise do Movimento Voto 70+ sobre o conjunto “Perfil do comparecimento e abstenção” do TSE, 1º turno de 2026 (arquivo gerado pelo TSE em 13/10/2026) e 1º e 2º turnos de 2022. Os números incluem eleitores aptos no Brasil e no exterior. Os dados do TSE não permitem identificar quais eleitores são beneficiários do INSS. O cadastro eleitoral pode incluir inscrições de pessoas que já faleceram, sobretudo nas faixas de idade mais altas.
Sobre o Movimento Voto 70+
Iniciativa cívica e apartidária, o Movimento Voto 70+ busca ampliar a participação e a representatividade dos brasileiros com 70 anos ou mais no processo democrático, faixa etária para a qual o voto é facultativo no país. Liderada pelo hub de dados estratégicos data8, a mobilização reúne empresas, instituições e organizações da sociedade civil e desenvolve pesquisas, levantamentos, campanhas e ações de mobilização voltados à participação eleitoral da população 70+.
Sobre o data8
O data8 é o hub líder na América Latina em pesquisa, inteligência de mercado e inovação sobre a revolução da longevidade. Fundado em 2016, é referência em dados, estudos e tendências sobre o comportamento e o consumo dos 50+. www.data8.com.br
( da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)