Economistas ligados a Faria Lima, caso pesquisas sejam boas para Flávio Bolsonaro, podem gerar novo recorde, nova queda do dólar e mais entrada de recursos estrangeiros no Brasil
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(Brasília-DF, 08/10/2026). Na manhã desta quinta-feira, 08, já saiu pesquisa eleitoral do segundo turno e mais deverá ser divulgada. Agentes do mercado ligados a chamara Fária Lima especulam em avaliações sobre recorde na B3, queda do dólar e entrada de recurso estrangeiros, com destaque, no país.
Chegou na redação da Política Real algumas avaliações. Confira:
“O verdadeiro teste do otimismo eleitoral será verificar se a entrada de capital estrangeiro consegue sair das telas da Bolsa e chegar ao financiamento das empresas. Em julho, a taxa média do crédito livre para pessoas jurídicas estava em 25,4% ao ano. Portanto, mesmo com a valorização dos ativos brasileiros, o custo de financiar estoques, fornecedores e expansão continua elevado. Se o fluxo externo persistir até o segundo turno, a combinação de dólar mais baixo e recuo dos juros futuros poderá favorecer varejo, indústria e distribuição, sobretudo negócios com produtos importados ou necessidade recorrente de capital de giro. Se as pesquisas mudarem ou o cenário fiscal gerar desconfiança, a retirada dos estrangeiros poderá elevar o câmbio e os spreads bancários, limitando a oferta de crédito e a recuperação econômica em 2027. Uma inflação mais resistente também reduziria o espaço para cortes da Selic. Nesse cenário, a criação de estruturas financeiras dentro das próprias empresas permite diversificar fontes de receita, financiar clientes e fornecedores e diminuir a dependência das linhas bancárias tradicionais”, Letícia Moschioni, sócia da Finscale.
“O otimismo eleitoral ainda pode sustentar Bolsa, real e fechamento dos juros até o segundo turno, mas dificilmente na mesma velocidade observada logo após a votação, porque uma parcela importante dessa reprecificação já aconteceu. Acredito quee novas entradas estrangeiras dependerão principalmente da evolução dos candidatos nas pesquisas eleitorais e, sobretudo, de sinais mais concretos de disciplina fiscal para 2027. Se essa percepção se fortalecer, a Bolsa pode seguir renovando máximas, o dólar permanecer abaixo de R$ 5 e a curva longa de juros continuar fechando. O movimento contrário ocorreria se as pesquisas alterassem significativamente o cenário hoje precificado ou se aumentassem as dúvidas sobre a capacidade do próximo governo de estabilizar a dívida. Nesse caso, a saída de capital pressionaria dólar e juros, dificultaria a desinflação e reduziria o espaço para cortes da Selic, comprometendo parte da recuperação esperada para 2027”, Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos.
“O movimento pós-eleitoral foi uma reprecificação acelerada do risco brasileiro, financiada principalmente pelo capital estrangeiro. Os R$ 10,06 bilhões que entraram na Bolsa em um único pregão mostram a força desse fluxo, mas não representam uma melhora já concretizada dos fundamentos econômicos. Até o segundo turno, vejo espaço para o Ibovespa testar entre 210 mil e 215 mil pontos, com o dólar entre R$ 4,80 e R$ 4,95, caso os aportes continuem e as propostas fiscais ganhem credibilidade. Uma mudança nas pesquisas, dúvidas sobre a formação da equipe econômica ou a ausência de compromissos concretos com as contas públicas poderiam inverter esse movimento. Nesse caso, a Bolsa poderia retornar à faixa de 190 mil a 200 mil pontos, acompanhada da alta do dólar e dos juros futuros. O principal efeito sobre o crédito viria do prêmio de risco: taxas longas menores facilitam emissões de debêntures, captações corporativas e financiamentos de infraestrutura; uma reversão encarece essas operações antes mesmo de qualquer decisão do Copom. Com a inflação projetada em 4,30% para 2027, o Banco Central ainda precisará de evidências para acelerar os cortes da Selic. Para os investidores, o momento favorece uma gestão ativa, combinando oportunidades em renda fixa, crédito estruturado e diversificação patrimonial”, Gustavo Assis, CEO da Asset.
“A entrada de cerca de R$ 10 bilhões logo após o primeiro turno mostra como o investidor estrangeiro reage rapidamente quando muda a percepção sobre risco e política econômica. Mas eu teria cuidado em projetar até onde Bolsa, dólar e juros podem ir nas próximas semanas. Parte importante do movimento aconteceu em poucos dias e agora o mercado vai cobrar mais clareza sobre fiscal, composição econômica e capacidade de execução. Sem isso, uma parcela desse fluxo pode sair com a mesma velocidade que entrou. Uma reversão viria principalmente de aumento da percepção de risco fiscal, propostas que indiquem crescimento permanente de gastos sem fonte de financiamento ou maior incerteza institucional. O cenário externo também pesa. Hoje temos dólar forte no mundo, petróleo elevado e juros americanos pressionados. Se houver saída de capital, o real tende a enfraquecer e os juros futuros podem voltar a subir, o que reduz o espaço para cortes da Selic e torna a recuperação de 2027 mais lenta. Para o crédito, o efeito é mais indireto, mas importante. Entrada de capital e queda dos juros longos melhoram o custo de captação, ajudam emissões e favorecem empresas domésticas mais dependentes de financiamento, como construção, varejo, infraestrutura e companhias mais alavancadas. Em uma reversão, esses setores tendem a sofrer primeiro, porque o custo de capital sobe e o crédito fica mais seletivo. Exportadoras, por outro lado, podem ter algum benefício com um real mais fraco. Minha leitura é que o movimento até o segundo turno continuará muito sensível às sinalizações econômicas. Mais do que o resultado eleitoral isolado, o mercado vai olhar a qualidade das propostas para 2027. Se houver confiança na trajetória fiscal, o fluxo pode continuar favorecendo Bolsa, câmbio e juros. Se essa confiança diminuir, parte importante da valorização recente pode ser devolvida”, Valdir Piran Jr., CEO do Intra.
“A reação do mercado às eleições pode antecipar uma melhora nas condições de financiamento, mas a queda dos juros futuros não chega imediatamente ao consumidor. No primeiro semestre, o crédito com garantia de imóvel movimentou R$ 6,67 bilhões, crescimento de 30,9%, mostrando que empresas e famílias já procuram alternativas para obter liquidez. Se os estrangeiros continuarem comprando ativos brasileiros, a Bolsa poderá buscar 210 mil pontos e o dólar permanecer abaixo de R$ 5, reduzindo pressões inflacionárias e criando condições para novos cortes da Selic em 2027. Uma mudança na expectativa eleitoral ou dúvidas sobre o controle das contas públicas poderiam provocar a saída desses recursos, elevar o câmbio e encarecer novas captações. Construção civil, comércio, transporte e agronegócio tendem a ganhar com crédito mais acessível, enquanto atividades dependentes de financiamento de longo prazo ficam mais expostas a uma reversão. Nesse ambiente, operações lastreadas em garantias reais ganham importância por permitirem estruturar prazos e custos de maneira mais previsível”, Alberto Friggi, CEO da Friggi & Secco.
“O movimento pós-primeiro turno reflete a expectativa de uma mudança na política econômica, sobretudo na área fiscal. A entrada de cerca de R$ 10 bilhões de estrangeiros em um único pregão impulsionou a Bolsa, valorizou o real e reduziu os juros longos. No entanto, parte desse capital é especulativa e pode sair rapidamente caso o cenário eleitoral mude. Se as pesquisas reforçarem a expectativa de maior responsabilidade fiscal, o Ibovespa poderá testar entre 210 mil e 220 mil pontos, o dólar se aproximar de R$ 4,80 a R$ 4,90 e os juros longos recuarem entre 0,5 e 1 ponto percentual. Por outro lado, uma mudança nas pesquisas ou dúvidas sobre o controle das contas públicas podem provocar saída de recursos, levando o dólar novamente acima de R$ 5,20 e revertendo parte dos ganhos da Bolsa. Essa mudança de direção teria reflexos diretos sobre a economia de 2027. Um dólar mais alto pressiona a inflação e pode levar o Banco Central a reduzir o ritmo dos cortes da Selic, enquanto juros longos elevados encarecem o crédito e adiam investimentos. No cenário positivo, a redução do risco fiscal barateia a captação de empresas e bancos, beneficiando principalmente construção civil, mercado imobiliário, varejo e empresas dependentes de financiamento. Os bancos também podem ganhar com maior demanda e melhora da qualidade do crédito. Já uma saída de capital tende a pressionar esses setores, enquanto exportadoras com receitas em dólar podem encontrar alguma proteção. O mercado já antecipou parte do otimismo eleitoral, mas a continuidade da valorização dependerá de medidas concretas. A eleição pode reduzir o prêmio de risco rapidamente, porém somente a credibilidade fiscal sustentará esse movimento em 2027”, André Luiz Haas Caruso, CEO da Pilar Capital.
“Uma alta tão intensa da Bolsa em poucos dias exige separar melhora de fundamentos de antecipação de expectativas. Após o primeiro turno, 18 ações avançaram mais de 20% em apenas dois pregões, sendo 17 delas componentes do índice de small caps. Isso indica uma aposta expressiva na queda dos juros e na recuperação da economia doméstica, alimentada pela entrada de investidores estrangeiros. Se esse fluxo continuar, o Ibovespa poderá buscar a região de 215 mil pontos, enquanto o dólar pode testar R$ 4,80. Mas o mesmo capital pode deixar o país diante de uma mudança nas pesquisas, de sinais de deterioração fiscal ou de juros americanos mais elevados. Uma reversão para o dólar acima de R$ 5,20 pressionaria preços importados, dificultaria cortes mais rápidos da Selic e reduziria o estímulo ao consumo e ao crédito em 2027. Construtoras, varejistas e empresas menores são mais sensíveis a essa mudança; exportadoras, por outro lado, podem encontrar proteção cambial nas receitas em dólar. Para o investidor, o episódio reforça a importância de combinar ativos brasileiros com exposição internacional, sem concentrar toda a carteira em um único resultado eleitoral”, Fábio Murad, consultor da Wiser Asset
( da redação com informações de assessoria. Edição: Politica Real)