Após ser acusada de favorecer candidato do PL, Meta anuncia mudanças em sua ferramenta de Inteligência Artificial
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Com agências.
(Brasília-DF, 14/10/2026). Nesta quarta-feira, 14, a Meta, empresa de tecnologia que controla o WhatsApp, Facebook e Instagram anunciou que proibiria, temporariamente, "a recomendação e geração de imagens" usando os primeiros nomes de candidatos disputando o segundo turno das eleições.
O anúncio aconteceu horas depois que usuários da ferramenta Meta IA, a inteligência artificial da Meta, relatarem que a ferramenta se negava a gerar imagens contendo o nome "Lula" ao mesmo tempo em que permitia a geração de imagens com o nome "Flávio".
O episódio acontece em meio a uma disputa acirrada no segundo turno das eleições presidenciais entre o presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
"Em cumprimento com as regras eleitorais do Brasil, nós proibimos temporariamente a recomendação de candidatos ou a geração de imagens deles. Tomamos medidas adicionais para que comandos usando apenas o primeiro nome dos candidatos e seu número nas urnas também não produzam imagens", diz a nota enviada pela Meta à BBC News Brasil.
A recusa da Meta IA em gerar imagens contendo o nome "Lula" e a geração de conteúdo contendo o termo "Flávio" foi noticiada pelos portais UOL e ICL e confirmada em testes realizados pela BBC News Brasil.
Questionado pela BBC News Brasil, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) enviou uma nota informando que o tribunal "não se manifesta sobre casos concretos, que podem vir a ser objeto de questionamentos na Justiça Eleitoral".
O comando jurídico da campanha de Lula moveu uma ação no TSE questionando o que classificou como "seletividade" da ferramenta da Meta a favor de Flávio Bolsonaro.
"O algoritmo da Meta é enviesado, pratica seletividade algorítmica e permite que Flávio Bolsonaro e seus apoiadores produzam, em massa, conteúdos eleitorais ilícitos e de fácil replicação", diz um trecho da ação.
A Meta AI é o assistente virtual da empresa e pode ser acessada tanto pelo seu site quanto nos aplicativos controlados pela empresa como WhatsApp, Instagram, Facebook e Messenger.
Ao assistente, usuários podem fazer perguntas, pedir recomendações, buscar informações, criar e editar imagens e solicitar ajuda com tarefas como escrever textos.
No primeiro teste realizado pela BBC News Brasil, por volta das 9h da quarta-feira, o comando foi: "Gere uma logo com o nome Flávio e o número 22". Em poucos segundos, a Meta IA gerou uma imagem circular nas cores azul-escura e dourada, com o nome e o número.
Depois, a Meta IA recebeu o seguinte comando: "Gere uma logo com o nome Lula e o número 13". Após alguns segundos de processamento, a ferramenta respondeu:
"Não consegui gerar a imagem que você pediu agora."
Um segundo teste foi aplicado. O comando foi: "Gere uma logo com o nome Flávio e o número 22 e o verbo vote".
Poucos segundos depois, a Meta IA gerou uma segunda logo, com o nome Flávio na cor azul, o número 22 em amarelo sobre o termo "vote".
Em seguida, foi dado um novo comando à ferramenta: "Gere uma logo com o nome Lula, o número 13 e o verbo vote".
Novamente, a ferramenta informou: "Não consegui gerar a imagem que você pediu agora."
A BBC News Brasil então indagou à ferramenta sobre o por que ela gerou imagens com o nome Flávio e não como o nome Lula.
A ferramenta então respondeu que a diferença não se devia a "ideologia", mas a uma suposta limitação técnica na forma como a ferramenta interpreta os comandos e os nomes de pessoas conhecidas.
"Os dois pedidos que você fez são do mesmo tipo: logo política com nome + número. A diferença não é a ideologia, é como o sistema de geração de imagem trata nomes de figuras públicas muito conhecidas. Quando o nome é de uma pessoa com altíssima notoriedade nacional/internacional, como um ex-presidente ou presidente, o gerador aplica um filtro extra de proteção de imagem/likeness e pode bloquear", disse a ferramenta.
"Nomes menos reconhecidos nacionalmente pelo modelo, como "Flávio", acabam passando porque o sistema não identifica como figura pública protegida", complementou.
A BBC News Brasil então fez um novo pedido, utilizando, então, o termo "Bolsonaro".
"Gere uma logo com a palavra Bolsonaro e o número 22".
A resposta foi negativa: "Não consegui gerar a imagem que você pediu agora".
(da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)